Recebi um comentário nos meus posts sobre os problemas com o metro em Almada que acho que merece ser promovido a post. Mantenho por razões mais do que óbvias o anonimato do autor, mas aqui fica o que nos tem a dizer um condutor da MTS:
Boas.
eu sou condutor do metro e achei interessante este teu site entao decide responder(como disse um grande pensador”o metro nao é meu nem do meu pai por isso”nao o devia defender e nem tenho essa intençao)o metro que avariou e foi rebocado nao descarrilou por ter sido empurrado com muita força como disseram porque nem é possivel quando se faz uma manobra destas sao accionados mecanismo que controlam a velocidade o que se passou é que o material nao tem tido manutençao avariam porque partem pantografos que ja deviam ter sido substituidoss ha muito que foi o caso deste mas o veiculo que o foi rebocar tambem nao estava condiçoes o problema aqui nao é dos condutores mas sim dde quem manda na empresa nao esta a cuidar da mesma mas esta sim numa de “deixa andar”se repararem ate ha veiculos como vidros do condutor partidos e nao os trocam o que apresenta um grande perigo para o condutor no entanto ja houve colegas que se recusaram a sair com aqueles veiculos e foram mandados para casa com um dia descontado no ordenado, mais ha mais de 2 meses que o sistema de radio e de informaçoes esta avariado logo nao ha informaçoes para as pessoas nem nos sabemos o que se passa o que é uma vergonha.
relativamente aos condutores avisarem as pessoas… nos por vezes fazemos mas chega uma altura que nao da porque para nos esta situaçao é uma vergonha ha atrasos, avarias todos os dias as pessoas reclamam com os condutores com razao!mas imaginem acordarem as 3:30 da manha começarem o serviço as 4:30 e so acabarem as 15:00 com serviços de 8 ou mais horas de trabalho dentro de cabines onde nao existe qq janela onde por vezes o ar condicionado nao funciona e onde ou faz muito frio ou muito calor sem comunicaçoes radio porque estao avariadas como disse ha mais de 2 meses a passarem nos carros a frente e pessoas constantemente se respeitar o metro e tentar evitar acidentes porque se formos obrigados a efectuar frenagem de emergencias os passageiros vao ao chao a andar sempre com atrasos a ouvir reclamaçoes ha ouvir bocas piadas a fazerem sinais obscenos (os jovens)a fumarem dentro do metro a beberem a saltar nos bancos a trancar as portas a puchar manipulos de emergencia e tudo isto e muito mais so para ganha 690 euros… meus amigos é muito complicado nao da mesmo vontade de falar com ninguem…
no entanto acho que todos aqueles que estiverem insatisfeitos escrevam no livro de reclamaçoes todos os dias nao custa nada nao vale a pena mandar mail para o mts….
cumprimentos
Depois de ter andado 3 km a pé para casa, há dois dias atrás, por uma falha no metro de Almada que pelos vistos durou horas, cheguei hoje ao Pragal e encontrei a estação a abarrotar.
Estranhei.
O próximo metro para Cacilhas estava marcado para daí a 10 minutos e quando a hora chegou… veio um para Corroios.
O mesmo se passou dez minutos depois, mas desta vez, a multidão já começava a enfurecer-se. “Já é a segunda vez esta semana!”, “Isto é inadmissível!”, “Andamos nós a comprar o passe!”. O costume.
Mas mais: as pessoas não se queixavam de não haver metro e isso foi o que achei mais interessante: queixavam-se do mesmo que eu, do mesmo que escrevei numa reclamação para a MTS que ainda não teve resposta – falta de informação.
No fundo, a empresa que gere o metro está a ser estúpida. Não há outra palavra. Não se apercebem que as pessoas estão mais do que dispostas a compreender e perdoar uma avaria, o que não estão para aturar é estarem a fazer figuras de urso, à espera numa estação no meio de nenhures, só porque não existe qualquer informação sobre o que se está a passar.
Ou seja, mais depressa perdem clientes por não dizerem: “A linha para Cacilhas encontra-se interrompida”, do que pelo facto da linha estar efectivamente interrompida.
A relação com os clientes é importante, sempre foi. Mas cada vez mais o é. As pessoas esperam-no; querem uma linha de apoio, querem informação nos painéis, querem, pelo menos, que o condutor do comboio de Corroios saiba o que se passa… e nem ele sabia!
Por isso, um conselho para a MTS: usem os painéis. Eles até funcionam! Na inauguração do metro e durante uns tempos, os painéis informavam de avarias e atrasos e agora… nada. Um seco “consulte o horário”.
