Macacos sem galho

Um bom vocabulário inclui o Benfica

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

O Tiago já se exprime perfeitamente e é raro não percebermos o que diz. Hoje, por exemplo, tive uma ligeira dificuldade, mas era apenas porque ele estava a tentar dizer marshmallow o que, diga-se, não é uma palavra fácil.

Mas como falar é para ele um skill recente, de vez em quando sente necessidade de fazer um dump do seu vocabulário central. Isto é, debita, de repente, todas as palavras que são centrais à sua linguagem: mamã, papá, gato, banho, Tiago, Mickey, Pocoyo e, claro… Benfica.

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O Benfica

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Que prazer que continua a ser ver o Benfica jogar. Hoje ganhou 3-1 ao Paços de Ferreira, quando o jogo estava 2-0, os comentadores da RTP achavam que estava em cima da mesa a hipótese do Paços marcar três golos e ganhar o jogo. Alguém sabe se os comentadores da RTP são todos lagartos ou se algum é de outro clube qualquer?

O Benfica anda a jogar tão bonito que quando há jogo, o País inteiro está agarrado à TV independentemente da sua cor clubística.

O Twitter entra em erupção – até sportinguistas dizem que, caramba, este Benfica vale a pena ver jogar, o DiMaria anda a fazer coisas do caneco, o Cardozo manda estoiros demolidores, o Saviola faz pensar que alguém no Real Madrid é muito burro.

E não havendo penalties, nem golos em fora de jogo, nem expulsões de adversários (os argumentos do costume dos adversários do Benfica), as bocas esfumam-se e no máximo ouve-se dizer: “ah, mas ainda falta o Braga!”.

O Braga este ano dá para tudo: sportinguistas sem esperança, portistas desiludidos e anti-benfiquistas no geral, todos se agarram ao Braga e dizem: que pena se o Braga não ganhar o campeonato!

Não. Estão errados.

Que pena é se o Braga ganhar. Seria mesmo uma pena muito grande, porque como já disse hoje, o Braga está a ter sorte – um bom ano; Enquanto que o Benfica está a jogar como o caraças. E seria uma pena, isso sim, o Benfica fazer o que fez este ano e não ganhar o campeonato.

Agora o Braga? Não gozem comigo, se o Sporting ou o Porto estivessem nos primeiros lugares vocês estavam-se todos a borrifar para o Braga!

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O Benfica explicado às crianças

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Quando o Benfica fez uma grande pré-época todos (mesmo os benfiquistas), diziam que sim, sim, é o costume, depois vem o campeonato e acaba-se tudo.

Quando o Benfica empatou com o Marítimo, era a confirmação disso mesmo.

Quando o Benfica ganhou ao Guimarães, foi sorte.

Quando o Benfica deu 8-1 ao Setúbal foi porque o Setúbal é fraco.

Quando o Benfica deu 4-0 ao Belenenses, foi porque… o Belenenses está fraco.

Quando o Benfica suou para ganhar 2-1 ao Leiria já era demonstração de que com equipas mais fortes o Benfica treme.

Quando o Benfica deu 5-0 ao Leixões foi… epá já não sei bem, acho que foi porque o Leixões também é fraco… acho que tinha sido a equipa-sensação no ano passado, mas ok.

Depois o 3-1 ao Paços (fracos, coitados) e 6-1 ao Nacional (fraquinhos, tadinhos).

Entretanto por aí o Benfica deu 5-0 ao Everton. Mas claro, foi porque o Everton estava desfalcado dos seus principais jogadores.

Finalmente, o Benfica lá perdeu com o Braga e uma montanha de coitados por esse país fora que não conseguem satisfazer-se com a performance dos seus clubes se esta não for acompanhada de falhanços do Benfica, até teve um orgasmo. Agora é que estava provado que o Benfica é só fogo de vista e que a crise estava aí, pela mão do Braga.

Esta gente vai para o café ver os jogos do Benfica para torcer pelo seu adversário. Que tristes.

Hoje, o Benfica foi a Liverpool dar mais dois secos ao Everton, desta vez já não desfalcado. Certamente virão dizer que foi porque o segundo golo foi em fora de jogo e que se assim não fosse o Everton ainda tinha dado a volta ao resultado.

Mas é assim, meus queridos: o Benfica este ano está a jogar como o caraças, muito (mas mesmo muito), superior ao que qualquer equipa portuguesa fez desde… bom, desde que o Benfica dominava o futebol em Portugal (coisa que, não sei se se lembram, durou para aí uns 80 anos). E não vale a pena saltarem já para a caixa de comentários para referir qualquer equipa ranhosa que ganhou isto ou aquilo não sei muito bem quando.

Isso não me interessa para nada. Porque, ao contrário de vocês que só pensam no Benfica, eu estou-me perfeitamente borrifando para os vossos clubes.

