São Silvestre de Lisboa 2015

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Este ano, corri a São Silvestre de Lisboa 2015, a oitava edição da prova. O meu pai foi fazer a sua primeira prova de sempre e aqui estamos nós pouco antes da partida.

São Silvestre de Lisboa 2015

Comecei a correr há muitos anos, muito pouco e muito mal. Sem preparação, sem objectivos, sem sequer o mínimo equipamento adequado (cheguei a correr com as mesmas meias que tinha usado o dia inteiro e depois admirava-me de fazer bolhas nos pés). Na altura fazia uma corrida de cerca de quilómetro e meio e estava pronto para entregar a alma ao Criador… e eu sou ateu!

Mas desde então, as coisas evoluíram muito e houve três factores que foram essenciais para empurrar a minha corrida para a frente, por assim dizer.

A primeira foi equipamento; sim, eu gosto de gadgets e gosto de dados e estatísticas e portanto, quando tive um GPS à disposição que registava os meus percursos e me permitia comparar tempos e distâncias, ganhei um interesse redobrado pela corrida. Correr contra mim próprio foi motivador para me ultrapassar a cada saída para correr e poder registar e consultar a minha evolução ajudou-me a ter objectivos concretos e a organizar o meu treino.

Já vi muita gente dizer: “como será que se corria antigamente, sem iPhones e auscultadores e sensores de frequência cardíaca?”. Eu respondo: “da mesma maneira que os velhos do Restelo sempre criticaram tudo e todos e dantes também não tinham internet”.

A segunda coisa foram as pessoas que correm. Nessa altura já corria com alguma regularidade, dava-me gozo e sentia-me bem. Correr tinha-se tornado um momento pessoal importante para mim numa altura em que tinha a cabeça a rebentar dos mais diversos pensamentos conflituosos, que a corrida ajudava a organizar. Às vezes ajudava simplesmente a ter uma ideia para mais uma tira dos Especialistas. Mas era, sem dúvida, uma actividade completa, em que o corpo e a mente se combinavam e apoiavam mutuamente para conseguir um objectivo completo e complexo, apesar de aparentemente banal e simples.

Bom, ou então tudo não passa da libertação das hormonas certas na altura adequada. Mas adiante.

Houve quatro pessoas essenciais para este meu segundo momento de progressão na minha carreira de corredor amador: o João Campos, o Nuno Ferreira, a Patrícia Encarnação e o Joel Silva. Qualquer um deles dava, na altura, 15-0 à minha corrida. Bom… na altura e agora. E foi por acompanhar o seu entusiasmo, dedicação e progresso que percebi que conseguia puxar mais por mim e levar a coisa para um nível seguinte.

Foi no final de uma maratona que essa influência me levou ao terceiro factor. Na altura creio que foi o Joel e a Patrícia que completaram a maratona, partilhando fotos e posts na net, com um enorme orgulho e sensação de realização pessoal e eu pensei… “porque é que eu não corro uma maratona?”. Foi assim que me inscrevi na minha primeira prova de sempre.

O terceiro factor são, claro, as provas. Sou um maçarico nas corridas, fiz quatro. A minha primeira, inspirado pela tal maratona que também ainda quero correr, foi a São Silvestre de Lisboa, em 2014. Foi uma experiência tão boa que decidi que correria mais três ou quatro corridas de 10 km nesse ano e assim fiz: a TSF Runners, em Belém, a 5 de Julho, a Corrida Jumbo, no autódromo do Estoril, a 5 de Setembro e a São Silvestre de 2015, na Baixa, dia 26 de Dezembro.

As corridas são objectivos muito claros e definidos e informam todo o treino. Quando estou a treinar, estou sempre a treinar para uma corrida, que é a próxima corrida e a próxima corrida é uma de um certo número que decidi fazer, numa progressão planeada.

E o plano é simples: quatro corridas de 10 km no espaço de um ano, com o objectivo de consolidar o ritmo, preferencialmente melhorando o tempo em todas elas. Passar para a primeira meia-maratona no ano seguinte, tentar duas meias no ano posterior e fazer-me à maratona em 2018.

Há um ano, fiz a São Silvestre em 59’45”, com passagem ao quinto quilómetro em 29’59”, no fim de semana passado, fi-la em 54’29” com 25’05” ao km 5. Tirei cinco minutos ao tempo, quase todos nos primeiros 5 km, o que me diz que ainda tenho muito que treinar subidas e tenho que melhorar a minha performance após os cinco quilómetros. Mas a evolução é inegável, pelo que pretendo continuar o plano.

Se alguma coisa falhar, é só ajustar, não faz mal. Como uma inscrição numa corrida me dá um objectivo muito claro, os gadgets que uso medem tudo o que faço, permitindo-me saber como estou a evoluir e as pessoas que sigo correm que nem uns desalmados e me ajudam a eliminar as desculpas, tenho tudo na mão para conseguir correr uma maratona antes dos 50.

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2 comentários a “São Silvestre de Lisboa 2015”

  1. Marcus says:

    Só para dizer que eu sei o que são BOLVITAS! Ai que saudades! A #$%&@ é que não encontro uma única imagem na net. BOLVITAS, voltem por favor!

Responder a Pedro Couto e Santos

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