Ontem tive uma visita da minha velha amiga, a hemorragia nasal. Bons tempos passámos juntos, anos atrás, como daquela vez em que eu estava “ao quadro”, a ler a lição, na segunda classe, em Queluz e o livro de leitura começou a ficar ensopado em sangue.
Naquela altura o procedimento era sempre o mesmo: algodão na narina em questão, sentar no chão, cabeça para trás, braço no ar (não me lembro qual o critério de escolha do braço).
Bom, a verdade é que depois de ter sangrado de manhã, fiz um grande esforço para não mexer no nariz o resto do dia. Daí a minha surpresa quando comecei a sentir um calorzinho a descer-me pela cara abaixo, a meio da tarde, enquanto calmamente jogava Call of Duty 3 na sala.
Era mais sangue… e era mesmo mais!
Chamei a Dee para me ajudar com um lenço de papel e fui para a casa de banho para poder sangrar sobre o lavatório í vontade. Dois ou três minutos de pressão e a coisa parou, não sem ter deixado a t-shirt manchada e a minha cara a parecer que tinha acabado de travar conhecimento com o Jack Bauer.
Tudo de volta ao normal até que, por volta das duas da manhã, acordei com a estranha sensação de ter a garganta cheira de líquido. Sentei-me na cama, meio zonzo e demorei alguns segundos a perceber que tinha sangue a escorrer por mim abaixo outra vez.
Desta vez sangrei nos lençóis, no tapete que tenho ao lado da cama, nas pernas, pés… enfim, o sonho húmido de qualquer vampiro.
Fui outra vez para a casa de banho pressionar o maldito apêndice nasal. Lá acabei por estancar a coisa, mesmo quando já começava a ver um túnel com uma luz muito brilhante ao fundo. Agora vamos lá ver se já chega, ou se o meu sangue continua a sentir-se exibicionista.
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