Macacos sem galho

Coisas que aprendi a correr

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Não sou, de longe, um grande corredor. Estou confortavelmente numa média de uma corrida de 6 km por semana, mais para arejar os pensamentos do que qualquer outra coisa. Não corro porque é bom para a saúde, para emagrecer ou para treinar para provas. Corro porque sim.

E uma das coisas que me cansou muito na minha participação nalguns grupos de corredores pelas interwebs fora foi que estão cheios de corredores muito mais experientes e fanáticos do que eu que tendem a sofrer de problemas de falta de modéstia que se tornam cansativos para um corredor modesto, como eu.

O mais típico é o tipo que corre 20 km a 4:30 min/km e comenta: “treino ligeiro, só para desentorpecer as pernas, lentinho, lentinho”.

Claro que para qualquer ser humano normal que deseje começar a correr, 20 km é estupidamente longo e 4:30 min/km é uma velocidade verdadeiramente alucinante. Portanto, estes grupos tornam-se completamente inúteis para os corredores do meu tipo e quando digo inúteis, quero dizer verdadeiramente irritantes. Nunca vou lá postar que corri 6 km a 5:48/km e me sinto bestialmente bem e portanto desisti dos ditos grémios digitais de loucos da corrida e decidi escrever este post.

São algumas coisas que um gajo como eu pode achar úteis se lhe apetecer começar a correr, sem se sentir intimidado pelos Carlos Lopeses que por aí abundam.

Primeiro que tudo, se és uma pessoa que quer “fazer running”, põe-te já nas putas. A sério, eu não sou nenhum pro, mas há limites!

Correr é correr. “Vou correr” ou “dei uma corridinha este fim de semana”, serve perfeitamente, não é preciso transformar isto numa marca registada, senão, daqui a bocado estamos todos a fazer BodyRunning® e ninguém se diverte.

Distâncias

Para começar a correr, aconselho vivamente que se tente chegar aos 2 km. Preferencialmente 3. Isto porquê? O primeiro quilómetro é muito difícil para quem está a começar e a tentação de desistir ao fim de mil metros é muito grande. A primeira prova a superar é conseguir usar a cabeça para superar a respiração descontrolada, o coração disparado e as pernas a arder – este é o primeiro obstáculo e daí a importância de fazer um esforço para correr pelo menos 2 km.

Conseguindo chegar aos 3 km de corrida, esta é uma boa distância para manter durante algumas semanas, sobretudo se só se correr uma vez por semana. É uma distância simpática, à qual as pernas se habituam muito depressa e que pode então servir para treinar a respiração para dar o salto para distâncias maiores.

Quando se conseguir correr os 3 km a uma velocidade porreira (mais sobre isso à frente), será surpreendemente fácil acrescentar uns 500 metros a cada corrida e chegar aos 5 km. Verão que quem corre confortavelmente 3 km, corre 3,5 e assim, de pouco em pouco, chega-se aos 5 k quase sem custar nada.

Correr 5 km, uma vez por semana, torna-se rapidamente fácil e depois pode começar a apostar-se no tempo. A app que eu uso para correr (mais sobre isso à frente), tem uma opção de ghost run, muito porreira. Selecciona-se a última corrida, liga-se a opção ghost run e corre-se o mesmo percurso, para bater o nosso próprio tempo. As instruções áudio da app vão-nos dizendo se estamos à frente, ou atrás de nós próprios, a cada quilómetro.

Na altura em que corria duas ou mais vezes por semana, comecei lentamente a esticar a distância até chegar aos 10 km. É uma satisfação enorme conseguir correr 10 km, especialmente, em menos de uma hora ou perto disso. Claro que ganhando o vício, o céu é o limite: mini maratonas, meias, maratonas, etc. O que não falta são objectivos, quer de distância quer de tempo e provas para participar, se for essa a vossa onda.

Também não faltam os tais grupos de corredores, clubes de corrida e toda a espécie de formas de apoio para quem quer ir mais além.

