Macacos sem galho

25 de Abril uma vez por ano

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Não se esqueçam fingir com especial vigor, hoje, que não são capitalistas conformados, consumistas vorazes e abstencionistas crónicos. Hoje é dia de fingirmos que somos todos uns grandas revolucionários.

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Os meus mais graves problemas de primeiro mundo

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Eu costumo dizer que não podemos comparar os nossos problemas com os de toda a gente, porque senão, qualquer maleita que nos assalte ou toque que nos dêem no carro se transforma numa insignificante vergonha perante fome, destruição, exílio e diversos outros sofrimentos humanos que povoam a espécie.

Portanto, o ideal, é ficarmo-nos pela nossa realidade e podemos assim gozar os pequenos sofrimentos que, hoje em dia, é comum chamar de “problemas de primeiro mundo”. Aqui vão os meus mais frequentes.

Meto-me na cama em pleno inverno, de calças de pijama e, quando me aconchego no edredão de penas, as pernas das calças sobem até ao joelho. Não quero ter que me levantar para as puxar para baixo, portanto tento infrutiferamente usar os dedos dos pés. :(

Tenho uma enorme vontade de jogar Grand Theft Auto e comer Lay’s Gourmet e não tenho Lay’s Gourmet. :(

Tenho muitas séries para ver, alojadas na minha Synology, que faz stream em alta definição para o iPad Air, mas não tenho tempo para as ver. :(

O Raspberry Pi não faz output de áudio por fibra óptica e o meu amplificador não tem HDMI. :(

Os retrovisores do meu carro não recolhem electricamente. :(

Nunca sei qual de inúmeros hobbies hei-de praticar e acabo por passar o meu pouco tempo livre agarrado ao Facebook. :(

Tenho 11 mil músicas no iTunes Match e há alturas em que vou no carro e o shuffle não me dá nada que me apeteça ouvir, portanto vou fazendo skip com o comando no volante e acabo por chegar a casa sem ter ouvido uma única faixa completa. :(

Quero uma PlayStation 4, mas ainda tenho vários jogos que quero jogar na 3. :(

Às vezes, quando vou correr com o iPhone a tocar música, o cabo dos phones incomoda-me. :(

O ar condicionado cá de casa faz algum barulho e às vezes fico sem saber se prefiro silêncio ou o quarto quentinho em noites de inverno. :(

Quando vou no comboio há um troço da viagem que dura uns bons 40 ou 50 segundos em que passo num túnel e fico sem rede. É insuportável. :(

Algumas encomendas da Amazon chegam a levar três ou quatro dias a chegar. :(

Apetece-me ver um filme, mas não tenho paciência para ligar o plasma, o amplificador e o media player. :(

Quero beber um café, mas a máquina está cheia de cápsulas e como não me apetece vazar o depósito, tento forçar mais uma cápsula na mesma. Mas não dá. :(

Gosto muito de jogar GranTurismo com o volante e os pedais, mas montar tudo e por o jogo a correr demora quase 3 minutos. :(

Às vezes, o restaurante onde almoço todos os dias tem dois pratos que me apetece comer e tenho que optar por um. :(

A iluminação do meu rato Razer não condiz com a do meu teclado SteelSeries, nem com os LEDs do meu interface de áudio Focusrite, têm todos cores diferentes. :(

Tenho uma lanterna de alumínio muito porreira, mas nunca falha a electricidade. :(

Às vezes compro um Big Mac e fica-me a apetecer um CBO e outras vezes vice-versa, mas o dramático mesmo é que não tenho um Burger King a 100 metros de casa. :(

Algumas noites esqueço-me de colocar o Withings Pulse em modo de sono. :(

Escrever listas de coisas na internet dá demasiado trabalho. :(

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Insónia

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

O problema da insónia é o medo.

Na primeira noite, está tudo bem, é só um glitch, dormes pouco, mas dormes, logo se vê.

Na segunda noite dormes menos e preocupas-te um bocadinho. Então mas isto agora deixou de funcionar?

Na terceira noite estás exausto, já são duas a pouco dormir, mas começa o nervoso miudinho quando se aproxima a hora de apagar a luz e puxar as cobertas e quando os olhos começam a focar o tecto, à procura de alguma coisa no escuro, o pânico instala-se. Alguma coisa partiu, algures e nem sabes bem onde se muda a peça… Nem sequer que raio de peça é.

E aí, vais ao armário dos medicamentos e tomas qualquer coisa, com aquela noção de que não podes tomar sempre qualquer coisa, mas com a nítida sensação de que, de alguma maneira estranha e incompreensível, te esqueceste como se dorme.

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Ideias para governar o país #1: educação

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Aviso: seguem-se coisas óbvias, mas que não consigo resistir mais a escrever.

A educação do povo é o investimento mais importante. Não só o ensino académico, mas todo um investimento na evolução da mentalidade, cultura e sofisticação das pessoas, para haver mais conhecimento, mas também mais respeito, mais civismo, mais solidariedade e sentido de nação.

A educação não é um negócio. Não dá lucro. É um investimento. O benefício da educação surge da evolução do povo e do que as pessoas criam nas suas vidas que beneficia directamente o país. A médio e longo prazo.

Reitero que educação não é só escola. Estou sempre a dizer isto.

O ensino é de extrema importância, sim; deve ser de fácil acesso, evolutivo, conduzido por professores profissionais, bem qualificados, mas também motivados, com condições decentes e respeito pela sua profissão. Deve ser também consistente, de forma a que uma criança que comece a estudar em Faro não se sinta particularmente deslocada se for acabar a escola no Porto(1). Os currículos devem ser idênticos e muito sinceramente, não me parece que o ensino deva continuar a ser dominado pela industria livreira: os livros devem ser o mais normalizados possível e de preferência durar alguns anos, desde que, claro, não fiquem desactualizados.

