Macacos sem galho

Tangas

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Se há coisa que me amofina são tangas. Especialmente tangas ditas com um ar sério e convicto. Coisas que as pessoas aprenderam desde pequenas e que se tornaram pilares da sua vida pelos quais se seguem.

É como acreditar em deus: se nascem numa família católica são católicos, se nascem numa família muçulmana são muçulmanos e muitas vezes não se apercebem da ironia dessa realidade.

Adiante.

Aspirina com Coca-cola, ou qualquer comprimido com Coca-cola, na verdade, “é droga”.

O gozo que me dava, puto imberbe no liceu, ir para o bar da escola tomar medicamentos com Coca-cola. Se estivesse doente e andasse a antibiótico, por exemplo, não resistia. As senhoras do bar e os meus colegas quase que entravam em histeria e eu, divertidíssimo, lá tomava o meu comprimido com a Cola.

Não, tomar comprimidos com Coca-cola não faz mal nenhum. Alguns medicamentos podem interagir com álcool, mas não com Coca-cola. E mesmo a interacção com o álcool implica que se beba alguma quantidade e não apenas o golo necessário para engolir o comprimido.

Tomar banho depois de comer faz mal e/ou pode matar.

Ainda há pouco tempo, ao almoço, ouvi uns tipos nos seus 60/70s a conversar sobre o assunto e dizia a senhora: “eu quando era nova, almoçava e depois ia tomar banho!”. E respondia-lhe um dos amigos: “Nem sabe do que se safou!”.

Então… mas a senhora não é a prova provada do que se safou? Safou-se, por exemplo, de ficar toda porca e a cheirar a suor, bem como ficar com fome.

Tomar banho depois de comer não faz mal nenhum. E isto inlcui banhos de mar, portanto deixem-se de palermices de esperar 3 horas depois de almoço antes de irem ao banho, tanga esta que me parece inventada pelas pessoas para não terem que se preocupar em vigiar os filhos quando vão ao mar… sempre são 3 horas de descanso.

Juntar água a uma bebida alcoólica “corta” o teor alcoólico da bebida.

Não há grande volta a dar: se beberem um whisky, beberam um whisky. Não é pelo dito estar águado que é menos alcoólico do que quando saiu da garrafa. Aqui podem juntar a ideia de que um café curto é tem mais cafeína que um café normal. Não tem… tem menos água e portanto o sabor do café é mais acentuado, mas como menos água passa pelo café, menos cafeína passa para a chávena.

A asma é uma fraqueza espiritual.

Esta não conhecia, apesar de ser asmático. Como a asma só se manifestou já depois dos 25 anos, fiquei surpreendido ao aperceber-me que muita gente tinha esta ideia da asma, que é uma fraqueza de espírito (seja lá isso o que for); basicamente uma espécie de depressão curável por “pensamentos positivos” e coisas assim.

A asma é uma doença respiratória crónica com várias causas possíveis, mas fraqueza de espírito não é uma delas.

No entanto, quase de certeza absoluta que é necessária alguma fraqueza de espírito… para acreditar nestas tangas.

Edit: Para quem gosta deste tipo de coisas, aconselho este vídeo.

Possivelmente relacionado

Tags

. .

Comentários 102

Oito coisas foleiras portuguesas

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Os povos são foleiros, por definição. É mesmo isso que é ser povo: é partilhar com um grande número de pessoas várias foleirices definidoras. Mas as maiores foleiradas não são aquelas mesmo típicas, como o grande bigode com cheiro a vinho tinto, a camisa aberta com o pelum a sair e uma crucifixo de ouro perdido no matagal.

Essas são demasiado óbvias. As melhores foleiradas são aquelas cujos prevaricadores ignoram como tal. Como estas oito, com grau de foleirice cientificamente testado e aplicado numa escala de 0 a 10:

1 – Fita do senhor do Bonfim

É muito difícil levar a sério um gajo com uma carreira profissional estabelecida, um lugar estável numa grande empresa, uma posição de poder e responsabilidade sobre um grupo razoável de pessoas que anda com uma fitinha de tecido atada ao pulso, com um ar gasto e coçado.