Velocidade

Quando se começa a correr, se calhar está-se a pensar em km/h, mas isso é para carros e motas. Na corrida, o que interessa é minutos por quilómetro, porque a velocidade pode variar, mas a média de minutos que demoram a percorrer um quilómetro acaba por ser o mais determinante para o tempo final e ao fim de pouco tempo a correr, habituam-se a esta métrica e começam a conseguir facilmente perceber se estão a correr a um bom ritmo, ou mais lentos ou rápidos do que o habitual.

Se na primeira corrida fizerem algo acima de 8 minutos por km, talvez valha mais a pena andar. O impacto nas articulações é menor e treinam o corpo para eventualmente darem o salto para um jog e depois corrida.

Qualquer coisa entre os 7 e os 8 minutos por km é lento, mas razoável e já permite uma passada de jogging.

Entre os 5 e os 7 minutos por km é onde eu corro. Um bom objectivo para uma corrida pode ser, por exemplo, 5 km em 30 minutos ou menos. Isto implica 6 min/km e a sensação é bem porreira. Já corri a menos de 6, ali pelos 5 e muito, neste momento ando nos 6 e picos e a este ritmo consigo sempre correr pelo menos os 5 km sem rebentar.

Abaixo dos 5 minutos por km é rápido, digam o que disserem e é preciso ter um bom treino para correr sustentadamente a 4 minutos e qualquer coisa por quilómetro, sobretudo nas distâncias maiores. Isso já é “correr a sério”. E acho que é um excelente objectivo, mas não me parece que se chegue lá correndo 5 ou 6 km por semana.

Equipamento

Não vale a pena gastar um dinheirão em equipamento, sobretudo se não se tem a certeza que se vá manter um treino regular. Depois, o destino do equipamento é o fundo da gaveta e isso é o mesmo que deitar dinheiro fora. Se são do tipo de pessoa que não começa nenhuma actividade desportiva sem primeiro comprar todo o equipamento topo de gama que vêem anunciado na internet, então por favor peguem no dinheiro, coloquem num envelope e mandem-me. Eu dou a morada aos interessados.

Para a vossa primeira corrida só precisam de ter uns ténis em estado razoável e confortáveis, que quase de certeza já têm em casa, uns calções e uma t-shirt, ou um fato de treino, enfim, uma roupa confortável que não dificulte os movimentos. O que é muito importante é que calcem um par de meias lavadinho antes de sairem para correr. As meias que já usaram o dia todo, estão suadas e mais facilmente causarão irritação e potencialmente bolhas nos pés.

Meias de corrida são a primeira coisa que devem comprar quando decidirem que sim, vão começar a correr regularmente. Meias de corrida são resistentes e confortáveis e não têm que ser Nike xpto de 30 euros, podem ser Kalenji da Decathlon. Comprem um monte de pares para terem sempre um par lavadinho quando vão correr e para se gastarem menos.

Depois de se começar a correr com regularidade, pode valer a pena investir em roupa de fibra sintética para correr. O algodão é uma chatice e fica muito pesado quando molhado (suado) e tem mais tendência a irritar a pele (no meu caso, pelo menos), além de que respira pouco. Lojas como a Decathlon vendem calções, t-shirts, camisolas e calças de fibra sintética, justas ao corpo, bem arejadas e baratas. Se forem correr no inverno, aconselho um corta-vento ligeiro, mas nunca se vistam demasiado para correr, porque o corpo aquece muito com a corrida e depois estão 8 graus na rua e vocês a ferver dentro do equipamento. (O Luís Correia é alérgico a fibras sintéticas, nestes casos, suponho que tenha mesmo que ser algodão, mas imagino que haja roupa própria, por exemplo, perfurada, para arejar; é investigarem).

Caso concluam que os ténis que têm não são adequados, ou que comecem a correr mais, ou sintam dores nos tornozelos ou joelhos enquanto correm, isso pode significar que precisam de sapatos mais adequados. A escolha é obscena, os preços variam à brava e não é nada fácil escolher.

Aconselho que dêem um salto ao Corte Inglés, onde podem fazer análise da vossa passada, correndo numa passadeira (preparem-se: terão que correr um bocadinho, descalços e com as calças arregaçadas, enquando uma câmara regista a vossa passada). Poderão ficar a saber se correm “normalmente” (passada neutra), ou se põem o pé para fora ou para dentro, etc. E depois o pessoal da loja aconselha-vos um par de sapatos de corrida adequado à passada.

