O papel, por favor

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Mais uma segunda-feira… o fim de semana foi um bocado estupidificante, embora tenha tido dois bons momentos, que guardo para mim.

Hoje foi dia de loucura. Loucura no verdadeiro sentido da palavra… demência, psicose profunda, esquizofrenia descompensada… essas coisas. No mês de Dezembro, para fazermos o arrendamento do escritório que ainda hoje não ocupamos por não estar pronto, tivemos que fazer uma garantia bancária. Para fazer esta garantia bancária, o banco, exigiu que assinassemos um penhor de crédito sobre um depósito a prazo que garante a garantia… garantido.

Fiquei com o documento do penhor em meu poder, era preciso carimbar e assinar, mas era preciso também reconhecer a assinatura no notário. Muito bem, bastava ter um bocadinho para tratar disso.

Fui ao notário com o papel, no início de Janeiro, para arrumar o assunto. Adoro quando vou ao notário e digo “por favor reconheça-me esta assinatura” e a senhora (invariavelmente é uma senhora), começa a ler o documento. Logo aí começo a espumar… quero que me reconheça a porra do nome, olhe para o BI, olhe para a assinatura e meta um papel por cima a dizer que sim senhor, fui eu que assinei. Mas não, como ninguém gosta de ser “reconhecedor de assinaturas” e todos querem ser “juristas”, lêem os documentos. Lêem e depois inventam… pronto, pela leitura do penhor, quiseram ver a certidão comercial, para saberem a quem obriga assinar. Eu disse: “obriga-me a mim, sou o gerente… até já assinei”.

Muito bem, voltei lá com a certidão comercial. Ora bem, a certidão comercial diz “forma de obrigar: com a assinatura do gerente”. Sou eu. Isso vem na linha de cima: “gerente: Pedro de Sousa Couto e Santos”. Eu.

Mas a senhora doutora decidiu que não, que o documento tinha que ser assinado por todos os sócios. Ok, aqui entram dois factores: 1 – o banco pediu a MINHA assinatura reconhecida; 2 – para que raio querem a porra da certidão comercial se depois vao ignorar o que lá diz e obrigar-me a ir recolher as assinaturas dos meus sócios? Estão a gozar comigo!

Queriam a certidão para saber a quem obriga a sociedade, a certidão diz que obriga pela assinatura do gerente, diz que o gerente sou eu e depois elas pedem-me as outras assinaturas?

Ok, round 3. Volto lá, já hoje, com as três assinaturas, certidão comercial e 3 BIs. “É para reconhecer estas assinaturas, por favor”. ERRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR. Wrong!

Pergunta: “E é para pagar imposto de selo?”. Como diria o Dennis Leary: “what the fuck?!” Mas então se não somos “reconhecedores de assinaturas”, mas sim “notários-tão-importantes-com-cursos-superiores”, digam-me a mim se tenho ou não que pagar a merda do imposto de selo!

Eu ainda disse: não… o imposto de selo já foi liquidado, paguei-o ao banco na altura em que fiz a garantia. Nada feito. Agora queriam ver a garantia. Pois tá visto, se não pedissem mais um papelinho, não ganhavam o dia.

Voltei lá com uma cópia da garantia, com um carimbo atrás que confirmava o pagamento de 9 contos de imposto de selo. Para o Estado, claro, qualquer movimento é passível de imposto.

Quem acha que já não vivemos num regime feudal HA HA HA rio-me na vossa cara.

Paguei 3 contos e fiquei com um documento assinado e comprovado. Em todo o processo, gastei mais de 6 horas no notário.

Isto foi uma parte do que fiz hoje, o resto foi também, na sua maior parte, burocracia.

Gostei de ver o diário do ADSS actualizado, contuinuo à espera de ver outros ter o mesmo destino. A Dee nunca falha, felizmente.

Ainda estive pela noite fora, com o Godfather online a tentar resolver um problema de WAP, mas ainda não conseguimos. Como são 2:30 da amnhã e temos reuniões de manhã, vou ver se durmo umas horinhas. Divirtam-se.

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Um comentário a “O papel, por favor”

  1. Vitor says:

    “-Para isso, tem que tazer o papel -Papel, qual papel…? -O papel! -Mas qual papel? -O papel. -Haa…! Mas qual papel?”

    Que fedorento!

    Aliás, deve ser por estas e por outras que esta gente dos notários do estado se lixou com a vinda dos notários privados…

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