Evidentemente, o ensino deve ser gratuito, podendo algumas actividades satélite, como ATLs e outras semelhantes, pagas. Mas o essencial do ensino deve ser gratuito para quem frequenta, já que é pago por todos, no IRS(2).

A outra metade da equação da educação prende-se com a transmissão constante de valores e ideais a toda a população, em idade escolar, ou não. Um forte investimento na cultura, nomeadamente levando eventos culturais, de forma aberta, às populações (e não finos concertos eruditos para damas de Cascais) e uma aposta em campanhas em diversos meios, com mensagens simples, sucintas e directas.

Uma espécie de propaganda educativa, via mass media, via social media, via todos os media ao dispor do Estado para fazer chegar, repito, pequenas e simples mensagens que invistam num particular aspecto comportamental, cívico, social, etc que possa ser lentamente incutido nas pessoas, com o objectivo de promover uma melhoria global da educação das massas.

Simplista? Talvez.

Mas talvez também não tenha que ser muito mais complicado que isto.

(1) Não digo que não seja já, mas é um aspecto de realçar.

(2) Sim, eu sei que o dinheiro não chega, mas esta é só a primeira ideia, faltam outras, como sei lá, pararem de esbanjar guito em submarinos e concentrarem-se no que é importante.

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Os meus personagens preferidos dos transportes públicos

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Este é um texto livre e improvisado, apenas semi-pensado, sobre os meus personagens preferidos dos transportes públicos.

Sou publicamente transportado há muitos anos: andei de autocarro para as aulas de música quando era miúdo, andei de cacilheiro para a faculdade quando era mais crescido e depois para o trabalho, mais crescido ainda. Sempre andei muito de Metro em Lisboa, já experimentei em Almada também, mas depois desisti. E há alguns anos que ando de comboio diariamente.

Vejamos, então:

Aquele tipo que acha que é o último a entrar numa carruagem e portanto pára assim que passa pela porta, impedindo a entrada dos restantes passageiros.

O fulano que chega à plataforma no exacto momento em que o comboio pára, ultrapassa todos os passageiros que já estavam há largos minutos à espera e é o primeiro a entrar no comboio.

Aquele gajo que vai com o dedo no botão de abertura de portas do comboio mas que, quando este pára, se esquece de carregar no botão.

A fulana que se levanta de uma ponta da carruagem e percorre a coxia inteira até à porta oposta para sair porque “é mais perto da escada”.

O gajo que vai o percurso todo a cortar as unhas para o chão.

O fulano que se senta todo regalado na cadeira e ocupa três lugares, sem fazer qualquer esforço para deixar que outros se sentem.

A senhora com uma mala do tamanho de um panda bebé que só se lembra de mergulhar na dita para procurar o passe quando está parada em frente à cancela a empatar toda a gente.

O puto que não pagou bilhete e se cola às nossas costas para passar na cancela à nossa conta.

As senhoras que se encontram na escada de acesso à estação e decidem que ali é o sítio ideal para o beijinho e os cumprimentos da praxe.

O adolescente que não sabe o que fazer às pernas e precisa, porque precisa, de viajar com os pés no assento da frente.

Todos os gajos que fedem a suor logo às nove da manhã.

O gajo que viaja encostado ao poste de segurança do Metro, impedindo outros passageiros de se agarrarem ao dito.

Um gajo (este gajo existe mesmo!), que anda freneticamente de um lado para o outro na carruagem do metro, a falar ao telefone, mesmo em hora de ponta, quando andar freneticamente de um lado para o outro no metro é quase impossível.

Os jovens que acham perfeitamente natural ir a ouvir música alto através dos mini-altifalantes ranhosos dos seus telemóveis.

Pessoas que entram num autocarro e ficam ali no primeiro metro e meio da cabine, em vez de se moverem para a traseira, para caber mais gente.

Pessoas sem qualquer espécie de necessidade especial que ocupam os lugares reservados a pessoas com necessidades especiais, especialmente os que não se levantam na presença de alguém que, obviamente, precisa mais do lugar.

Pessoas que eu mal conheço mas que, como já me viram uma ou duas vezes, acham que eu quero companhia na viagem.

Aquele gajo, aquele mesmo gajo todos os dias, que está sempre lá, a apanhar o comboio à mesma hora que eu, que não conheço de lado nenhum, mas que odeio visceralmente só por existir.

O fulano que obviamente não pagou bilhete, mas que continua a fingir que o procura nos bolsos perante o pica, porque simplesmente não tem mais ideias.

O gajo que saca do laptop para estar a teclar coisas com um ar importante, numa viagem de dez minutos.

Pessoas de toda a espécie que se plantam em frente à porta do metro ou do comboio e não deixam sair os passageiros, quando a porta se abre. Especialmente, aqueles que teimam em entrar mesmo antes de sair o primeiro!

Senhoras com sacos. A sério, expliquem-me que atracção têm as senhoras por sacos enormes?

Pessoas de nariz empinado, com cara de finas que, obviamente, se fossem finas, não andavam de transportes públicos.

Pessoas que deixam o Destak no assento!

A velhinha que entra no autocarro e traz um porta-moedas com o valor do bilhete em moedas diversas que conta, demoramente, para desespero dos restantes passageiros que só querem entrar.

O gajo que viaja na Fertagus (outro personagem real), cantando êxitos nos anos 80 a plenos pulmões.

E certamente que há muitos mais, eu agora é que não me lembro. Mas uma coisa é certa, um gajo anda de transportes e se não se entretém a observar pessoas, passa-se da cabeça.

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