Diz o folclore que se deve dar três nós na fitinha e pedir três desejos que serão satisfeitos quando o tecido se desgastar e a fitinha cair por si. Lérias, evidentemente. Nada demonstra mais tacanhez mental do que ser supersticioso e andar com uma fitinha destas só pode ser superstição, porque se é pelo valor estético, então a coisa piora dez vezes.

Grau de foleirice: 6 se o utilizador for mulher, 8 se for homem.

2 – Telemóvel à cintura

Ora aqui está um clássico intemporal! Quem nunca ouviu dizer: “Jovem, se és construtor civil e gostas de aventura, usa o telemóvel à cintura!”, o meu amigo Fernando diz isso a toda a hora e ele sabe do que fala porque passa o dia com construtores civis.

Mas se todos esperamos que os construtores civis sejam tipos foleiros (a pulseira de 12kg de ouro maciço a balouçar no pulso, dependurado da janela do Mercedes), o que dizer de homens de negócio, no seu melhor fato Hugo Boss, que, quando o seu Motorola Razr vibra, o sacam de uma pochette de cabedal que está pendurada no seu cinto de pele de crocodilo?

A pochette para o telemóvel é o coldre do yuppie e ninguém consegue usar uma e ter o mínimo de aspecto cool.

Grau de foleirice: 7 se for homem; 10 se for mulher (acho que nunca vi nenhuma, felizmente)

3 – Bolsinha de cintura ao pescoço

Há muito tempo que os homens se debatem com o problema de carregar os seus pertences. Problema que as mulheres resolveram há muito com toda a espécie de malas, malinhas, sacos e pochettes. Mas homem que é homem, tem uma verdadeira luta interna no que toca a recolher os seus itens essenciais num contentor adequado à sua masculinidade.

E foi assim que surgiram algumas das malas mais foleiras da história, a famosa paneleirota já não circula muito por aí, portanto fica ausente desta lista. Também conhecida como “malinha das pixas”, é uma malinha com uma tira de couro para andar pendurada no pulso.

Mas a grande substituta desta magnífica forma de transporte de objectos, é a pochette de cintura, a malinha-banana, a fanny-pack. Se uma bolsinha de cintura já é um pouco (muito?) foleirota, o que dizer de andar com uma pendurada ao pescoço?

O mais foleiro desta atitude é que vem de uma clara incapacidade de certos homens simplesmente comprarem ou uma mochila ou uma mala de tiracolo e pronto. Como acham ambas essas opções demasiado maricas, optam por uma bolsa mais pequena, com um ar geralmente mais desportivo e depois usam-na ao pescoço como se fosse um pequeno mamífero a quem acabaram de partir o pescoço.

É portanto, um símbolo másculo de carregar a caçada de volta para a toca. Absolutamente patético. E mais patético ainda é ver miúdas a fazer precisamente o mesmo.

Grau de foleirice: 7 tanto para homens como para mulheres.

4 – Auricular bluetooth completamente fora de contexto

Um auricular bluetooth é um item razoavelmente prático. Embora continue a ser perigoso conduzir e falar ao telefone, porque o que causa maior perigo é a distracção de ir a conversar e não necessariamente ir com um telefone na mão, a coisa é talvez melhor com um auricular. Não sei, é discutível.

O que não é discutível é que andar com um auricular bluetooth colocado na orelha durante todo o dia, em qualquer lugar é do mais foleiro que há. Este é um daqueles típicos actos do homem moderno, evoluído e techno-savy. Pelo menos na sua imaginação.

Esta é uma pessoa tão importante e ocupada, que tem que ir para o hipermercado com o auricular bluetooth colocado na orelha direita, não vá o Director Geral dos Assuntos Internacionais de Qualidade ligar-lhe sobre um tema da mais urgente importância.

É, evidentemente, o acto de um pelintra desesperado por atenção e carregadinho de auto-importância. A coisa é tanto piorada quanto menos se vê tipos destes efectivamente a falar ao seu auricular. Limitam-se a arrastar os putos pela secção de jogos de consolas da Fnac com a sua estúpida luzinha azul a piscar desesperada, qual truta a espadanar no fundo de um balde.

