Ontem, dia 15 de Setembro, fui í primeira manifestação da minha vida. Imagino que tenha andado por umas durante o PREC, mas não me lembro.
Não fui chamar nomes ao governo, não fui protestar contra a troika, fui, porque simplesmente tinha que ir. Senti-me compelido a ir e aprendi uma coisa, aprendi o valor destes acontecimentos. Quando são assim, organizados por “ninguém”, sem partidos, sem sindicatos, sem uma agenda política definitiva, são a forma que temos de falar ao país. Nós, cidadãos comuns, não temos tempo de antena, não somos entrevistados por jornalistas no telejornal, não escrevemos editoriais em semanários; nós, cidadãos comuns, não temos outra maneira de passar a nossa mensagem.
Em Lisboa, parece que foram 500 mil pessoas. E eu não gosto muito de pessoas, mas senti-me bem ali. Andámos e pouco mais, deslocámos-nos do ponto A para o ponto B. Alguns gritaram, cantaram, alguns levaram cartazes. Alguns, claro, não perceberão nada do que se passa e acharão que a solução para o país é apenas deixar andar e pronto. Outros estarão mais informados ou terão melhor conhecimento para achar que tem que se fazer algo, mas que esse algo tem que ser outro algo que não o que o governo está a fazer.
Eu fui porque achei que a mensagem tinha que ser grande, tinha que se fazer ouvir e a única maneira para eu contribuir para isso, era ir. E levei um pedaço da mensagem, da minha mensagem. Eu não digo Passos gatuno, governo fora, nem sequer que se lixe a troika. Eu digo chega deste país, chega deste sistema partidário que se governa a si mesmo, antes de governar quem o sustenta.
Para mim, o essencial do que se passa em Portugal, é que fomos longe demais depressa demais. Quisemos demais – estádios, estradas, mega-eventos desportivos e culturais, condomínios fechados, carros potentes, férias e mais – quisemos tudo e deixámos que quem mais tinha a ganhar com isso, ganhasse. Que se fizessem contratos brutais, obras inacreditáveis e não só se gastasse o dinheiro necessário para as executar, mas o dobro, o triplo, vinte vezes mais.
Somos, há tempo demais, governados por um punhado de pequenas organizações cujos principais objectivos incluem o bem estar e sucesso pessoal dos seus membros, bem como a entre-ajuda dos mesmos. Organizações, chamadas partidos políticos, que pouco ou nada realmente se importam com os portugueses e que portanto gerem o país dia a dia, sem plano, sem responsabilidade, sem consequências para si próprios. Essas, ficam para nós.
Eu quero um país novo. Quero um país governado por pessoas cujo objectivo seja governar o país para que este tenha sucesso, como se governa uma empresa para que esta seja lucrativa. Quero pessoas que sejam competentes naquilo que fazem, que governem em áreas em que são especialistas e que defendam a sua equipa, nós, perante todas as outras: alemães, holandeses, chineses, seja o que for, troika ou sem troika.
Não fui lá ontem para que o governo caia e eu vote no PS. Não votarei no PS, não votarei no PCP, nem no BE, não votarei nos partidos actualmente no governo e não consigo imaginar, para já, um futuro em que um partido político volte a receber o meu voto. Eles são o que está errado na liderança do nosso país neste momento e não imagino que outro sistema surja entretanto.
Agora, espero que o governo se aguente, mas que reveja as suas medidas, que pense melhor, que se lembre não só dos mercados e do trabalho dantesco que tem pela frente (que acredito que seja difícil), mas dos cidadãos do país que até acho que são malta para aguentar uns tempos se lhes mostrarem que a seguir vem algo melhor, se lhes mostrarem o plano. Onde está o plano? Pedro Passos Coelho, onde está o teu plano de negócios para Portugal?