Macacos sem galho

Receita rápida de chili

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Aqui fica uma receita rápida de chili, muito simples, em que é quase só atirar coisas para dentro de panelas e esperar (quase!)

 

receita rápida de chili

Resultado final desta receita rápida de chili

Os ingredientes são:

  • 1 kg de carne de vaca picada (a qualidade faz muita diferença)
  • 1 lata grande de feijão preto
  • 1 lata grande de feijão encarnado
  • 3 tomates médios, cortadinhos em pedaços
  • 1 cebola média, em pedaços
  • 4 embalagens de 200 g de polpa de tomate
  • 2 colheres de chá de pimenta preta
  • 2 colheres de chá de sal
  • 3 colheres de chá de cominhos moídos
  • picantes opcionais diversos na quantidade da preferência de cada um

A parte dos picantes é vaga, porque eu para os miúdos não ponho picante na coisa, pelo que não incluo na receita. Mas ponham à vontade, por exemplo, duas colheres de sopa de piri piri em pó, umas malaguetas verdes, pimenta cayenne, enfim, o que gostarem e na quantidade que apreciarem.

Fazer este chili é tão simples como: fritar a carne num pouco de óleo da vossa preferência, até ficar bem castanha e depois é como eu prometi: põe-se tudo na panela, incluindo o líquido das latas de feijão!

Mistura-se bem, deixa-se levantar fervura e fica a apurar duas a três horas. Fica óptimo e não dá trabalho! Aconselho vivamente a que se coma de uma tigela, bem quentinho e se tiverem algum queijo ralado ou sour cream para pôr por cima, provavelmente ainda fica melhor. Eu não tinha, comi assim mesmo e estava óptimo.

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Novo SAPO

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Hoje, lançamos o novo logo do SAPO, o culminar de meses de trabalho, anos de intenção. Lançámos isso, mas lançámos mais, mais projectos, mais ideias, uma renovação que culmina,  mas também começa hoje e se estende para o futuro.

novo-logo-sapo

Como é que se manifesta o orgulho e a satisfação, num dia como estes? Falar das pessoas é sempre arriscar a não falar de alguém. E eu gostava mesmo muito de falar de toda a gente, sem esquecer ninguém. Mas é impossível… não porque haja quem tenha menos relevância, mas porque simplesmente a minha memória já não dá para mais e o meu cérebro já pouco carbura.

Para já, a equipa de design do SAPO. Não sei se vocês têm bem a noção daquilo que conseguimos fazer, não se muda assim um logo de uma marca PT, não é assim que se faz, quebrámos todas as regras, desafiámos todos os limites e não fizemos inimigos, pelo contrário! Fizemos mais amigos na nossa empresa.

A equipa de comunicação, que também sabe exactamente do que eu estou a falar acima e que defendeu a camisola até ao dia… and to be continued!

As equipas de desenvolvimento, a trabalhar até ao último minuto para que mudar o logo não fosse “só” mudar o logo, fosse mudar a página principal, mudar os Blogs, o Mapas, lançar o Sobre o SAPO, o Lifestyle, o Marca SAPO as apps renovadas e que tudo acontecesse, sem nunca baixar os braços.

E a todas as equipas da PT, da gestão de marca, do marketing, dos eventos, da comunicação, até aos administradores, até ao(s) CEO(s), que apoiaram este nosso desejo de mudar e de o fazer nos nossos termos e com as nossas equipas, com esse valioso apoio.

Só quem não sabe, realmente, é que não sabe, mesmo. Só quem não percebe o que tudo isto implica é que não consegue perceber o que significa aquilo que conseguimos hoje.

No dia 1 de Outubro de 2014, na data que marcámos, fizémos tudo o que nos propusémos fazer, com esforço de todos. Desde que revelámos o novo logo à equipa do SAPO, em Maio, que nunca um único deles duvidou ou hesitou para além do limite do razoável, ninguém deitou abaixo, ninguém cruzou os braços.

Tivemos dezenas de reuniões, dias infindos de trabalho, discussões por vezes acesas, ânimos e desânimos e reânimos e nunca parámos de nos rir à grande e à francesa.

É por isso que hoje sabemos que valeu a pena e que os elogios nos sabem tão bem, que os parabéns nos soam tão merecidos, que as críticas nos alertam para o que devemos melhorar e que a maledicência nos escorrega pelos ombros para o chão com a naturalidade de quem ignora os coiotes do costume.

E finalmente, é por tudo isto e mais, que estou aqui com um copo de Lagavulin que virtualmente ergo ao Nuno, à Marta e ao Carmona, por aqueles dois dias, fechados numa sala, que deram os primeiros vectores. A toda a equipa de design, que passou pela dita sala, dos que propuseram mudanças subtis, às mais radicais, aos que disseram que não mudavam nada. A todos os que fizeram e testaram ícones e logos e footers e barras e lidaram com repositórios partidos, commits falhados, horas sem dormir, código marado, decisões e indecisões e alterações em cima de alterações e com “a culpa é do designer”, mesmo quando “a culpa é do designer” já era só uma piada nossa.

