Macacos sem galho

Tiago & Joana 2012

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Não tenho escrito muito, porque não tenho muito tempo para escrever. Mas à medida que o blog caminha a passos largos para o seu décimo terceiro aniversário, não tenho qualquer intenção de parar.

Até porque há muito para deixar escrito, sobretudo coisas que quero que os meus filhos possam ler quando quiserem – se quiserem.

E assim, fica um resumo do status quo, as it were.

O Tiago está a menos de uma semana de completar cinco anos. Está a caminho do metro e vinte de altura e possui uma energia praticamente inesgotável. Foi graças a ela que, na sexta-feira passada, abriu o sobrolho direito na bancada de granito da nossa cozinha.

Ainda tem um penso, mas prevê-se que fique com uma cicatriz. Nesse fim de semana também o vi jogar futebol pela primeira vez, já que, nos últimos quase cinco anos, demonstrou pouco ou nenhum interesse por bolas. Prefere, ainda assim, Lego, o seu brinquedo de eleição dos últimos meses.

Os avós começaram a comprar-lhe Lego e o entusiasmo dele foi tal que praticamente todas as prendas de aniversário que temos para ele são Lego. Acima de tudo, gosta de brinquedos que possa montar e desmontar e é grande adepto de seguir instruções para obter um resultado.

Tem um discurso complexo e cheio de “portantos” e “directamentes” e “imediatamentes”.

Para minha angústia, anda preocupado com a morte. Pergunta-me se todos ficamos velhos e se depois, todos morremos. Desata a chorar, com lágrimas a correr-lhe pela cara abaixo, “pai, eu não gosto nada de morrer”. E eu ali a tentar ser o adulto que explica as coisas de forma simples, racional, sem fantasias, mas também sem o assustar. É difícil.

 

A ferida ficou bem feia, ali ao lado do olho direito, vamos ver se deixa cicatriz...

Grande gozo a jogar à bola, ao fim de 5 anos sem interesse pela cois

A Joana está a provar dia atrás de dia que se há coisas que se aprendem com um e se aplicam limpinho ao outro, também é possível dar como verdadeiras frases como “o segundo é muito mais fácil” ou “as meninas são completamente diferentes dos rapazes”.

Com um ano e meio raramente não está a sorrir – e quando não está, está a berrar; já fala, muito – muito mais do que o irmão falava nesta idade (que era nada), corre pela casa, sempre a rir, brinca com o irmão, muitas vezes a provocá-lo já que ele fica muito incomodado e a tenta dissuadir com discursos: “Joana, pára de me seguir, se faz favor, estás-me a distrair e eu quero acabar a minha construção!”.

Está extremamente bem integrada na escola e raras são as vezes que fica a chorar, embora ainda aconteça ocasionalmente. Adora a mãe, claro, está  na idade, mas é mimosa com toda a gente e faz montes de coisas que o Tiago nunca fez, como dar grandes abraços ou por-se aos beijinhos a fotografias. À noite, se eu já estiver em casa, antes de ir dormir, faz questão de me dar um abraço, dizer “xau” e acenar com a mão. Depois vai dormir.

E dormem ambos muito bem, sem grandes stresses, mesmo quando estão doentes. A Joana ainda acorda ocasionalmente a meio da noite, mas geralmente volta a adormecer sem problemas. O Tiago já começou a acordar de manhã ao fim de semana e se vê que nós ainda estamos a dormir, abre o estore e fica a brincar no quarto até nos levantarmos.

A brincar com Pinypon no chão do quarto

De vestidinho em dia de festa de aniversário de um amigo do Tiago

Colo à mesa da cozinha, para ler uns livros sobre animais

Os meus filhos continuam a crescer e vê-los crescer continua a ser o ponto alto dos meus dias.

É até me estamparem o carro pela primeira vez ou me irem ao armário do whiskey, claro!

 

Possivelmente relacionado

Tags

. . . .

