Macacos sem galho

Por alguma razão lhe chamam o quarto poder

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Sejamos claros.

Em Portugal (e provavelmente noutros países), os media pertencem a grandes grupos económicos que usam jornais para tornar o mercado mais permeável e favorável aos seus produtos.

Aí uns 75% do que vem nos jornais é publicidade e marketing. São reportagens e entrevistas escritas por empresas para fazer passar mensagens para a opinião pública, sob a forma de trabalhos de jornalismo.

Querem um exemplo? O último filme de James Cameron, Avatar, não sai dos jornais desde que foi lançado. Quase todos os dias há uma “notícia” directa ou indirectamente sobre o filme e lá vemos os azuis personagens do mesmo estampados numa primeira página.

Seja porque um grupo de neurologistas alertou para os riscos da tecnologia usada para projectar o filme, seja porque a grande concorrente de Cameron nos Oscars este ano é a sua ex-mulher – tem havido sempre desculpa para promover despudoradamente o Avatar e a malta fica com aquela ideia na cabeça, lá atrás a moer: “epá, tenho que ir ver isto…”

E este é um exemplo razoavelmente suave, a única coisa que faz é ajudar as editoras, distribuidoras e produtoras a ganhar dinheiro (e o Cameron, certamente, mas isto já pouco tem a ver com ele).

Muitos jornalistas, não duvido, vivem neste mundo com alguma infelicidade – são jornalistas sérios e profissionais que gostariam de ver a sua profissão dignificada, mas que nada podem fazer em relação ao assunto.

O Governo está a tentar controlar os media? O PS está a tentar criar um grupo editorial que lhe seja favorável? Não sei – continuo sem saber.

Mas sei porque é que os “jornais”, estão tão chateados: é que os media já são controlados por quem tem interesse em controlá-los e não lhe calhava nada bem que agora viesse outro grupo de malta roubar negócio.

Repito: sejamos claros.

Vocês não se deixem enganar! Isto não tem nada a ver com crises políticas e muito menos ainda com censura. Isto não tem NADA a ver com censura. Isto tem a ver com lutas económicas de senhores que têm muitos dedos em muitas tartes com outros senhores que estão agora a ver se lhes calha uma fatia também.

De onde acham que vêm novos jornais? Da imensa vontade de um grupo de jornalistas de investigar e reportar a verdade dos factos? Se acreditam nisto então tenho novidades para vocês: o pai natal não existe e o coelho da páscoa não põe ovos.

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A vantagem dos media online

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

A grande vantagem de ler notícias online em vez de jornais é que a internet não larga tinta.

Agradecem-me depois.

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Viva o Magalhães!

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Depois de ler mais um post do Marco sobre as preocupações da SIC sobre o controlo parental instalado no computador Magalhães, de facto a minha tampa saltou de vez.

Quero daqui mandar oficialmente à merda todos os media portugueses que se têm entretido a deitar abaixo este projecto. O Magalhães é Portugal no seu melhor. A tomar a dianteira, a arriscar, a investir.

É um investimento nos miúdos e também na tecnologia e na indústria que a suporta. É um investimento em empresas nacionais e uma aposta na capacidade de internacionalização.

Quando a merda da Selecção joga, as putas dos jornalistas (sim, “as dos”, mesmo assim), erguem todos a bandeira e põem a mão no peito: os salários ridículos que aqueles grunhos dos jogadores e treinadores ganham justificam-se porque levam a bandeira a todo o lado.

Mas quando Portugal produz um computador simples, compacto, completo, mas barato, para estudantes, com um enorme potencial de exportação, ninguém pensa sequer na bandeira. Só pensam em mandar abaixo, criticar, procurar todas as pequenas falhas e explora-las para obter primeiras páginas e aberturas de telejornais.

Estou farto deste lixo!

Como comentei no post do Marco, se o controlo parental do Magalhães viesse activo, o Governo seria acusado de fascismo por distribuir um computador com censura pré-instalada pelo Estado; como vem desligado, o Governo é acusado de leviandade e de pôr em risco a sensibilidade das crianças.

Agora que o Magalhães está aí, já não apenas para o chamado 1º ciclo, mas também para o 2º, espero que seja um estrondoso sucesso.

De certo, muitos miúdos farão porcaria com o seu computador; sempre foi assim: quando andei na escola, muitos miúdos usavam mais os livros para jogar à bola do que para estudar. Mas muitos outros terão a oportunidade de entrar para escola com um computador nas mãos e só quem vive dentro do seu próprio cú, é que ainda não percebeu que esta é a era em que vivemos, a era do computador, do software, das redes.

Há alturas em que criticar o Governo faz sentido. Devemos fazê-lo, devemos ser críticos de quem nos governa. Mas custa muito aos portugueses, aparentemente, ou pelo menos aos media, admitir quando o Governo faz algo bem feito e merecedor de aplauso.

Estúpidos, tacanhos, bestas inqualificáveis.

Aplaudo o Magalhães. A ideia, as pessoas que a tiveram e que a concretizaram. As pessoas que investiram e que fizeram andar o projecto que, acredito, deve ter sido complexo. Aplaudo, evidentemente, a JP Sá Couto, criadores do computador. O design, o nome e até o logotipo. E aplaudo José Sócrates e o seu Governo que souberam fazer a sua parte em tornar este projecto uma realidade.

PS: Já há muito que não o fazia, mas este post, creio, encaixa perfeitamente na minha categoria “só para dizer bem de Portugal”.

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Cavaco não sabe falar, a Lusa não sabe escrever

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Ao que parece, o Presidente (vénia) está preocupado e resolveu falar ao país. Ignorava o facto, mas como hoje em dia é quase impossível fugir a estas coisas, acabei por ser informado, a meio da tarde, da tal comunicação à Nação.

Ao que parece era sobre qualquer coisa a ver com o Açores, que aposto que ninguém quer saber. Não acho bem nem mal, é mesmo assim.

A única coisa que me aborreceu em tudo isto foi quando li uma notícia sobre o assunto, por sinal, da Agência Lusa que versa:

“Eu já disse o que tinha a dizer. Mas, se não considera-se que se estava perante um precedente muito grave para o equilíbrio de poderes dos órgãos de soberania, eu não teria falado”

Evidentemente, o que o Presidente (vénia, plié) quis dizer era “se não considerasse“. Mas hoje em dia, o português vai pela janela fora e já nem os media têm cuidado com o que escrevem, quanto mais com como o escrevem. Quem sabe, pode ser que um dia seja feito um acordo ortográfico para que “-se” e “sse” sejam intermutáveis à vontade de quem escreve e mesmo “ce” ou o fantástico e imaginário “çe” que tanta gente usa.

Enfim, há que fazer uma vénia (vénia, vénia, port de bras): o Presidente (ok, chega), diz “pugrama” e “pugresso”, o que esperavam do povo?

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