Grau de foleirice: 8 para homens, 10 para mulheres (mais uma vez, não me lembro de ter visto nenhuma nesta figura).

5 – Tatuagens fatelas

As tatuagens eram coisas de gajos beras: marinheiros de má onda, prisioneiros de longa data, motoqueiros com hálito a cadáver.

Aos poucos, as tatuagens passaram para o mainstream e qualquer pita ranhosa de 14 anos já tem um ass-target tatuado no fundo das costas. Depois admiram-se…

As tatuagens costumavam ter significado: um gajo, por muito bera que fosse, não se tatuava com uma bowie a atravessar um coração e uma caveira, tudo enrolado por uma serpente, se isso não significasse que tinha morto a própria mãe, por amor de uma mulher, que mais tarde o enganou tornando-o um alcoólico amargurado.

Hoje em dia, umas têm significado e as outras são meramente decorativas e, na generalidade, completamente idiotas, já para não dizer mal desenhadas. Há poucas coisas mais foleiras do que o gajo de vinte e poucos anos que anda a encher no ginásio e vai a meio de uma “tribal” (embora ele, no fundo, não faça sequer ideia do que é uma tribo, quanto mais quais as tradições das várias populações que ainda vivem neste tipo de sociedade), grotescamente desproporcionada e bastante tosca, como se desenhada por um anão zarolho com parkinson.

Gostava de ver esse jovem daqui a dez anos a tentar arranjar emprego.

A rainha das tatuagens fatelas são as letras chinesas que dizem “adoro ser vergastado na cara por pilas do tamanho de Range Rovers”, mas que o dono está convencido que diz “paz, amor, harmonia e feng shui”. Moças com ass-targets estão na mesma categoria. Se gostam de apanhar no rabo (não há nada de errado com isso, desde que todos sejamos adultos e coniventes no acto), então por favor tatuem: “gosto de sodomia”; não é preciso estar com rodeios.

Se têm alguma coisa de marcante a dizer, por favor pensem bem no assunto e tatuem-se de acordo. Se gostam de se enfeitar, nada de errado: escolham um motivo que vos agrade e disponham-no na vossa pele. Agora, por favor, se não têm a quarta classe, limitem-se a kalkitos do bollycao.

Grau de foleirice: 6 a 8 para homens, conforme o nível de horripilância do desenho; 9 se forem letras chinesas que nem sequer compreendem; 8 para mulheres com ass-targets e/ou qualquer coisa com Golfinhos.

6 – Camisas coloridas com colarinhos brancos; também: cor de rosa integrado num fato

Eu não sei o que passa pela cabeça destes homens que vestem fato com uma camisa cujos punhos e colarinhos são brancos, ao contrário do resto da camisa que é azul, verde ou… pior ainda: cor de rosa.

Não sei quem teve a ideia de fabricar camisas assim, nem qual o objectivo, mas por muito que pense no assunto, não vejo qualquer razão lógica para desenhar uma peça de vestuário tão absolutamente foleira.

Seja qual for a tua cara, se vestires uma camisa azul com colarinhos e punhos brancos, ficas imediatamente com cara de cú à paisana. É imediato e irreversível.

E a foleirada é mesmo adequada ao espírito deste artigo, porque quanto mais macho man do mundo dos negócios, mais vemos destas camisas. Quanto mais alto o nível de vida, mais cara e feia a camisa. Esta não é uma foleirice de taxista ou camionista: essas são honestas! Esta é tão mais foleira quanto a arrogância e bullshitismo abundam no utilizador (vide mister P. Portas).

Dentro desta categoria está o uso do cor de rosa num fato de homem. Se o fato for todo cor de rosa, se o homem se chamar George Michael e se estiver na altura a ganhar milhares de dólares a actuar ao vivo, tudo ok (desde que a camisa seja preta e a gravata também rosa), mas se o fato é um Brooks Brothers sóbrio e clássico, o cor de rosa não faz lá falta nenhuma: nem um fato cinzento com gravata rosa, nem um fato preto com camisa rosa, nem um fato de tweed com camisa rosa de punhos brancos e gravata vermelha.

