Os sobressaltos da paternidade

Hoje entrei em casa e o Tiago saltou do quarto rapidamente aos gritos: “Cuidado pai! Monstros!”

“Oh não, monstros!”, respondi.

“Tenho que ir buscar a tua pistola para darmos tiros nos monstros!”

Desapareceu para dentro do quarto, onde a Joana brincava com os pés e voltou com uma pistola espacial que os tios lhe deram no natal. Claro que já tinha a dele (que é, obviamente, a que ainda tem pilhas e faz todos os sons, luzes e vibrações).

“Toma pai! Dispara contra os monstros!”

Um gajo chega a casa e tem tudo invadido por monstros, é inadmissí­vel! Felizmente, armados até aos dentes, corremos tudo e certificámo-nos que não sobrava um único monstro, todos abatidos a salvas de laser das nossas pistolas espaciais.

Em menos de 10 minutos, estava a suar e a ter que tirar a camisola que ainda há pouco me parecia indispensável para não enregelar. Abriu-se o apetite, caçou-se monstros, tivemos a nossa brincadeira de fim de dia e o Tiago jantou bem, fez toda a sua rotina nocturna sem sobressaltos e foi para a cama dormir satisfeito pela missão cumprida.

Venham-me cá agora dizer que as crianças não deviam brincar com armas e que precisam de jogos didácticos, livros e blocos de construções.

Bullshit.

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6 comentários a “Os sobressaltos da paternidade”

  1. E hoje, quando fui levá-lo lá em casa, fez questão de me obrigar a perseguir monstros pela casa fora, perguntando aos gatos onde é que eles se escondiam. Depois, escondeu-se no quarto da mana e disse: “ontem escondi-me aqui com o papá!” – e depois, virando-se para mim com ar preocupado: “Tens que te sentar no chão, ví´!”
    Depois de consultar dezenas de gajos com gripe, nada melhor do que matar monstros. Sem dúvida!

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