Há uns dias atrás, o Rui Costa perguntou-me, via Twitter, se estaria disposto a responder a umas perguntas sobre o décimo aniversário do Macacos. Confesso que, se ele não me tivesse alertado para o facto, era capaz de me ter esquecido do aniversário do blog, portanto devo-lhe um duplo agradecimento.
O Rui enviou-me um punhado de boas perguntas que me deram prazer responder e que poderão ler, obviamente, na fonte.
Faz, neste preciso momento – graças à publicação automática – dez anos que o Macacos Sem Galho está online.
Desde da madrugada de 30 de Março de 1999, sempre sem interrupções, sempre comigo como autor; inicialmente em inglês, mas maioritariamente em português.
Este blog tem sido muitas coisas: pessoal, impessoal, divertido, sério, idiota, profundo (nah!), provocador, aborrecido, infantil, triste (às vezes), geek e várias outras coisas. É um blog de tudo e de nada, porque eu também sou assim.
O Macacos é um blog de esquerda que vira à direita, é um blog artístico que não sabe pintar, é um baby-blog que não sabe mudar fraldas, é um blog geek que não sabe distinguir kde de gnome, é um blog cultural que nunca leu Camões e é um foto-blog… sem rolo na máquina. (Rolo na máquina?!)
O Macacos é Benfiquista, porque Benfiquista é a única coisa que vale a pena ser. O Macacos é ateu porque já foi ao fim do Universo e confirmou que Gajo não está lá. O Macacos é, ainda, o blog português mais antigo ainda em actividade ininterrupta.
Sei que já irritei muita gente, ao logo dos anos, mas se a aritmética não me falha, entretive ainda mais gente e isso é que é preciso. Melhor ainda: diverti-me eu, à brava, quase sempre que me sentei para aqui escrever.
E sei que, nos dias em que não me sentei para me divertir, o blog serviu como válvula de escape para aquelas coisa que às vezes nos moem tanto por dentro que temos a impressão que só descansamos quando as dissermos ao mundo inteiro.
Sim, eu sei, é um bocadinho convencido da minha parte achar que o mundo inteiro lê o Macacos, mas vocês percebem o que eu quero dizer.
Portanto sim, o Macacos sem galho já existe há dez anos. Sim, existe desde o século XX e sim, está cá há bastante mais tempo do que aqueles senhores que têm a mania que inventaram isto dos blogs em Portugal.
O meu nome é Pedro Couto e Santos, vivo em Almada, vou a caminho do meu 36º aniversário e desde que me mantenha vivo, manterei os Macacos fora do galho. Amen e Alel… ah espera, não posso, que é pecado!
Fez, no mês passado, um ano que subscrevi o Google AdSense e coloquei publicidade no Macacos sem galho.
Neste último ano ainda não fui pago pelo Google. Isto porque ainda nem 100 dólares facturei. Cem dólares são, pouco mais ou menos, 64 euros. O que não é muito, tendo em conta que tenho que pagar alojamento, dns e domínio para manter o site no ar.
A verdade é que nunca prestei atenção ao AdSense. Nunca me dei ao trabalho de organizar as coisas como deve ser e sempre me aborreceu de morte pensar nesses assuntos. Como também não sou daqueles gajos que tem um blog rodeado de “yes men”, ávidos de me encher a caixa de comentários com encómios, não tenho um volume de tráfego tal que me permita compensar os poucos clicks por utilizador, com abundância de visitas.
Estando a pensar num redesign deste site, vejo-me confrontado com a dúvida: valerá a pena repensar o site com a publicidade, tendo mais atenção à sua colocação e relevância? Ou será que mais vale limpar o blog de anúncios e não me chatear mais com isso?
Não quero enriquecer à custa deste site (quer dizer, não me importava, mas não é esse o objectivo, nem tenho essa fantasia), mas seria bastante agradável se uns bannerzinhos ajudassem a pagar o alojamento.
Hoje vou ser cagão! Este é de facto o blog mais antigo de Portugal que ainda mantém actividade – e não é uma actividade ocasional: escrevo que me desunho. Umas vezes sobre mim e a minha família, outras sobre música, às vezes sobre tecnologia, internet, jogos, carros ou gajas boas.
Não me interessa e, para mim, é mesmo esse o espírito desse famigerado objecto que é o blog.
Passaram nove anos desde que escrevi o primeiro post e o coloquei, tudo à mão e em HTML feito no notepad, numa coisa chamada Fortunecity, que oferecia (e ainda oferece, penso eu…), hosting gratuito.
Na altura existiam mais alguns que escreviam e que eu lia. Muitos pararam completamente, outros pararam durante muito tempo para mais tarde retomar e alguns… ainda andam por aí no limbo, com um post de 2 em 2 anos. Dois deles são a Kat e o Paco.
Ainda em 99 a Dee e o Artur começaram também a escrever. Houve uma coisa chamada nacama.com, de que nunca ninguém fala, mas que eu me lembro de existir.
Muitas vezes recebi mails a chamar-me idiota por fazer isto. Cheguei a receber insultos inacreditáveis apenas porque tinha um site em que colocava alguns textos sobre isto e aquilo, com alguma frequência. Ou é porque os posts eram muito pessoais e “anda por aí muito maluco”, ou porque eram sobre o tema A ou B e a coisa não assentava bem.
Era uma época sem comentários, sem software de blogging, de tudo feito à mão. Depois comecei a usar o MovableType e, mais tarde, o WordPress.
Entretanto criei pontapés de outros blogs por aí. Alguns toda a gente sabe que existem, alguns só eu sei que lá escrevo e há mesmo um ou dois que nem eu sei que existem. Mas o Macacos sem galho sempre foi o principal e aquele em que continua a dar-me muito gozo escrever.
Seja a descarregar a minha fúria sobre os vizinhos barulhentos, a deprimir-me com a performance do Benfica, a babar-me com a evolução do meu filho ou a provocar esses porcos fascistas dos fumadores: continua a dar-me gozo escrever o Macacos.
E é por isso que, para irritação de muita gente, este blog vai continuar. E enquanto ele continuar, enquanto estiver activo, vivo e de boa saúde, nunca deixará de ser o mais antigo de todos, nunca cederá o seu lugar a qualquer outro que por aí ande desejoso de colocar os louros sobre a sua testa inchada e sebosa, nos seus cabelos ralos e gordurentos.
Dudes and dudettes, o Macacos pode não ser o mais visitado, nem o mais intelectual, não é o mais popular, nem o mais famoso. Eu sou só um gajo de classe média, com um buraco de 600 euros no orçamento todos os meses, um filho, uma mulher, um carro em terceira mão com 15 anos e 200 mil quilómetros. Cá estarei para comemorar o décimo aniversário deste blog!