Se usam fato, aguentem-se à bronca e deixem-se de passarinhisses: é foleiro.

Grau de foleirice: Esta é só para os meninos: 8.

7 – Pulseirinhas de borracha de apoio a causas nobres

Esta está quase ao nível da fitinha do Bonfim, mas é pior. Sabem o que dizem estas pulseirinhas sobre quem as usa?

“Eu apoio o chinês que fabrica estas pulseirinhas”.

Se apoiam alguma causa, tudo muito bem: dêem-lhes dinheiro ou géneros; não comprem, por favor, uma pulseirinha de plástico. Isto é tão ou mais foleiro que as fitinhas que se usavam há uns anos atrás, ao peito, em que chegava a ser mais significativo andar de fitinha vermelha do que, efectivamente, usar preservativo.

Porque é que acham que o mundo precisa de saber se são contra o cancro da mama (haverá alguém a favor do cancro de seja o que for?). Não me parece que uma pulseira de plástico vá motivar os outros a dedicarem-se a uma qualquer causa. Querem ajudar? Dêem-se como voluntários.

Grau de foleirice: para quem efectivamente apoia a causa: 7; para quem nem sequer sabe o que fazer para ajudar: 10.

8 – Gordos de roupa apertada, magricelas de roupas largas

Ser gordo é, em 90% dos casos, uma questão de escolha. Não me venham com as merdas das glândulas, porque acho que ainda não há nenhum Häagen Dazs glandular.

Cada um é como quer e como se sente bem. Se não se sentem bem gordos párem de comer!

Agora que isto ficou esclarecido, só uma nota: há poucas coisas mais foleiras que uma gorducha anafada de calças à pirata e saltos-altos, com as banhas a pender pela cintura descaída e o ass-target (ver acima), a ondular com cada passo.

Amem o vosso corpo, mas por favor, vistam qualquer coisa do vosso número! Ou bem que se aceitam tal como são, ou bem que estão a dar uma grande tanga a toda a gente quando dizem isso.

E o que dizer dessa maravilha que é o gajo que pesa 42 kg. e anda com umas calças 3 números acima, pelo meio das nádegas? Por favor, alguém compre umas calcinhas a estes rapazes! O que vos leva a crer que alguém está interessado em ver as nódoas suspeitas das vossas cuecas?

Não sei o que é pior: cú gordo a transbordar de calças feitas para adolescentes magrinhas ou peida de gajo completamente de fora de uns jeans obtusamente descaídos.

É que nada disto é fashion. É, simplesmente, foleiro!

Grau de foleirice: para andar com o cú de fora, é bom que sejam Vida Guerra, tirando ela, 10 para todos.

E pronto, eram para ser dez coisas, mas não tenho tempo. Espero ter contribuido positivamente para a evolução da nossa sociedade como, aliás, já é meu hábito

Boas Festas.

Possivelmente relacionado

Tags

. . . . . . . . . . . . . . . . .

Comentários 40

Bom Povo

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Não há nada como algumas expressões do nosso povo. Ou melhor, Povo! Porque o Povo merece maiúscula.

Toda a gente tem uma bisavó, uma madrinha nonagenária ou uma tia solteirona a quem já ouviu coisas como “Anda por aí muita malandragem”, “Isso é o que eles querem que a gente pense!” ou “Sou uma pessoa muito doente”.

E para homenagear este fantástico manancial (ou melancial, como ela diz), a Anita e sua amiguita fizeram uma fantástica loja na Spreadshirt, chamada Bom Povo.

Lá, poderão encontrar modelos masculinos e femininos de t-shirts com estes fantásticos dizeres do Povo. Depois não venham cá dizer que não vos avisei! Bem sabem que sofro dos nervos…

Possivelmente relacionado

Tags

. . .

Comentários 4

Temas

Categorias