Parece que há outra loja, no Parque das Nações, mais pro, que faz também a dita análise de passada e etc. (O Bruno Rodrigues avisa que nesta loja a análise de passada é feita a olho e não por gravação de imagem com medição posterior, como no Corte Inglés e que os preços são muito altos)

No fim de tudo, são vocês que vão ter que escolher os sapatos e há sempre sapatos de corrida na Decathlon, baratos e simples e perfeitamente aceitáveis, sobretudo para quem corre pouco. Eu tenho uns Asics Gel Nimbus 15 que me fazem sentir como se estivesse a correr em cima de focas bebés, mas que em contrapartida são quentes como os fornos de Mordor.

Alimentação e bebida

Não convém correr de estômago cheio, nem com fome. O ideal é comer qualquer coisa uma horinha antes de correr, ou algo ligeiro meia hora antes. Não precisa de ser uma pratada de esparguete. Mas umas bananas, por exemplo, são porreiras. Eu sou suspeito porque às vezes acabo de comer uma sandes de tremoços e uma caneca de café e vou correr, mas pronto, o bom senso assaltou-me para escrever o parágrafo anterior.

Quanto a bebida, não vale a pena andar com água atrás. Eu fiz isso no início e é verdade que a certo ponto, mesmo em distâncias curtas, um golinho de água sabe bem, mas não compensa nada a chatice de andar com uma garrafa de água atrás. Mais vale chegar a casa e emborcar meio litro de água, em golinhos delicados. (A Alexandra Amorim discorda e diz que corre sempre com o cinto com garrafa da Kalenji. Também tenho um, mas deixei de usar porque de facto nnão me sentia confortável com aquilo atrás, no entanto, fica a opinião de outra pessoa que corre bastante).

Gadgets

Se são fanáticos de gadgets como eu, correr pode ser mais divertido e portanto mais motivante, com dados. Dados são bons! Quase tão bons como batatas fritas, mas com menos calorias. Eu uso um iPhone com a aplicação iSmoothRun que é, na minha humilde opinião, a melhor aplicação para correr, para iOS, ponto final. Uso uns phones para ouvir música enquanto corro, porque eu gosto de ouvir música enquanto corro e comprei recentemente um Wahoo Tickr para medir a pulsação durante a corrida (compatível com a app atrás referida).

Para o iPhone aconselho uma braçadeira à prova de água (para correr à chuva). E para os phones, se usarem, aconselho um clip para prender o cabo dos ditos à camisola e evitar que ele ande a dançar enquanto correm.

Também uso óculos escuros super levezinhos, durante o dia (ou à noite, se estiver a chover, para evitar levar com água nos olhos). Comprei-os na Decathlon e acho que me custaram menos de 5 euros.

Dores e maleitas diversas

Em caso de dores fortes e/ou persistentes, mais vale parar de correr. Distinguir o que é uma lesão e o que é só o ardor muscular do esforço, depende de cada um. Parar de correr porque ai, ai, doem-me as pernas, é inadmissível; continuar a correr com uma pontada no joelho a cada passo, também.

Chegar a casa com dores aqui e ali deve ser remediado com meia hora de gelo na zona afectada. Comprei um saco de gelo na SportZone, muito porreiro, que não fica molhado por fora à medida que o gelo derrete e é muito prático de usar.

Se o gelo não resolver e a dor persistir no dia seguinte, ou sempre que se corre: médico.

A única lesão diagnosticada que tive, uma síndrome da fáscia lata curou-se com duas semanas de repouso, com gelo diário e uma semana de brufen.  Há coisas piores e quanto mais se corre, maior o risco. A corrida é um desporto com um impacto significativo e portanto, há que prestar atenção ao corpo e não fazer palermices.

Motivação

Deixem-se de merdas.

A sério, essa é a minha mensagem de motivação.

Já ouvi de tudo:

“Ah, não posso correr, fico logo com as pernas demasiado musculadas.” Não te preocupes, nunca vais ser nenhum Schwarzenegger por dares duas voltas ao quarteirão.

“Não consigo correr, fico sem ar”. Sem ar? Ar não falta pá! O ar é de todos! Ficas é estoirado. Paciência, corre mais que isso melhora.

