Próximo do colapso
Publicado em , por Pedro Couto e Santos
Estou a dar as últimas… tenho a sensação que mais uns dias e caio para o lado. Nunca fantasiei tanto com umas férias na Polinésia como agora e, acreditem, eu fantasio muito com férias na Polinésia.
O Tiago está prestes a completar 20 meses e é uma criança extremamente regular: acorda todos os dias às oito da manhã e, sobretudo desde o ano e meio, todos os dias de manhã arranja justificação para fazer uma pequena birra. Nada de especial, apenas algo com uns guinchos e cabeçadas na mobília à mistura para nos lembrar que há quase dois anos que não podemos passar uma manhã na cama ou, sei lá, um fim de semana sem fazer a ponta de um corno.
Gosto muito do meu filho e raramente me queixo dele, mas confesso que já dormia até ao meio-dia um dia destes… porra, até às dez da manhã já seria um luxo digno de um Rajá.
Já não consigo distinguir o que é mais cansativo: a semana de trabalho ou o fim de semana… de trabalho. Com a mulher a dias a tirar umas férias de duas semanas que já vão em cinco, temos a limpeza da casa a juntar-se a tudo o resto que já não era pouco.
Estou aqui sentado a escrever, enquanto o Tiago dorme a sesta e eu cozinho sopa para ele; seguem-se uns bifes de perú no forno, para durarem uma semaninha.
Quando o Tiago dorme a sesta, há algo para fazer, cozinhar, limpar ou arrumar, quando o Tiago vai passear com os avós, há trabalho para fazer, problemas para resolver, coisas para por em ordem. Quando o Tiago está em casa e acordado, claro, o que quero é aproveitar e passar tempo com ele, remetendo as obrigações profissionais e domésticas para aquilo a que eu costumava chamar “tempo livre”.
Tenho a nítida sensação que um dia destes vou adormecer no metro e passar o resto do dia a fazer o trajecto Cais do Sodré-Telheiras, para trás e para a frente.