Lidar

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

São 2:16 da manhã. Às onze e meia decidi deitar-me para poder acordar a horas de ir por o carro na oficina cedo. Às 11:45 tomei meio dormonoct. Quarenta minutos depois tomei a outra metade.

Ao fim de duas horas desisti.

E agora?

Quis vir escrever. Lidar com o que sinto, com o que me mantém acordado. Ao mesmo tempo alerta e atordoado. Hiperactivo e morto.

Para disfarçar, estive meia hora a fazer um upgrade ao WordPress… e ainda não tive que escrever nada. Valerá a pena escrever? Valerá a pena escrever… online?

Acho que ainda não vai ser hoje que vou escrever… que vou contar a história para a tentar exorcizar (provavelmente, sem resultado útil). Talvez escreva mais algumas coisas sem grande significado e vá para a cama tentar dormir pelo menos quatro horas, para ver se não passo o dia a cambalear pela PT amanhã.

Sinto que um dia, talvez em breve, terei que escrever, talvez aqui, tudo o que se passou no dia 7 de Setembro e nos dias que se lhe seguiram. Talvez se o contar, como uma história, consiga fazer acalmar as recordações dolorosas que me mantêm acordado agora… e morto por dentro todos os dias.

Até lá, vou continuando a disfarçar.

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21 comentários a “Lidar”

  1. Pi Nunes says:

    Escrever pode não ajudar a passar a dor, mas ajuda-nos a organizar a cabeça e os sentimentos, mesmo que estes sejam de revolta, de angústia e de uma profunda tristeza.

    Acredito que vão conseguir aprender a viver com essa “história”, apesar de nunca a esquecerem. Mas vão ter forças para lutar e andar para a frente. Nâo desistam …

    Pi

  2. Dave says:

    Só queria deixar um grande abraço.
    Espero que consigam ultrapassar este momento…

  3. Visitante X says:

    Estou contente por estares de volta, mesmo que seja para não dizer nada ;)
    Um abraço.

  4. Maria says:

    Porque custa sempre saber o q dizer, e no fundo tb não há nada que valha a pena pôr em palavras, fica só um bj… Ainda bem q voltaste…

  5. Bela says:

    Todos os canais servem para dizer que vos acompanhamos todos os dias. Um grande beijinho meu e do Fernando.

  6. f says:

    As hitórias tambem nos levam para o futuro,

    força

    F.

  7. Aragorn says:

    Porra que o meu reply no teu post “Tá quase” foi profético, mais valia eu estar calado, o unico conselho que posso dar é que o tempo cura tudo, mesmo as feridas aparentemente incuráveis.

  8. S. says:

    Mesmo que não online, acho que a escrita permite exteriorizar e organizar muitos sentimentos. Força nisso.

    Há que pensar que melhores dias virão – garantidamente.

    Força.

  9. Marisol Couto says:

    Sou uma leitora do diário da Dee e conheço a vossa história. Não há palavras… O tempo cura tudo, garanto-te! Nunca vais esquecer esta história mas com o tempo os “sentimentos voltam ao lugar”.
    Força não vos preciso desejar pois todos nós a “arranjamos” quando precisamos dela, que remédio!!

    Fica bem

  10. Ahedonia says:

    Como disseram, é bom ver-te de volta, nem que seja para escrever nada. Imagino que a vida segue em piloto automático, e o cliché do “time heals all wounds” não é falso de todo. My heart goes to you both….
    Um Grande Abraço.

  11. diogo says:

    :) ao menos são poucas palavras mas são algumas!!!! é melhor que nada!!! em silêncio as coisas não se resolvem porque 2 cabeças pensam melhor k uma!! e pelo k vejo n e so uma tens montx d amigos a kerer ajudar!! kuando kiseres falar estamos tdx aki para t ouvir!! ate la as melhoras
    Fica bem!!!!
    Diogo

  12. rita says:

    não trago soluções, nem palavras que vocês já ouviram demasiadas vezes sem qualquer efeito … só um abraço, pedro.

  13. grinch says:

    Chorei ao ler o relato da Dee. Não vos conheço, não faço parte da vossa vida, mas a Internet tem esta vertente, e acompanho-vos há mais de um ano. Estava entusiasmada com todas as vossas novas perspectivas. E doeu-me, não porque tenha passado pelo mesmo, mas porque sou mãe, e nem me atrevo a pensar como seria se tivesse sido comigo. Infelizmente lidei de perto com dois casos semelhantes e a dor nos olhos daquelas mães não tem comparação com qualquer outro sentimento. É demasiado forte.
    Resta esperar. Que a dor se atenue, que a vida retome o seu curso, que o futuro esteja perto.
    Um grande beijo para os dois.

  14. pachita says:

    Desculpa o meu histerismo, o meu post, as mensagens, tudo. Fiquei sem saber o que fazer. As únicas pessoas que vos conheciam melhor estavam em Barcelona. Queria mostrar que vos estava a abraçar e a dar a maior força e se calhar meti os pés pelas mãos. Vocês os dois são lindos e, mesmo que vos conheça pouco, gosto muito dos dois e acompanho-vos sempre. No que estiver ao meu alcance, têm aqui um ombro. E acreditem que chorei. Desculpem, mais uma vez.