“Eu até corria, mas não tenho tempo”. Mas vais correr uma ultra-maratona? Se não tens meia horinha que seja, uma vez por semana, tens sérios problemas de gestão de tempo.

“Correr na cidade é pouco saudável, há muito fumo dos carros”. Certo, há sítios com mais trânsito e mais fumo. Mas há uma coisa menos saudável que correr: não fazer a ponta de um corno a não ser comer pizza.

“Hoje não posso correr, está a chover”. Correr à chuva é fantástico!

A única desculpa válida para não se correr, é não querer correr. Não queres, não corras. Mas se queres, levanta o cu e vai correr. Começar custa um bocado, mas o corpo habitua-se depressa. Podes não ser nenhum Fernando Mamede, mas dar uma corridinha é um exercício bestial, ajuda a pensar na vida, dá para apanhar ar e ainda faz bem ao corpo, assim… no geral.

Pronto, é o meu contributo, que era para ser curto e afinal deu um testamento. Espero que seja útil. Se tiverem alguma dúvida que eu possa esclarecer, com o aviso, implícito, de que sou tudo menos especialista em desporto, anatomofisiologia do exercício e coisas semelhantes, é só dizer, que eu posso expandir o post.

Boas corridas.

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25 de Abril uma vez por ano

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Não se esqueçam fingir com especial vigor, hoje, que não são capitalistas conformados, consumistas vorazes e abstencionistas crónicos. Hoje é dia de fingirmos que somos todos uns grandas revolucionários.

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Os meus mais graves problemas de primeiro mundo

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Eu costumo dizer que não podemos comparar os nossos problemas com os de toda a gente, porque senão, qualquer maleita que nos assalte ou toque que nos dêem no carro se transforma numa insignificante vergonha perante fome, destruição, exílio e diversos outros sofrimentos humanos que povoam a espécie.

Portanto, o ideal, é ficarmo-nos pela nossa realidade e podemos assim gozar os pequenos sofrimentos que, hoje em dia, é comum chamar de “problemas de primeiro mundo”. Aqui vão os meus mais frequentes.

Meto-me na cama em pleno inverno, de calças de pijama e, quando me aconchego no edredão de penas, as pernas das calças sobem até ao joelho. Não quero ter que me levantar para as puxar para baixo, portanto tento infrutiferamente usar os dedos dos pés. :(

Tenho uma enorme vontade de jogar Grand Theft Auto e comer Lay’s Gourmet e não tenho Lay’s Gourmet. :(

Tenho muitas séries para ver, alojadas na minha Synology, que faz stream em alta definição para o iPad Air, mas não tenho tempo para as ver. :(

O Raspberry Pi não faz output de áudio por fibra óptica e o meu amplificador não tem HDMI. :(

Os retrovisores do meu carro não recolhem electricamente. :(

Nunca sei qual de inúmeros hobbies hei-de praticar e acabo por passar o meu pouco tempo livre agarrado ao Facebook. :(

Tenho 11 mil músicas no iTunes Match e há alturas em que vou no carro e o shuffle não me dá nada que me apeteça ouvir, portanto vou fazendo skip com o comando no volante e acabo por chegar a casa sem ter ouvido uma única faixa completa. :(

Quero uma PlayStation 4, mas ainda tenho vários jogos que quero jogar na 3. :(

Às vezes, quando vou correr com o iPhone a tocar música, o cabo dos phones incomoda-me. :(

O ar condicionado cá de casa faz algum barulho e às vezes fico sem saber se prefiro silêncio ou o quarto quentinho em noites de inverno. :(

Quando vou no comboio há um troço da viagem que dura uns bons 40 ou 50 segundos em que passo num túnel e fico sem rede. É insuportável. :(

Algumas encomendas da Amazon chegam a levar três ou quatro dias a chegar. :(

Apetece-me ver um filme, mas não tenho paciência para ligar o plasma, o amplificador e o media player. :(

Quero beber um café, mas a máquina está cheia de cápsulas e como não me apetece vazar o depósito, tento forçar mais uma cápsula na mesma. Mas não dá. :(

Gosto muito de jogar GranTurismo com o volante e os pedais, mas montar tudo e por o jogo a correr demora quase 3 minutos. :(