Mais: os painéis não estão a mostrar a que horas vem o próximo comboio baseado em GPS ou rádio ou seja o que for, está simplesmente a debitar o horário previsto e isto está a levar pessoas a entrar em comboios errados.
Hoje custou-me €1,50 para voltar para casa de autocarro, mas voltei calmamente sentado e nem por isso desconfortável. Se o MTS não melhora o seu serviço rapidamente, vou ter que considerar mudar o meu meio de transporte de e para o Pragal.
Quando cheguei ao Pragal hoje estava montes de gente na paragem de metro. Já tinha lido um tweet do Tony dizendo que não havia metro, há bem mais de uma hora e embora me custasse a crer, passava das nove da noite e havia pessoas ali desde as oito.
Chegou um comboio, que parou mas não abriu as portas. O painel dizia Cacilhas, o comboio dizia Cacilhas. Esperámos.
Compreendo que os condutores não tenham que andar a dar informações, mas ao mesmo tempo faz-me alguma impressão que, havendo pessoas há mais de uma hora à espera, este não se dignasse a pelo menos abrir a janela e explicar a dois ou três passageiros o que se passava… o passa palavra trataria do resto.
Ao fim de um bocado de espera, as portas lá se abriram e a malta entrou. Claro que, depois da estação da Ramalha percebi rapidamente que afinal, o comboio que dizia Cacilhas, não ia para Cacilhas coisa nenhuma, ia para Corroios.
Saí no Centro Sul e ainda olhei para o painel… mas percebi que comboios para Cacilhas, nada feito. Pus-me a andar, com a ideia de apanhar algures um autocarro.
Não passou por mim, no caminho inteiro do Centro Sul a Cacilhas, um único autocarro. Se me perguntarem onde há paragens, não sei. As paragens de autocarro foram substituídas por simples postes que me passaram despercebidos. Mas seria indiferente, porque não vi passar nenhum… e eu vim pelo centro da cidade.
Ainda parei na estação Bento Gonçalves para perguntar a quem ali estava se tinham visto passar comboios. Claro que não. Mas a situação não deixou de ser curiosa: dirigi-me a uma senhora com uma miúda e percebi que ela era francesa. Pouco depois juntou-se-nos um tipo que também queria informações. Era espanhol.
É o início de uma boa anedota: um português, uma francesa e um espanhol encontram-se numa estação de metro em Almada às nove e meia da noite e…
E nada, claro. Lá fui eu.
Tudo isto para dizer o quê? Que o MTS, além de um nome estúpido, porque toda a gente lhe quer chamar MST, mas chama-se MTS, tem um sistema de informação de trampa. Pior: não tem nenhum sistema de informação nenhum.
Os painéis, nas estações, estão programados com o horário que pode ser lido nos posters afixados nas mesmas e vão paulatinamente passando ao horário seguinte, independentemente da passagem dos comboios.
Existe uma linha de texto nos painéis, dedicada a informações, mas tudo o que diz é “consulte o horário”. Não se vê, nas estações, um número de telefone de apoio ao cliente. Não se encontra, nas estações, indicações de onde apanhar transportes alternativos, em caso de avaria do MTS.
Portanto eu, que decidi “ir andando”, fiz 3 km a pé. E as pessoas que acharam boa ideia esperar pelo metro lá ficaram, nas estações, sem fazer a mínima ideia do que se passava.
Quando se monta um novo meio de transporte que as pessoas começam a adoptar, existe uma certa tendência para que fiquem dependentes dele. Mas isso não significa que as pessoas andem de metro porque gostam mesmo dos comboios. As pessoas andam de metro porque querem ir a algum lado, portanto, se não vão passar comboios, avisem-nos e, já agora, indiquem onde se pode apanhar um transporte alternativo. Ou será pedir demais?
É dia 5 de Outubro, celebra-se a implantação da República e é feriado Nacional. Chove.
A CDU decidiu que a melhor maneira de convencer os Almadenses a votar neles é fazer circular nas ruas da cidade um longo e lento comboio de automóveis decorados com bandeiras buzinando incessantemente.
Tenho grandes dúvidas sobre em quem votar nestas autárquicas: melhor, não faço a mais pequena ideia. No entanto as minhas duvidas já estão um bocadinho dissipadas: já sei que na CDU não voto.
Não é de admirar muito que façam este chavascal pela cidade como se esta lhes pertencesse… é que por aqui governam há 35 anos – de facto, Almada pertence aos comunistas (e um ou outro verde, suponho).