    Um abraço forte para os dois.

  15. buggy says:

    Tal como a grinch do comentário anterior, também eu acompanho os vossos diários há bastante tempo… porque me identifico com a Dee em algumas vertentes da sua maneira de ser e contigo pela vertente do trabalho (embora programadora, identifico-me com o caos dos projectos desta área) e porque gosto da vossa maneira de escrever.
    Quando li o relato da Dee sobre o que vos aconteceu, foi como se tivesse levado um murro no estômago. Não vos conheço e no entanto a emoção foi mais forte que eu e também chorei.
    É preciso uma coragem imensa para enfrentarem esta dor… que a escrita seja o vosso meio de desabafar, sabendo que há quem esteja deste lado a “ouvir” – perfeitos desconhecidos é certo mas que torcem por vocês, para que vocês venham a concretizar os vossos sonhos.
    Pode demorar, mas o tempo há-de conseguir atenuar esta dor.
    Um beijo grande para os dois.

  16. diogo says:

    olá outra vez!! agora sim já sei o que se passou!! bastou ir aos sitios certos!! era o k eu e a lipah kalkulavamos!!! :( isso e mt mau!!! mas a dor a d passar vais ver!!! tens muita gente que t apoia e k so ker o teu bem!! força para ti!!!
    Diogo!!

  17. Patrícia says:

    (…)”- O destino – respondeu o anjo – é uma espécie de grande novelo de lã. Pouco a pouco, o novelo desenrola-se e constrói a vida. Umas vezes o fio corre liso, outras forma nós. O importante é segurar sempre a extremidade. Uma ponta está na mão do ser humano e a outra está lá em cima, apertada na mão infinita do Criador.” (…) Susanna Tamaro
    Muita força para os dois!!
    Patrícia

  18. Isa says:

    A mim também me custou muito digerir o que se passou convosco. Quando vi os sites a negro foi como se tivesse levado com qualquer coisa muito pesada em cima..é algo que jamais imaginaria que pudesse acontecer naquele momento..em vez de posts e fotos a vender alegria, encontro o completo oposto..a dor é muito grande, até para quem está de fora..não consegui encaixar isso lá muito bem, a única coisa que me vinha à cabeça era “porquê?”..

    Depois, quando vi que Dee tinha reaberto o site e relatado ao pormenor toda a historia, fiquei abismada com o que li, e vieram-me as lágrimas aos olhos.. pois ninguém é de ferro. Não consigo imaginar o tamanho da coragem que ela precisou para fazer isso, mas ao mesmo tempo agradeço que tenha partilhado com quem está deste lado, e que também sofre só de pensar..

    Só não sou muito optimista quanto a acreditar que o tempo vá ser grande ajuda ..acho que essa ferida é demasiado profunda para sarar.. mas claro que não podemos ficar agarrados a essas emoções para sempre, porque a vida não pára, e o tempo há-de certamente trazer outras alegrias. O importante é não parar de lutar!

    Toda a força do mundo para vocês ; )
    (..e perdoem-me se disse alguma coisa inapropriada)

  19. Margarida says:

    Não sei bem por onde começar… Não vos conheço nem voçês me conhecem, fui ao site da Dee por indicação de uma amiga e gostaria muito de deixar o meu testemunho (que espero vos ajude nem que seja só um bocadinho). Passei por uma experiência idêntica à vossa, e por isso quando li o relato da Dee não pude deixar de me emocionar. Há quatro anos atrás fiquei grávida do meu segundo filho, uma gravidez muito desejada e muito participada também pelo irmão que na altura já tinha 5 anos. Tudo corria bem até que (com 30 semanas de gravidez) um dia eu deixei de sentir o António mexer dentro da minha barriga. Corri para o hospital, exames e mais exames, análises e mais análises, e passados 4 dias o António partiu. Fiquei desesperada, como é que uma coisa dessas nos tinha acontecido, que injustiça, como ia dizer ao irmão que o mano de quem ele se despedia todas as noites com uma festa na barriga da mãe já não ia jogar à bola com ele. Passei uns meses até conseguir falar sobre o assunto e começar a aceitar o que me tinha acontecido. Depois disso, quis tentar novamente e passados 6 meses fiquei grávida (na realidade deveria ter esperado mais tempo, mas a verdade é que a vontade de ter outro filho e dar o irmão tão desejado ao Francisco era tão grande , que não esperei o tempo necessário para o meu corpo voltar ao lugar…). Hoje tenho uma menina linda, chama-se Margarida e fez 3 anos em Julho. Com isto tudo só queria vos dizer que apesar do tempo não curar o desgosto profundo que é perder um filho, ajuda a atenuar a dor. O importante é não desistir NUNCA! Muitos beijinhos para os dois, Margarida

  20. Raquel Henry says:

    Olá.
    Também eu fiquei profundamente consternada com o que se passou.
    Apesar de numa fase mais primária da gravidez também eu ter perdido um bebé acredito que no fim do tempode gestação haja para os pais muito mais expectativas, sonhos e quase-certezas, no entanto é sempre difícil.
    Não vos desejo força porque vocês já a têm.
    Cumprimentos

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