Comentários 5

Popular

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Tenho estado em casa, doente, só saio de manhã para levar os miúdos à escola e ao fim do dia para os ir buscar. Por essa razão, tenho ido buscar o Tiago, coisa que não é muito habitual porque geralmente estou a trabalhar quando ele sai da escola.

Ontem, cheguei a recreio e ele estava sentado num degrau com uma amiga, com um ar sofrido, veio ter comigo e disse-me que tinha partido o braço. A amiga dele confirmou: tinha um dedo picado e o braço partido. Coitado.

Quando já o tinha ao pé de mim, a amiga escapuliu-se por trás das cordas que separam o recreio e veio dar-lhe um beijinho. Voltou para trás e informou-me: ele é o meu namorado!

À noite, depois de eu contar a história, a mãe perguntou-lhe: “Então, a I. é tua namorada?”. “Sim!”, respondeu ele. “E sabes o que isso quer dizer?”. Não hesitou: “Quer dizer que gosta de mim.”.

“Então e tu gostas dela?”. Gosta.

Mas a coisa não fica por aqui, porque, ao que parece, o meu filho está muito popular entre as meninas lá da sala.

Hoje viu-me ao longe e veio a correr acompanhado de outra amiga (diferente da de ontem). Ela miou-me. “Olá, és um gatinho?”, perguntei.

“Sou o gatinho do Tiago!”, explicou.

Perguntei ao Tiago, que confirmou e acrescentou que as outras duas que entretanto se aproximavam, também eram os seus gatinhos.

Quando já tinha o Tiago ao pé de mim para me ir embora, as três miúdas atiraram-se a ele – perdoem-me a expressão inevitável – como gatos a bofe e encheram-no de beijinhos. Ele sempre com um ar semi-ausente, como convém.

Lá ao fundo, outros rapazolas, lutavam por uma coisa qualquer de plástico.

Claramente, o Tiago fez a melhor opção.

Possivelmente relacionado

Tags

. . .

Comentários 4

Ainda sobre desenhos

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Hoje, na cozinha, conversávamos com o Tiago sobre desenhos.

- Então e tu não gostas de desenhar casas, pessoas, gatos?

- Não, eu não gosto disso – respondeu sem hesitar

- Então porquê, filho?

A resposta saiu-lhe com a naturalidade das coisas óbvias:

- Porque não sou uma menina.

Possivelmente relacionado

Tags

. . .

Comentários 3

Este é o meu filho

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Enquanto eu fazia o jantar, o Tiago entrou pela cozinha adentro com um molho de folhas. “Olha: papéis!”, anunciou.

Começou então a mostrar-me vários desenhos que tinha feito. Quase todos simples riscos coloridos, sem formas discerníveis.

Nada de bonecos, animais, casas, árvores ou sóis. É, aliás, raríssimo ver este tipo de figuras nos desenhos dele, normalmente, cobre completamente a folha de preto.

Curioso, decidi perguntar do que se tratavam os desenhos.

A resposta veio sem hesitação: “São cérebros!”

Aos quatro anos e meio, o meu filho, em vez de casinhas, o pai e a mãe, os gatos ou um sol sorridente, desenha cérebros.

Best. Kid. Ever.

Possivelmente relacionado

Tags

. . .

Comentários 5

Motivações

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Hoje, antes de lavar as mãos na casa de banho, abraçou-se às minhas pernas e disse: “sabes uma coisa, pai? Eu adoro-te”. Respondi-lhe que também o adorava, ao que acrescentou “e cada vez te adoro mais, quando fazes coisas que eu gosto, adoro-te ainda mais”.

Não resisti a perguntar-lhe que coisas é que eu fazia que ele gostava, imaginando, talvez, que pudesse ser comprar brinquedos ou algo desse tipo, mas para provar que  não tinha quaisquer interesses materiais, sem pensar muito respondeu: “coisas que tu fazes, como por exemplo, caretas, gosto de caretas!”.

Fiz-lhe uma careta e ele riu-se e deu-me um abraço.

 

Possivelmente relacionado

Tags

. .

Comentários 3

Temas

Categorias