À Inês e à Andreia e a toda a equipa de comunicação por nos termos metido em lutas, mesmo as que já sabíamos que íamos perder, ou se calhar, especialmente essas. Por terem feito com que as partes mais difíceis às vezes parecessem as mais fáceis. À Isabel e à equipa dela, por ter mantido a insanidade contida num Excel, aquele que tantas vezes disse que nunca li (e não li!), mas que manteve as coisas no rumo. À Rita y sus muchachas por ser intransigente com a qualidade e com o detalhe. A toda a gente que lidou com parceiros, com agências, com fornecedores e clientes, com os internacionais, com o Grupo, com eventos e merchandising e o mais ínfimo detalhe, mesmo aquele que falhou e que ainda vamos reparar amanhã. A mais de 300 pessoas que mantiveram as novidades em segredo durante cinco meses.

À estupenda equipa da homepage, o Nuno, a Isa, o Miguel, a Rute. Ao Henrique e ao Castro e às suas equipas que tinham às costas uma responsabilidade enorme e que nunca desistiram até a cumprirem (B+!). À equipa de multiplataforma, à equipa comercial a toda e cada uma das nossas equipas que arregaçaram as mangas e se dedicaram às mudanças que era preciso implementar (não me matem, não consigo nomear toda a gente!). Ao Ivo que apesar dos olhos vermelhos e de ter a responsabilidade de garantir a qualidade, esteve ali até ao fim.

À Cátia e à Susana e toda a equipa de gestão de marca pelos meses de trabalho, de apoio e de aprendizagem, pela articulação com tantas outras áreas, todas as dicas e todas as orientações e por acreditarem que o SAPO era capaz de mudar a sua própria imagem.

Finalmente, não consigo deixar de sentir um orgulho especial na “minha” equipa dentro da equipa, os gajos do Ink, o Pedro, o Gonçalo, o Fábio e o Mário além de todos os outros que já por lá passaram, mesmo que brevemente e que construíram a base que sustenta os projectos que hoje foram lançados. Sei que o Gamboa sente o mesmo, ele que também foi o imparável Gamboa do costume e não parou um segundo para poder ajudar toda a gente, além dos seus contributos pessoais nesta mudança.

E agora até agradecia ao Celso, mas porra, isso já era graxa!

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Enfim, a paz

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Ando para escrever este post há bastante tempo. Para ser exacto, desde o dia 11 de Agosto, quando morreu o Robin Williams.

Na altura surgiram de todos os lados pessoas que pareciam subitamente especialistas em depressão, a partilhar por aí artigos sobre o assunto e a produzir frivolidades sobre como muitas vezes o humor mais não é que uma máscara para a mais profunda tristeza.

Claro que na época em que toda a gente confunde ter uma opinião com ter que a partilhar e informação superficial com conhecimento científico, é natural que assim seja.

Ninguém saberá porque se suicidou Williams, ninguém senão ele. Talvez tenha deixado algumas pistas à família, que nunca conheceremos, mas também não precisamos de saber. Desconfiamos apenas que, afogado numa enorme angústia, um dia acordou com o ânimo e a coragem necessários para por fim ao seu sofrimento.

Não quero ser o gajo que diz “ah, eu sempre soube”, até porque era razoavelmente conhecido que Robin Williams tinha probemas diversos, nomeadamente com álcool, mas uma coisa é certa: sempre vi um certo tipo de tristeza por trás do sorriso dele.

Sempre lhe identifiquei um olhar com um sabor amargo, mesmo (ou especialmente) quando os olhos se semi-cerravam para acompanhar um sorriso.

Um certo tipo de tristeza porque não é a tristeza comum, a que sentimos na perda, na saudade. É a tristeza que sabemos que nasceu connosco, a que sabemos que jamais nos abandonará.

Existe um lugar onde por vezes nos refugiamos mas que, ao contrário de um verdadeiro refúgio, não nos oferece segurança. É um lugar vazio e bafiento, com uma luz filtrada por cortinados velhos, cobertos de pó. Um lugar de onde nos parece até que poderemos sair com facilidade, mas revela-se-nos impossível levantar da cadeira e abrir a porta.

E à nossa volta, ninguém percebe, ninguém entende; não há ninguém que realmente perceba o que é estar preso dentro de nós próprios, encerrado numa profunda tristeza que nos suga toda a esperança, mesmo quando para todos o sol brilha de forma tão óbvia e tanto há para inspirar essa esperança.

Quando a vida é assim, torna-se insuportável, mas não se esvai, não nos deixa, obriga-nos a existir, a interagir, a sair para o mundo e fingir que está tudo bem. Andamos presos a um bloco de cimento que ninguém vê, mas nós sentimos. Cada passo é um esforço, cada conversa um martírio, cada pergunta de “está tudo bem” um exercício da pequena mentira.

