“Der Untergang”, é um filme de 2004, realizado por Oliver Hirschbiegel e em que Bruno Ganz interpreta de forma absolutamente fantástica o antigo ditador Nacional Socialista Alemão, Adolf Hitler.
Há muito que queria ver um filme assim: um filme sobre a Segunda Guerra Mundial em que os Alemães não fossem retratados como meros manequins de tiro-ao-alvo para as Garands Americanas.
O filme consegue mostrar o lado Nazi, sem ceder a paternalismos ou tentar apresentar desculpas ou defesas do que aquilo foi. O III Reich era abjecto; a Guerra, o genocídio, a completa ausência de compaixão pelo ser humano, incluindo pelo próprio povo Alemão pareciam ser uma preocupação secundária para um homem que vivia numa realidade alternativa dentro da sua cabeça.
O Hitler que é retratado em Der Untergang está velho, cansado e confuso. Contradiz-se, exalta-se, tanto parece saber o que faz como dá ordens impossíveis de cumprir pelos seus exércitos destroçados e/ou cercados por Soviéticos.
Até ao fim, defende que em breve, dois dos seus Generais entrarão em Berlim de surpresa, esmagando o inimigo. Muito provavelmente nunca chegou a aperceber-se que os cerca de 760 mil soldados Alemães que defendiam a capital lutavam contra uma força de 2, 5 milhões de russos, um milhão e meio dos quais terão entrado na cidade para a ofensiva final, na zona de defesa de Berlim, onde restavam 40 mil soldados alemães e mais uns tantos voluntários.
O filme é bastante aplaudido pela sua credibilidade Histórica e esse é sem dúvida um dos seus pontos mais fortes. Juntamente com um elenco irrepreensível, liderado por um actor que me fez acreditar tratar-se realmente de Hitler, a história daqueles últimos dias mostra um povo que também era humano, que tinha filhos, que estava assustado e em fuga, liderado por uma elite militar desumana que os culpava pelo seu próprio destino, como diz Goebbels a certa altura: ninguém forçou os alemães, a culpa é deles… deram-nos um mandato, agora estão a pagar o preço.
Ainda assim, no meio de Generais e Coronéis das SS, havia quem tentasse minimizar as coisas, fazer algo mais razoável e, acima de tudo, ajudar os civis e os feridos.
Acima de tudo, Der Untergang é um filme que me fez pensar, como outros antes dele, no que foi a Segunda Guerra Mundial, o Império Nazi, o III Reich e a absurda confusão que foi a Europa na primeira metade do Século XX.
Como nota final, a referência ao famoso meme de internet: é deste filme que vem a cena em que Hitler, confrontado com o avanço dos Russos sobre Berlim se enfurece com os seus Generais sobre a sua incapacidade de rechaçar o inevitável avanço do Exército Vermelho. A cena foi já legendada com os mais diversos textos sobre coisas tão díspares como o iPad ou as escutas do apito dourado e existem umas 50 versões no YouTube.
“Cloudy with a chance of meatballs”, é um filme de animação da Sony Pictures cujo o trailer me tinha deixado curioso há uns meses atrás. Este fim de semana tive oportunidade de o ver e gostei tanto que fui acabar de o ver depois do Tiago ir dormir já que eu estava bastante mais interessado do que ele neste desenho animado.
Este filme é diferente da maioria dos filmes de animação dos últimos anos, sobretudo aqueles produzidos pela dupla Pixar/Disney. Gosto muito dos filmes da Pixar, mas cheira-me sempre que podiam ser um bocadinho mais interessantes sem o peso da pastelosa moralidade Disney em cima.
Este “Cloudy with a chance of meatballs”, começa logo por anunciar que é “a film by… a lot of people” dando logo um cheirinho alternativo à coisa e depois vai por ali fora, quase sem parar.
As cenas lamechas são mantidas a um mínimo indispensável e praticamente só no fim é que há um momento mais emocional. Até a cena do beijinho é diferente do habitual.
E há um macaco. O macaco, Steve – interpretado por Neil Patrick Harris – tem ao peito um tradutor de pensamentos de macacos que me pos a rir várias vezes. Aliás, o filme fez-me rir, que é mais do que a maioria destes filmes costuma fazer; normalmente obtêm um sorriso, mas pouco mais.
Não surpreendentemente, o Steve não pensa grande coisa, afinal de contas é um macaco obcecado com gummy bears…
Este filme entra para a minha lista de favoritos, com grande distinção. Gostei da música, os bonecos são fantasticamente desproporcionais, as cores são fantásticas, a história é invulgar e divertida e os personagens são estupendos, incluindo um cameraman Guatemalteco cheio de surpresas, um Mayor avarento interpretado por Bruce Campbell (that should be enough, shouldn’t it?), e um fantástico polícia ultra-zeloso com a voz e atitude desse icon da minha juventude: Mr.T.
Aconselho vivamente, sobretudo em HD, mas com um aviso: vão ficar com fome.
Aqui há uns tempos a Isa partilhou um link para uma fabulosa review do Phantom Menace. São setenta minutos (em sete partes), de crítica imparável àquele que é, provavelmente, o pior filme a jamais ter a chancela “Star Wars” (se bem que nunca cheguei a ver o Holiday Special, portanto posso estar enganado).
Embora contenha alguns exageros óbvios, à medida que fui ouvindo a review (e concordando com ela), foi-se formando na minha cabeça uma ideia que se tornou obsessão: eu tenho que re-escrever o Phantom Menace.
Como os meus últimos dias têm sido uma viagem pela terra da ansiedade e com o Tiago com crises brutais de tosse nocturna, não tenho dormido muito. Tenho aproveitado esse tempo para começar a repensar o filme, a história, os próprios personagens.
Hoje já me sentei a escrever e já saiu uma página inteira. E que gozo danado me deu!
Ainda não sei muito bem como vou tratar isto, se coloco no blog, se faço um sitezinho só para o efeito, mas assim que tiver algo mais sólido, faço tenções de o publicar.
Até hoje, Quentin Tarantino ainda não me desiludiu como realizador de cinema. E como não o conheço como pasteleiro, terei que continuar a cingir-me aos seus filmes. Gosto de todos, sem excepção e creio que o mesmo não posso dizer de mais nenhum realizador.
Está para breve o seu novo filme, inspirado numa velha glória do cinema de Segunda Grande Guerra. Chama-se “Inglourious Basterds”, assim mesmo, escrito com sotaque.