O Tiago já se exprime perfeitamente e é raro não percebermos o que diz. Hoje, por exemplo, tive uma ligeira dificuldade, mas era apenas porque ele estava a tentar dizer marshmallow o que, diga-se, não é uma palavra fácil.
Mas como falar é para ele um skill recente, de vez em quando sente necessidade de fazer um dump do seu vocabulário central. Isto é, debita, de repente, todas as palavras que são centrais à sua linguagem: mamã, papá, gato, banho, Tiago, Mickey, Pocoyo e, claro… Benfica.
…porque é que não se diz às crianças pequenas que vão levar uma vacina, mas sim uma “pica”.
Sempre optei por tentar ensinar palavras como deve ser ao Tiago: carro em vez de popó, comida em vez de papa, ferida em vez de dói-dói (embora dói-dói tenha pegado), enfim, coisas…
E portanto sempre lhe disse que ia levar uma vacina ou uma injecção e não uma pica, até porque achava que se dizes logo que é uma pica já estás a descrever a sensação, é tipo dizer a um contribuinte que vai comer um sopapo no trombil em vez de “pagar o IRS”.
Na segunda-feira o Tiago foi levar a sua segunda dose da vacina anti gripe A e à noite, estava queixoso.
“Fez um dó-dói”
“Dói-te o braço, é filho?”
“Sim”
“O que é que fez doer o braço, filho?”
“…foi a vagina.”
Bom, não deixa de ser verdade que às vezes à conta de vagina um gajo passa muito tempo apoiado no mesmo braço…
Rabéte, s.m. Massa alimentícia de farinha de trigo desidratada e entregue ao uso culinário sob a forma de longos bastonetes maciços. Do italiano, Spaghetti.
De manhã, nestes dias escuros, mesmo com a janela aberta entra pouca luz no quarto. A mãe levanta-se, com ele atrás ensonado, e acende a luz da casa de banho.