Macacos sem galho

Porque votei no Sócrates e porque vou voltar a votar

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Sejamos claros: este país é uma choldra. Todos sempre soubemos que o país é uma choldra, mas aqui há uns anos atrás comecei a reparar que havia muita gente que fingia que os assuntos eram importantes e que o equilíbrio político era interessante e que as pessoas eram sérias e dedicadas.

Tal era este clima que houve ali uma altura em que achei que se calhar até era verdade, que se calhar Portugal não era um país de brincar, que era mesmo a sério, um país de adultos, de gente profissional e competente.

E foi por esta altura, estava eu quase convencido que afinal andava mal informado e teria muito que aprender sobre política e o governo da Nação, que Pedro Santana Lopes subiu ao poder.

Assim, sem mais nem menos. Estava eu num Cacilheiro, rumo a Almada. Mandei um SMS ao meu pai que me respondeu que estava convencido que eu gozava. Mas era, claro, verdade. Com Durão Barroso desejando de ser chefe de uma coisa Europeia que os Europeus não percebem, Santana tomou o seu lugar, assim, sem eleições.

É claro que ele podia fazê-lo, era o PSD quem tinha ganho as eleições e não Durão. Mas num país como Portugal, com a História recente que temos, a coisa caiu mal à malta. Convenhamos, somos todos uns paranóicos da ditadura – tirando um punhado de incapazes mentais que a desejam.

Somo-lo tanto que a subida ao poder do Santana nos pareceu Salazarenta e somo-lo de tal forma que é a única maneira que, actualmente, a oposição tem de atacar Sócrates – passar para a consciência Nacional a ideia de que o PM é facho.

A mim, a subida de Santana chocou-me, sim, mas porque me pareceu quase inconcebível ver aquela personagem a governar o nosso país.

Vou ser directo: não acredito numa única palavra que sai da boca de Santana Lopes e a única coisa que merece, da minha parte, um curto e respeitoso aplauso, foi a saída de cena durante a entrevista na TV, quando lhe cortaram o pio para mostrar o Mourinho a chegar ao aeroporto. Aí, esteve bem. De resto, por favor… não.

Não fazia ideia quem era Sócrates e nem acho que o tenha ouvido falar antes das eleições. É que eu voto nulo, por norma. Entretanto aprendi que os votos nulos são inúteis porque são tomados por votos de gente parva; passei a votar em branco.

Tenho as minhas razões que acho que até já expliquei e se não expliquei, fica para outro post.

Mas com Santana a concurso eu não podia deixar de cumprir o meu dever: votar em Sócrates.

Votei e ele ganhou e formou Governo e é nosso Primeiro Ministro. E não me arrependo, sinceramente. Digo mesmo mais: estou convencido que este foi o melhor Governo que o nosso país já teve, desde o 25 de Abril. Certamente melhor que os que precederam o 25 de Abril – só não sei sobre os primeiros Governos da República e portanto não me pronuncio.

Quando digo isto, geralmente recebo olhares chocados ou comentários insultuosos. Mas nunca ninguém me disse, afinal, qual foi o Governo que foi melhor que o actual.

É de lembrar que isto é uma bagunça. A corrupção abunda, a incompetência corre livre pelos verdes campos (da cor do limão), e o grande desporto Nacional continua a ser “dizer mal”.

Acreditem que se o Governo do PS tivesse promovido a investigação científica que desse lugar a uma vacina para o HIV, o português diria mal. Com estes standards é, então, muito complicado fazer seja o que for. E acho que nesse contexto, afinal, o nosso Governo não se safou mal.

As novas oportunidades? São uma tanga de favoritismos e aproveitamento financeiro. O Magalhães? É uma aldrabice que nem fabricado em Portugal e que serve apenas de propaganda. O caso Freeport? Sócrates é claramente culpado, apesar de nenhum tribunal o ter julgado como tal. O PM processa jornalistas por o darem como corrupto embora nada esteja provado? É um fascista.

A melhor foi a última que ouvi, de Manuela Ferreira Leite, sobre as escutas em Belém. Dizia ela que não interessa se o Governo anda a escutar o Presidente da República ou não, o que interessa é que o povo “sente” que o Governo é espião, existe esse sentimento, essa desconfiança.

Não admira, há quatro anos que pouco mais se fez, em termos de propaganda da oposição, que não estivesse de alguma maneira ligado à ideia do Zé como o novo Salazar.

E eu não sou fã do homem. Se bem se lembram, votei nele para evitar outro, ou seja, como mal menor e normalmente não voto no partido dele, nem no de ninguém.

Mas faz-me impressão ver as pessoas todas a papaguear aquilo que lhes é enfiado pela garganta abaixo sem qualquer espécie de prova. Lembram-se que, no início, Sócrates era gay?

Ainda se lembram disso? Depois essa conversa foi abandonada, não deve ter surtido o efeito desejado e portanto viraram-se para as suas tendências autoritárias.

Estava pronto para votar em branco novamente este ano. Sócrates derrotou Santana que era o que eu queria da última vez e este ano… enfim, parece-me que se Manuela Ferreira Leite forma Governo há-de fazer tanta merda que em ano e meio está na rua, basta ouvi-la (não) falar.

