Macacos sem galho

Palavras de Tiago

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Embora fale cada vez mais fluentemente e fique sempre muito interessado em repetir quando lhe explicamos como se diz alguma palavra nova, o Tiago ainda escorrega nalguns vocábulos e embora seja divertidíssimo ouvi-lo tentar dizer chantilly, a minha palavra favorita do momento é “funcinoa”. A simples troca do n pelo o torna a palavra “funciona” em algo completamente novo e irresistível quando ele se queixa que algo “não funcinoa”.

Também de notar que desde há coisa de duas semanas para cá decidiu que papá e mamã já não se adequavam ao seu vocabulário, pelo que cá em casa fomos promovidos a “pai” e “mãe”.

Espero que a graduação final para “velhos”, ainda esteja longe.

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Tiálogos XXI: Olá pá!

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Filho, és Português.

Não to digo como uma má notícia, mas como uma constatação inegável.

No teu universo de 20 e picos palavras, pautam algumas frases a mais importante das quais é, sem sombra de dúvida, esse tão lusitano cumprimento: “Olá pá!”

E não é uma tentativa de dizeres “olá papá”, porque isso dizes tu muito bem quando necessário. Assim que evoluirás para um “Atão pá!” ou um “Isso vai, pá?”, o teu treino estará completo – como diria Darth Vader.

Estás agora com dois anos e pouco mais de um mês e acabámos de descobrir que dizes mais coisas do que nós pensávamos. Burros, os teus pais estavam convencidos que se não dissesses palavras em português, não contava.

Dizias, então: mamã, papá, sim, não, olá e uma mini-frase que certamente tu interpretarás como palavra: já tá.

E então a Pediatra lá explicou que a tua linguagem não tem necessariamente que ser universalmente entendida e se não haveria mais som nenhum que tu fizesses para identificar algum objecto. E há, de facto.. Ao fim e ao cabo, os putos dizem as coisas mais incríveis para se referir às coisas e muitas vezes só os pais e mais um ou outro familiar chegado os compreendem.

Pusemo-nos então a fazer a lista e chegámos a umas vinte e picos e até nos apercebemos que estavamos a deixar de fora algumas que soam bastante parecidas com palavras em português, como o caso de nananá para banana.

Temos então vários sons de animais como “uf uf” para cão, “cócócó”, para galinha, “brrrrrr”, para elefante.

Não dizes fome, mas tens um som para fome, não dizes água, mas tens um som para sede… enfim, criatividade não te falta e já percebemos que há mesmo algumas palavras com sílabas bem formadas que nós simplesmente não compreendemos, como é o caso de “fufu”, que já pensámos que podia ser “azul”, mas honestamente, temos dúvidas.

E tem sido assim, divertido, tentar compreender-te melhor.

E de resto?

Bom, neste momento és um oceano de mimo. Chega a ser perigoso porque muitas vezes, as tuas roçadelas amistosas acabam em cabeçadas que abrem o lábio ao teu pobre pai ou quase partem o nariz à coitada da tua mãe.

Sempre disposto a beijinhos e abraços, colo e brincadeira. É um show estar contigo e compensa amplamente as duas ou três birras que fazes durante o dia por coisas pequenas.

Continuas a gostar de música, de dançar, do Pocoyo e do Rato Mickey e, claro, és do Benfica… mas eu já escrevo um Tiálogo especial a explicar isso.

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Não!

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Não é grande coisa, este vídeo, mas pronto… fica o documento.

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Léxico Tiagal e outras evoluções

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Depois de dar prioridade a múltiplos outros desenvolvivmentos, deixando a linguagem verbal para trás, o Tiago começou, timidamente, a dizer as primeiras palavras.

A uma semana dos dois anos, o léxico Tiagal é mais ou menos este:

  • não (ná, ou ná-ná, geralmente abanando a cabeça)
  • mamã
  • papá (estas duas com dicção perfeita, a maioria das vezes)
  • já tá (ocasionalmente soa a “tá-tá”)
  • olá
  • sim (xi – esta é desde ontem, fresquinha).

Além destas, palavras que usa com frequência, há outras que vai dizendo ocasionalmente, como beijinho, banho ou bola.

Acima de tudo, o puto é um mimo. Apesar das birras monumentais que protagoniza de vez enquando, o que mais sobressai nele neste momento são as suas demonstrações de afecto.

Aqui há uns dias, quando o estavamos a deitar, depois de ouvir a história sentou-se, disse “mamã”, apontando para a mãe e depois deu-lhe um abraço e um beijo. E a seguir foi a minha vez.

Dá beijinhos e faz festas aos gatos, já parece compreender quando nos magoamos, sentimos mal ou cansados e tenta ser simpático, faz festinhas na cabeça e dá beijinhos. Ainda há pouco tempo foi dar o seu ursinho de dormir à mãe, porque ela estava encostada na cama a tentar descansar um pouco.

Até o Roomba tem direito a um olá e umas festinhas matinais, todos os dias :-)

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Tiálogos XX. Tialogando

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Temos esperado que fales, puto. Já sabemos a coisa dos ritmos diferentes e mesmo assim, quando escrevemos sobre o assunto, a tua a mãe e eu, lá recebemos os conselhos (sempre bem intencionados), do costume: cada um tem o seu ritmo, fala quando estiver pronto, vais ver que depois diz tudo.

Não temos grandes stresses sobre o assunto, o que nós temos é muita vontade de te ouvir falar! Não só porque é giro, mas também porque dá imenso jeito.

Agora a coisa começa a compor-se. Já dizes “mamã” e “papá”, esses dois pilares básicos da conversa de qualquer criança e também começaste a dizer “ná”, acompanhado de veemente abano de cabeça, significando, evidentemente, “não” essa peça-chave do arco ogival do discurso de qualquer puto de dois anos.

E o jeito que isso dá! Saber quando não queres qualquer coisa é-nos extremamente útil, nem imaginas. Espero que daqui até a “deixas-me levar o carro?” ainda passe tempo suficiente para todos podermos gozar a tua nova capacidade de comunicação sem conflitos complicados de resolver.

Embora em termos de palavras que nós compreendamos ainda só vamos nestas três e num ou outro “olá”, “água”, “xixi”, enfim, umas assim soltas, em termos da língua oficial da Tiagolândia, a coisa vai lançada. Raramente te calas e nós raramente compreendemos o que estás a dizer.

“Tá p’tá”, é uma das expressões favoritas, geralmente dita com diferentes entoações enquanto apontas para objectos desenhados nos teus livros favoritos. Desculpa lá não perceber a tua língua, se houver algum curso rápido em que me possa inscrever, avisa aí a malta… manda-me um tá p’tá, que a gente combina.

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