Eu estava sentado numa cadeira a jogar Gran Turismo 4 com o meu volante Logitech e numa curva particularmente difícil, o Impreza começou-me a fugir e o force feedback foi tal que até a cadeira me começou a fugir debaixo do rabo!
Wait… what?
Pausei o jogo, tirei os phones e percebi que os gatos estavam em pânico e que, bom, estava a sentir um abalo de terra. Fiquei depois eu em pânico com o som de água a escorrer pela parede.
Ai o esgoto!
Mas não… era a estante onde a Dee tem as pedras dela, todas dentro de caixinhas a abanar, parecia mesmo água a escorrer. Tive que ir segurar a dita estante, que tem rodas e estava a querer passear.
Depois foi a vez do Tiago: “que foi aquilo, papá?!”, lá fui acalmá-lo e voltou a adormecer. Entretanto o Twitter está em chamas, já toda a gente sabe onde foi o sismo, qual foi a magnitude e onde se fez sentir enquanto todas as TVs, rádios e jornais continuam calmamente a falar de outras coisas.
Depois admirar-se-ão, quando um dia houver um motim, terramoto, tsunami e/ou invasão extra-terrestre e já ninguém ligar a TV para saber o que se passa.
O Gus mandou-me hoje um link de um daqueles blogs que foi directo para a minha lista de leitura, mesmo sem precisar de o ler a fundo. Só a ideia bastou.
Aqui há uns tempos pus-me a escrever posts para dizer bem de Portugal e escrevi umas coisas, mas nada de profundo. Felizmente, existe o Miguel Carvalho, do Fado Positivo, capaz de cavar mais fundo e mostrar razões pelas quais realmente vale a pena viver no nosso país.
Ao deitar uma vista de olhos rápida pelo blog, a primeira coisa que me ocorreu foi: mas porque é que eu não vi isto nas manchetes? Porque andam os jornais a publicar a trampa que imprimem nas primeiras páginas em vez disto?
Fiquei a saber que o nosso desemprego é metade do Espanhol e contraria a tendência da UE (aposto que Jerónimo de Sousa culpa o Governo), que Lisboa é a capital mais segura da Europa (aposto que Paulo Portas culpa o Governo), que as vendas e remunerações no retalho estão a subir, que o preço de um crédito a habitação nunca esteve tão baixo, etc., etc.
Onde andam estas notícias? Onde param estas manchetes?
Suponho que “Sócrates responsável por diminuição do desemprego”, “PS acusado de melhorar poder de compra” ou “Governo alegadamente promove indústria Portuguesa aumentando o seu volume de encomendas” não sejam títulos interessantes.
Toca toda a gente a subscrever o blog Fado Positivo e a cultivar algum optimismo. Para múmias pessimistas, já basta o PSD.
Esta coisa de saltar nos temas do momento não é muito a minha onda, mas há uns que não posso deixar passar.
A Playboy é uma publicação que me diz muito, o que se prende sobretudo com o facto de gostar de gajas nuas. Embora me confesse mais fã da Penthouse, a Playboy é, sem dúvida, uma referência no mercado.
Recordo os raids que fazia aos quiosques de Lisboa… passava para trás e para a frente várias vezes para estudar as capas, fazer a minha escolha sem dar muito nas vistas. Depois, com a revista escolhida e a sua posição no escaparate cuidadosamente decorada, é só chegar, já com o dinheiro na mão (escudos, claro) e apontar para o local exacto.
Feito.
Ora, isto mostra bem a importância da capa numa publicação deste género. E já todos percebemos (basta ler dois ou três blogs), que a primeira capa de sempre da Playboy portuguesa é aquilo a que, nos dias que correm, se chama um epic fail.
Sobre isto, ia escrever mais uns parágrafos, mas honestamente, não vale a pena. Remeto para o post do Marco Santos sobre o mesmo assunto, já que subscrevo a 100% a sua opinião.
E eu estava a pensar comprar esta edição histórica e um dia, orgulhosamente, mostrá-la ao Tiago, como face da pilhazinha que tenho ali guardada para ele e dizer… “estas agora são tuas, Tiago! Repara: a que está por cima é o primeiro número de sempre da edição portuguesa!”
Mas assim, acho que vou meter a edição americana com a Shannon Doherty na capa.