Ninguém joga como o Benfica há décadas. Ninguém marca como o Benfica há décadas. E não é só eficácia e frieza táctica como outros que por aí andaram, nem é só sorte como muitos por aí apregoam (ha ha – sorte? 3 golos é sorte, 4? 6? 8? Sorte? Cresçam.), é a beleza do jogo, meus amigos. É por isso que lhe chamam “The beautiful game” e isso é o que o Benfica nos anda a dar – tau, tau, tau, pim, pim, pim… vai buscar!

Perceberam, meninos, ou querem que o papá explique outra vez?

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Tenho andado calado, mas hoje não resisto

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Com três letrinhas apenas, se escreve a palavra…

SLB!

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Fui à Luz ver futebol e rebentou um concerto de apito

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Nos últimos dois anos tenho andado um bocado arredado de ver futebol. Em parte porque prefiro passar o tempo com o Tiago, em parte porque me recuso a pagar para ter SportTv.

Mas sei que o Benfica andava a jogar mal.

Este ano acompanhei a pré-época que já toda a gente sabe que foi excelente e gostei muito. Devo sublinhar no entanto que eu não acho que o Jorge Jesus seja o maior e não ando para aí numa de “agora é que é”. A única coisa que sei é que gostei de ver os jogos da pré-época; não foram uma seca, como de costume e tiveram até momentos que me fizeram lembrar porque gosto de futebol.

Foi muito por termos gostado de ver a equipa jogar que o Artur sugeriu que voltássemos à Luz este ano, como já não fazíamos há algum tempo. E fomos, oito de nós, depois de bifanas, caracóis e imperiais.

E divertimo-nos à brava, é verdade. Mas…

Bom, sejamos francos: o Benfica não jogou muito bem; certamente não tão bem como na pré-época. Mas coloquemos isso de parte, por um momento e sejamos absolutamente pragmáticos.

Mais de 54 mil pessoas pagaram o seu bilhete para estarem naquele estádio hoje a ver um jogo de futebol mas a sensação com que ficámos foi que não se chegou a ver cinco minutos de jogo corrido.

O rapazito do apito interrompeu o jogo dezenas atrás de dezenas de vezes. E isto não é de agora, sabemo-lo bem. Mesmo que não falemos de beneficiados ou de paranóias de corrupção e afins de uma coisa podemos falar com alguma certeza: estes árbitros dão completamente cabo dos jogos de futebol.

Não há jogada que não seja interrompida. Esta noite vi faltas assinaladas que só mesmo um árbitro português assinalaria e tudo por – aparentemente – um desejo de se agarrarem a uma certa autoridade que o portuga tanto gosta.

O “representante da autoridade”, como muitos polícias gostam de se intitular é uma figura amada da mentalidade Nacional; é o velho “quem manda aqui sou eu”, como cantava o J.M.Branco e quem manda é que… bom, manda.

Já conheci pessoas assim um pouco por todo o lado, em empresas nomeadamente. De vez em quando lá preciso atirar um “quem manda sou eu!”, ou, no caso do árbitro, nada como apitar constantemente, nada como marcar faltas de caca, nada como impedir os jogadores de por a bola em jogo “porque eu ainda não apitei”.

Pronto, tendo dito isto posso entrar em modo Benfiquista.

Meteu-me, como me mete há muitos anos, nojo o Marítimo. Bom, não é o Marítimo que me mete nojo há muitos anos, mas equipas como eles. Equipas que não jogam. O Marítimo mal passou do meio campo 3 ou 4 vezes. Teve 25% da posse de bola, apenas. E passaram 90 minutos a atirar-se para o chão (e o rapaz do apito, lá apitava).

Isto já não é novidade para ninguém e certamente que adeptos de outros clubes de topo da tabela sentem o mesmo: estes gajos vieram para empatar. E se no sofá um gajo percebe isto, no estádio é exasperante!

Durante hora e meia estivemos ali sentados a ver a defesa do Benfica a jogar a meio campo, a passar a bola para os lados, a tentar arranjar um espaço para jogar ou uma forma de desmarcar alguém porque pela frente tinham os onze jogadores do Marítimo sem qualquer intenção de disputar a bola, correr ou atacar.

O guarda redes, a cada oportunidade, demorava mais uns segundos a repor a bola. Qualquer jogador que podia, atirava-se para o chão. E muitos dos que se atiravam para o chão fingiam lesões gravíssimas que passavam assim que eram retirados de campo.

E não bastando tudo isto, o cabrão do guarda-redes do Marítimo defendeu quatro golos certos, um deles um penalty do Cardozo que mais valia ter ficado em casa hoje.

Em contrapartida, juntou-se a família para comer e beber e ver a bola e gritar impropérios indescritíveis (creio que enriqueci amplamente o vocabulário de uma criança de oito anos que estava sentada à minha frente), e, pelo menos uma vez, gritar golo do Benfica!

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