Após termos recebido pré-aprovação do nosso pedido de crédito imobiliário no BES, restava fazer a avaliação do imóvel para saber se o nosso pedido caia dentro dos 90% de tecto para empréstimos daquele banco e, caindo, que percentagem do valor de avaliação representava para assim se decidir que spread teríamos que pagar.
Tínhamos a noção de que, com os bancos a avaliar muito por baixo nos dias que correm e com a casa no estado em que está, a avaliação podia escorregar. Ainda assim, tínhamos esperança de que andasse à volta de 150 mil.
Os actuais proprietários queriam 140 mil por ela e nós oferecemos 125, com um pedido de crédito de 115, pelo que uma avaliação de 150 nos deixaria confortáveis.
E confortáveis ficámos, com uma avaliação de 152.500 euros. Com um pedido de crédito de apenas 75% do valor da avaliação, desaparecem eventuais entraves ao mesmo e torna-se mais possível aceder ao spread de 0,8%, embora uma avaliação de 160 mil ajudasse mais no aspecto do spread.
Enfim, depois veremos. Agora o próximo passo: assinar a papelada no banco para dar andamento ao processo de crédito e depois, esperamos que em breve – marcação da escritura.
Depois de a Dee ter sabido que o nosso processo de pedido de crédito estava atrasado por o BES estar a mudar de Director Regional chegou, no mesmo dia, a aprovação do nosso empréstimo.
Demorou então uma semana e meio dia a chegar a aprovação do crédito e com um spread melhor do que esperávamos, de 0,8 o que, nesta altura, é bastante aceitável.
Entretanto ficámos também a saber que a imobiliária já tem documentação da casa, incluindo a acta que confere uso exclusivo do sótão à “nossa” fracção. Por conselho de advogado, pedimos cópia da sentença de tribunal.
Também nos foi dito – e espero que seja verdade – que o proprietário tem estado ocupado a saldar dívidas diversas que dizem respeito ao apartamento. Here’s hoping.
Ainda acho incrível que as empresas não tenham aprendido o que singifica a flexibilidade de escolha online.
Exemplo prático: tenho a fantasia de que um dia vou comprar um carro novo. Ando apaixonado pelo novo Mitsubishi Lancer e portanto fui ao site do meu banco, BES, fazer uma simulação de leasing para ter uma ideia de quanto custaria por mês, ter este carro.
O BES acha boa ideia exigir-me dados de contacto, nomeadamente nome e número de telefone só para me fornecer uma simulação de leasing. E sem os dados, não me dá a simulação.
O que acha o BES? Que eu vou dar os meus dados, para ter um comercial qualquer a telefonar-me para me impingir o leasing, independentemente do que eu achar do resultado da simulação?
É claro que não é isso que eu faço. O que eu faço é o seguinte: fecho o site do BES e vou ao site do Barclays e descubro, rapidamente, que este banco me permite fazer uma simulação online para um leasing, sem me exigir dados pessoais.
Feito.
E mais: se algum dia tiver dinheiro para comprar o carro, que custa 17.860 euros, não vai ser certamente o BES que mo vai financiar.
Os bancos funcionam mesmo assim: eles já têm o nosso dinheiro; têm-no todo. É fácil cobrarem-nos seja o que for porque não têm que nos mandar contas, nem andar atrás de nós com facturas: chegam lá, dizem “este é meu” e ‘tá feito.
Hoje fui vítima disso mesmo, dessa omnipotência do banco sobre o meu dinheiro e de outra coisa: dos eternos termos de utilização.
É suposto que os leiamos, mas ninguém os lê. E eu não acho que isso seja um defeito das pessoas: não se pode esperar de ninguém que leia documentos extensíssimos em letra miúdinha e, mesmo que se esperasse tal coisa, não se pode definitivamente esperar que memorizem tais regras e condições.
Hoje estava no BES Net a ver como anda o nosso dinheiro, tendo em vista a entrada do Tiago para um infantário. Anda como anda Portugal há 500 anos: assim-assim. Mas adiante… enquanto conversávamos sobre as nossas opções, fui clicando mais ou menos ao acaso no menu do BES, entrei em cheques, consulta de cheques e apercebi-me que era possível consultar todos os cheques que já passei daquela conta desde 1999.
Cool!
Pensei eu, naïf. Cliquei e, espanto, deu erro. Muito bem, concluí que a coisa ainda não funcionava muito bem e passei à frente. Mal sabia eu que tinha acabado de pagar €1,5 por tal ousadia.
Paguei €1,5 por clicar num link que, ainda por cima, não fez o que era suposto. Consultando o preçário, lá está, escarrapachado: a consulta de cheques online custa €1,5 por cheque. Nem vou discutir o quão bizarro me parece cobrar 300 paus para olhar para um cheque, mas o simples facto de eu não ter recebido qualquer aviso de que estava prestes a incorrer numa despesa, diz-me imediatamente que estou a lidar com um banco: o dinheiro não é meu; o dinheiro é deles e, por acaso, eles deixam-me usar algum dele de vez em quando.
Não me interessa que esteja referido no preçário que existe aquele custo, eu não tenho que saber o preçário de cor, as coisas não podem funcionar assim. Eu tenho que ser informado de que vou ter que pagar por completar uma operação!
Sou cliente do BES desde os 18 anos, portanto está quase a fazer mais anos que sou cliente do que os que não fui. Mas a cada dia que passa, mais me parece que isso vai ter que mudar em breve.
Usufruindo da possibilidade de apresentar uma reclamação online, escrevi-lhes o seguinte texto, com alguma esperança de não receber uma chapa-7, “devia ter lido os termos de utilização”:
Caros Srs,
Foi-me cobrada hoje a visualização de um cheque, um valor de 1,5 euros. Embora tenha posteriormente lido no preçário sobre a existência deste valor, é um erro crasso e indesculpável não apresentarem um aviso aos vossos clientes quando estão prestes a incorrer numa despesa resultante da utilização do BES Net.
Não sabia da funcionalidade de consulta de cheques, que me despertou curiosidade e por isso cliquei. O Clique custou-me 1,5 euros. O que se segue? Agora fico na dúvida sobre todos os links do BES Net.
Não podem esperar que os vossos clientes conheçam de cor e salteado o preçário de serviços e quais são pagos e quais são gratuitos.
Certamente que, num balcão, qualquer um dos vossos colaboradores me informaria de despesas relativas a qualquer serviço que eu solicitasse.
Não bastando o acima descrito, informo que a visualização de cheques falhou, não me tendo sido possível sequer ver o cheque que tinha escolhido consultar.
Em suma, paguei 1,5 euros por absolutamente nada.
Espero, sinceramente, que revejam com urgência a usabilidade do BES Net pois de futuro hesitarei em recorrer-lhe, com receio de estar a pagar por clicar num link que nem funciona.