Hoje vinha a caminho de casa e o iPod deu-me a ouvir o “FMI”, do José Mário Branco… uma daquelas músicas (classificar-se-à puramente como música?), a que não consigo ficar indiferente de forma alguma.
Aliás, já uma vez me ia desfazendo em lágrimas no metro a ouvir a coisa e não, não foi na parte final em que o JMB grita pela mãe em desespero, foi mesmo só de ouvir aquele texto, escrito “de um só jorro”, numa noite de Fevereiro de ‘79 e que me soou tão actual algures no século XXI, olhando à volta, na carruagem para os paspalhos que por ali se arrastam sempre com cara de quem queria estar noutro lado qualquer.
O “FMI” faz, portanto, este mês, 30 anos que foi escrito, nessa tal noite de Fevereiro (soa mesmo poético isto dito assim). E depois de ter passado a tarde a trabalhar, não ouvindo música, mas ouvindo o debate quinzenal na nossa magnífica AR, concluo que em 30 anos Portugal avançou muito em muitas áreas, de uma forma que só a abertura ao mundo pode permitir; mas porra, ao mesmo tempo… ouvir os nossos políticos falar apetece dizer: “(…)parole, parole, parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas, azeite, mexilhão! Eu quero lá saber desse paleio, vou mas é ao futebol, pronto! Viva o Porto, viva o Benfica! Lourosa! Lourosa! Marraças! Marraças! Fora o árbitro, gatuno, manda tudo pró caralho!”.
Depois de ler mais um post do Marco sobre as preocupações da SIC sobre o controlo parental instalado no computador Magalhães, de facto a minha tampa saltou de vez.
Quero daqui mandar oficialmente à merda todos os media portugueses que se têm entretido a deitar abaixo este projecto. O Magalhães é Portugal no seu melhor. A tomar a dianteira, a arriscar, a investir.
É um investimento nos miúdos e também na tecnologia e na indústria que a suporta. É um investimento em empresas nacionais e uma aposta na capacidade de internacionalização.
Quando a merda da Selecção joga, as putas dos jornalistas (sim, “as dos”, mesmo assim), erguem todos a bandeira e põem a mão no peito: os salários ridículos que aqueles grunhos dos jogadores e treinadores ganham justificam-se porque levam a bandeira a todo o lado.
Mas quando Portugal produz um computador simples, compacto, completo, mas barato, para estudantes, com um enorme potencial de exportação, ninguém pensa sequer na bandeira. Só pensam em mandar abaixo, criticar, procurar todas as pequenas falhas e explora-las para obter primeiras páginas e aberturas de telejornais.
Estou farto deste lixo!
Como comentei no post do Marco, se o controlo parental do Magalhães viesse activo, o Governo seria acusado de fascismo por distribuir um computador com censura pré-instalada pelo Estado; como vem desligado, o Governo é acusado de leviandade e de pôr em risco a sensibilidade das crianças.
Agora que o Magalhães está aí, já não apenas para o chamado 1º ciclo, mas também para o 2º, espero que seja um estrondoso sucesso.
De certo, muitos miúdos farão porcaria com o seu computador; sempre foi assim: quando andei na escola, muitos miúdos usavam mais os livros para jogar à bola do que para estudar. Mas muitos outros terão a oportunidade de entrar para escola com um computador nas mãos e só quem vive dentro do seu próprio cú, é que ainda não percebeu que esta é a era em que vivemos, a era do computador, do software, das redes.
Há alturas em que criticar o Governo faz sentido. Devemos fazê-lo, devemos ser críticos de quem nos governa. Mas custa muito aos portugueses, aparentemente, ou pelo menos aos media, admitir quando o Governo faz algo bem feito e merecedor de aplauso.
Estúpidos, tacanhos, bestas inqualificáveis.
Aplaudo o Magalhães. A ideia, as pessoas que a tiveram e que a concretizaram. As pessoas que investiram e que fizeram andar o projecto que, acredito, deve ter sido complexo. Aplaudo, evidentemente, a JP Sá Couto, criadores do computador. O design, o nome e até o logotipo. E aplaudo José Sócrates e o seu Governo que souberam fazer a sua parte em tornar este projecto uma realidade.
PS: Já há muito que não o fazia, mas este post, creio, encaixa perfeitamente na minha categoria “só para dizer bem de Portugal”.