Às vezes, o restaurante onde almoço todos os dias tem dois pratos que me apetece comer e tenho que optar por um. :(

A iluminação do meu rato Razer não condiz com a do meu teclado SteelSeries, nem com os LEDs do meu interface de áudio Focusrite, têm todos cores diferentes. :(

Tenho uma lanterna de alumínio muito porreira, mas nunca falha a electricidade. :(

Às vezes compro um Big Mac e fica-me a apetecer um CBO e outras vezes vice-versa, mas o dramático mesmo é que não tenho um Burger King a 100 metros de casa. :(

Algumas noites esqueço-me de colocar o Withings Pulse em modo de sono. :(

Escrever listas de coisas na internet dá demasiado trabalho. :(

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Insónia

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

O problema da insónia é o medo.

Na primeira noite, está tudo bem, é só um glitch, dormes pouco, mas dormes, logo se vê.

Na segunda noite dormes menos e preocupas-te um bocadinho. Então mas isto agora deixou de funcionar?

Na terceira noite estás exausto, já são duas a pouco dormir, mas começa o nervoso miudinho quando se aproxima a hora de apagar a luz e puxar as cobertas e quando os olhos começam a focar o tecto, à procura de alguma coisa no escuro, o pânico instala-se. Alguma coisa partiu, algures e nem sabes bem onde se muda a peça… Nem sequer que raio de peça é.

E aí, vais ao armário dos medicamentos e tomas qualquer coisa, com aquela noção de que não podes tomar sempre qualquer coisa, mas com a nítida sensação de que, de alguma maneira estranha e incompreensível, te esqueceste como se dorme.

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Ideias para governar o país #1: educação

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Aviso: seguem-se coisas óbvias, mas que não consigo resistir mais a escrever.

A educação do povo é o investimento mais importante. Não só o ensino académico, mas todo um investimento na evolução da mentalidade, cultura e sofisticação das pessoas, para haver mais conhecimento, mas também mais respeito, mais civismo, mais solidariedade e sentido de nação.

A educação não é um negócio. Não dá lucro. É um investimento. O benefício da educação surge da evolução do povo e do que as pessoas criam nas suas vidas que beneficia directamente o país. A médio e longo prazo.

Reitero que educação não é só escola. Estou sempre a dizer isto.

O ensino é de extrema importância, sim; deve ser de fácil acesso, evolutivo, conduzido por professores profissionais, bem qualificados, mas também motivados, com condições decentes e respeito pela sua profissão. Deve ser também consistente, de forma a que uma criança que comece a estudar em Faro não se sinta particularmente deslocada se for acabar a escola no Porto(1). Os currículos devem ser idênticos e muito sinceramente, não me parece que o ensino deva continuar a ser dominado pela industria livreira: os livros devem ser o mais normalizados possível e de preferência durar alguns anos, desde que, claro, não fiquem desactualizados.

Evidentemente, o ensino deve ser gratuito, podendo algumas actividades satélite, como ATLs e outras semelhantes, pagas. Mas o essencial do ensino deve ser gratuito para quem frequenta, já que é pago por todos, no IRS(2).

A outra metade da equação da educação prende-se com a transmissão constante de valores e ideais a toda a população, em idade escolar, ou não. Um forte investimento na cultura, nomeadamente levando eventos culturais, de forma aberta, às populações (e não finos concertos eruditos para damas de Cascais) e uma aposta em campanhas em diversos meios, com mensagens simples, sucintas e directas.

Uma espécie de propaganda educativa, via mass media, via social media, via todos os media ao dispor do Estado para fazer chegar, repito, pequenas e simples mensagens que invistam num particular aspecto comportamental, cívico, social, etc que possa ser lentamente incutido nas pessoas, com o objectivo de promover uma melhoria global da educação das massas.

Simplista? Talvez.

Mas talvez também não tenha que ser muito mais complicado que isto.

(1) Não digo que não seja já, mas é um aspecto de realçar.

(2) Sim, eu sei que o dinheiro não chega, mas esta é só a primeira ideia, faltam outras, como sei lá, pararem de esbanjar guito em submarinos e concentrarem-se no que é importante.

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