Pelo que votar em branco novamente, o meu protesto pessoal, parecia-me adequado.

Mas afinal não, afinal acho que não. Acho que vou mesmo votar no PS. E quanto mais má imprensa o Governo e o PM tiverem, mais vou desejar votar neles. Porque me custa ter a nítida impressão de que a imprensa está a tentar manipular as pessoas, que multiplica tudo o que o Governo faz mal por 100 e divide tudo o que este faz bem por 200.

E, apesar de tudo, já agora, graças a este Governo, posso ir a cafés e restaurantes sem fumadores, o que, para mim, é muito simpático; ouvi dizer que os fumadores têm sítios onde são mais do que bem vindos o que, suponho, é simpático para eles. Aliás, esta medida simplicíssima teve um impacto bastante significativo – tornei-me muito mais tolerante ao fumo, agora que recebo muito menos doses indesejadas do mesmo e em vez de ver fumadores com agressores vejo-os apenas como pessoas que gostam de fumar.

Sim, é pena que seja preciso uma lei para tal, mas se é… fico satisfeito que exista.

É isso, voto neles. Pela lei do tabaco que me afectou positivamente de forma directa, pelo Magalhães que ainda defendo, pelas novas oportunidades para as pessoas que as estão a aproveitar de forma honesta.  Ah e… já agora, por o nosso país não ter ido pela sanita abaixo, apesar da crise económica internacional e dos escândalos nos bancos.

Afinal, tirando votar em branco, qual é a minha alternativa? A MFL e os seus meninos engomadinhos cuja única motivação parece ser derrotar Sócrates e não governar o País? O CDS, liderado por um rapaz bem-falante que se preocupa com o povo e os idosos e reformados e vai para casa de Jaguar? O Bloco de Esquerda que quer que o Estado proíba despedimentos em empresas que tenham tido lucro (então e se forem incompetentes?). O PCP que ainda não percebeu que a União Soviética já não existe… e que se calhar há uma razão para isso?

Nah, não me lixem.

Mas atenção: não me esqueço que isto é uma choldra. Contexto pá, contexto é muito importante.

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Viva o Magalhães!

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Depois de ler mais um post do Marco sobre as preocupações da SIC sobre o controlo parental instalado no computador Magalhães, de facto a minha tampa saltou de vez.

Quero daqui mandar oficialmente à merda todos os media portugueses que se têm entretido a deitar abaixo este projecto. O Magalhães é Portugal no seu melhor. A tomar a dianteira, a arriscar, a investir.

É um investimento nos miúdos e também na tecnologia e na indústria que a suporta. É um investimento em empresas nacionais e uma aposta na capacidade de internacionalização.

Quando a merda da Selecção joga, as putas dos jornalistas (sim, “as dos”, mesmo assim), erguem todos a bandeira e põem a mão no peito: os salários ridículos que aqueles grunhos dos jogadores e treinadores ganham justificam-se porque levam a bandeira a todo o lado.

Mas quando Portugal produz um computador simples, compacto, completo, mas barato, para estudantes, com um enorme potencial de exportação, ninguém pensa sequer na bandeira. Só pensam em mandar abaixo, criticar, procurar todas as pequenas falhas e explora-las para obter primeiras páginas e aberturas de telejornais.

Estou farto deste lixo!

Como comentei no post do Marco, se o controlo parental do Magalhães viesse activo, o Governo seria acusado de fascismo por distribuir um computador com censura pré-instalada pelo Estado; como vem desligado, o Governo é acusado de leviandade e de pôr em risco a sensibilidade das crianças.

Agora que o Magalhães está aí, já não apenas para o chamado 1º ciclo, mas também para o 2º, espero que seja um estrondoso sucesso.

De certo, muitos miúdos farão porcaria com o seu computador; sempre foi assim: quando andei na escola, muitos miúdos usavam mais os livros para jogar à bola do que para estudar. Mas muitos outros terão a oportunidade de entrar para escola com um computador nas mãos e só quem vive dentro do seu próprio cú, é que ainda não percebeu que esta é a era em que vivemos, a era do computador, do software, das redes.

Há alturas em que criticar o Governo faz sentido. Devemos fazê-lo, devemos ser críticos de quem nos governa. Mas custa muito aos portugueses, aparentemente, ou pelo menos aos media, admitir quando o Governo faz algo bem feito e merecedor de aplauso.

Estúpidos, tacanhos, bestas inqualificáveis.

Aplaudo o Magalhães. A ideia, as pessoas que a tiveram e que a concretizaram. As pessoas que investiram e que fizeram andar o projecto que, acredito, deve ter sido complexo. Aplaudo, evidentemente, a JP Sá Couto, criadores do computador. O design, o nome e até o logotipo. E aplaudo José Sócrates e o seu Governo que souberam fazer a sua parte em tornar este projecto uma realidade.

PS: Já há muito que não o fazia, mas este post, creio, encaixa perfeitamente na minha categoria “só para dizer bem de Portugal”.

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