E tornamo-nos bons a mentir, a fingir e disfarçar, porque sabemos que o mundo não foi feito para nós, foi feito para outros que toleram a nossa presença desde que mantenhamos essas nossas máscaras de normalidade.

Não temos solução, não temos coragem, nem para nos darmos ao mundo tal como somos, borrifando nas convenções, nem para nos retirarmos dele, de uma vez, dando finalmente silêncio ao ensurdecedor ruído que nos enche a cabeça todos os dias e nos mata o pensamento.

Não podemos ser felizes porque não sabemos o que isso é, não temos um vislumbre, sequer um sonho dessa coisa. Não fomos feitos dessa tal matéria cósmica que faz as pessoas sonhar, olhar para o futuro com um sorriso, viver o presente com a certeza de que o mundo os acolheu porque tem um lugar para eles.

E caminhamos assim, de pés arrastados e cabeça baixa, com os olhos cavados das noites em branco, os gritos de angústia na eterna pergunta: “porquê?!”; porquê? Porque é que tendo tudo sinto que não tenho nada? Porque é que o tudo que tenho não se acende nesta sala empoeirada e me ilumina os dias? Nunca há resposta, nunca há solução, porque nunca há esperança, nunca há fim.

Até um dia. Até ao dia em que acordamos com essa centelha perante nós, em que nos parece que o nosso corpo se animou, que a nossa mente não está recolhida num canto, com o olhar vazio posto no infinito, é o dia de coragem, de erguer a cabeça e saber precisamente que é o dia em que finalmente ganhámos coragem para morrer.

É esse o dia do fim do sofrimento. E enfim, a paz.

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Joana, 4 Anos

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

A Joana sabe o que quer.

A Joana sabe como obter o que quer.

A Joana adora as suas princesas e cantar e andar de saia.

A Joana tem longos caracóis que saltam quando ela anda e os melhores abraços do mundo e um sorriso só para mim, que não empresto a ninguém.

A Joana gosta de nadar no banho, como aprendeu com a mãe e gosta de ver filmes o dia todo, mas adormecer a meio e dormir no chão da sala, rodeada de barulho, vozes e música. A música preferida da Joana é o “We Will Rock You”, dos Queen.

A Joana gosta de contar e ouvir histórias, gosta de brincar com o irmão, gosta de saltar na cama dos pais a ouvir a “Bleed” dos Meshuggah o mais alto possível.

A Joana adora um bom H3 cheese com arroz, ou, como ela diz: “hambúgara com mo’io po cima e arroz”.

A Joana é tudo isto e não é nada disto. É mais, é tanta coisa que ainda não descobriu e que eu nunca vou descobrir. Mas também é a minha filha e hoje fez quatro anos.

Amo-te, Joana.

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E porque não?

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Inclinou-se, apoiando-se no gradeamento da varanda. Sentia o vento cortar-lhe a face e a roupa era decididamente inadequada à descida de temperatura que se verificara com o anoitecer.

Olhou a paisagem da cidade, sem a ver. Olhou, simplesmente, com os olhos vazios, um canal directo para a alma; o que quer que ela fosse, onde quer que ela estivesse.

Com as pontas dos dedos, alcançou o copo de whiskey de cima da pequena mesa de ferro e engoliu um trago, depois outro. Deixou que o fogo do álcool traçasse um caminho de calor por entre o gelo das suas entranhas. Imaginou-se seguindo esse rasto, como se na sua luz pudesse vislumbrar o que a escuridão lhe ocultava. Mas em vão. Nada o seu ser lhe queria mostrar, nada tinha para lhe dizer.

Tirou um morango da taça e mordeu-o. Sentiu o doce ácido do fruto nas gengivas e o perfume intenso nas narinas. Desejou que lhe mostrassem alguma verdade, que pelo menos lhe dessem uma pista… Não obteve eco. Não conseguiu ligação. Sabia apenas da sua completa inexistência. Nada mais, nada real. O calor, a luz, a dissolução na sua boca, nada.

A cidade, em baixo, serena. Aquele tom de laranja, contra um céu não suficientemente preto. E ele ali, naquele parapeito apoiado, cotovelos marcados pela pedra, orelhas geladas pelo vento, agonia, felicidade, indecisão. Nada.

Da inexistência à inexistência que distância irá? Que justificação necessitaria, para a medir?

Com a mão dentro dos calções, coçou a virilha direita; com os dedos, beliscou o mamilo, num gesto de hábito criado na solidão. O copo de whiskey, já vazio, em cima da mesa. Mais um morango.

Atirou-se da varanda até se estatelar, umas dezenas de metros abaixo. Ou não se atirou. Não achou que fizesse diferença. Pegou na garrafa e bebeu mais um trago, directamente do gargalo. Comeu outro morango e percebeu como funcionava a morte.

Foi para dentro e fechou a janela. Deitou-se, para dormir. Amanhã, inexistirá novamente… E porque não?

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