Aliás, basta passearmos pela cidade e olharmos para os nomes das coisas: é a rua de fulano e sicrano, seguido de um parêntesis que explica que foi membro do Partido Comunista. Os monumentos são aos trabalhadores, aos operários, aos perseguidos do fascismo. A Avenida que corre ali em baixo é a da Aliança Povo MFA.
E não digo que alguns dos membros do PC, assassinados no Tarrafal, não mereçam nomes de ruas e praças pela sua luta contra o anterior regime, é só que não deve haver um antigo membro do PCP que não tenha uma rua, avenida, praça ou beco no Concelho de Almada.
Almada pertence-lhes e nós – que não somos comunistas – por acaso vivemos cá.
Não espanta, portanto, que a CDU ande a fazer este basqueiro pelas ruas; buzinam como se já tivessem ganho. E provavelmente, ganharão. Esta Câmara é, aliás, pródiga em barulho – este ano, durante meses ensaiaram-se as marchas populares na Escola aqui perto, todas as noites os residentes desta zona levavam com a mesma música, repetida à exaustão; por diversas ocasiões foi o fogo de artifício às tantas da manhã. Não interessa se a festa acaba tarde, é preciso é rebentar os foguetes que se comprou… e por aqui até as janelas abanavam.
Não discuto se a CDU fez ou não um bom trabalho nas últimas três décadas e meia… não é isso que está em causa; é que me faz um bocadinho de impressão quando as coisas não mudam nunca e já se parece festejar antes sequer de começar o concurso.
Há dezoito anos atrás comecei a ir regularmente para Lisboa para ir às aulas…
Perdoem-me um pequeno momento para me rir da afirmação anterior.
Bom, há 18 anos atrás comecei a ir regularmente para Lisboa passear e foram os transportes públicos que me permitiram tal deslocação.
Vivia em Cacilhas e a minha viagem era composta de uns 5 minutos a pé, 10 minutos de ferry e depois uns – não me lembro bem – 15 minutos do Cais do Sodré ao Largo da Academia de Belas Artes.
Fiz isto durante cinco anos e depois meti-me nesse maldito vício que é o trabalho e as visitas a Lisboa tornaram-se mais ocasionais. Ainda assim, para ir à Capital, falar com clientes, ia maioritariamente de transportes públicos.
A conversa de despedida no final das reuniões era quase sempre na base de “então e onde deixaram o carro? Isto aqui para estacionar…!”, seguido de um olhar vazio quando a nossa resposta incluia “transportes”.
Hoje em dia tenho a certeza que perdi clientes por andar de transportes. É que em Portugal, explicou-me um dos clientes que não perdi, os clientes ganham-se e perdem-se no parque de estacionamento: BMW, Mercedes, Audi… dão direito a cliente; Porsche, Ferrari, Lamborghini é para esquecer, porque certamente humilharão o Beemer do cliente e, claro, Fiats, Renaults e Citröens vão exigir muito suor para a conquista da conta.
Transportes públicos? Mas que inacreditável ousadia. Quem me dera ter sabido isso antes. Teria comprado uma chave de imitação de um Passat que manteria discretamente na mão ao despedir-me do cliente e poderia bufar algo como “bom, vamos lá ver se não tenho multa!”.
Mas adiante.
A minha relação com os transportes públicos haveria de voltar a uma regularidade próxima da de um vegetariano que só come fibras nos finais de 2003 quando fui trabalhar para o SAPO.
Na altura, a coisa pareceu-me fantástica: 10 minutos a pé (que agora vivo 100 metros mais acima e não ando tão depressa como quando tinha 18 anos), 10 minutos de barco e depois uns 20 minutos de metro e lá estava eu em Picoas. Deveriam ser 40 minutos mas na verdade eram mais 50 ou 60, com as trocas de linha e as esperas.
E durante seis anos e meio, foi o que fiz. Todos. Os. Dias.
Mas entretanto, entrou em funcionamento o metro de Almada – um comboiinho eléctrico que atravessa alegremente o Concelho para cima e para baixo. Fiquei com tentações de mudar de percurso, mas achei sempre que não era justificável: em vez de andar 10 minutos a pé até ao barco, teria que atravessar toda a cidade, até ao Pragal; depois, teria que entrar em Lisboa de comboio, o que é muito mais caro que qualquer outro transporte e finalmente ainda teria que andar de metro em Lisboa.
Ao longo dos meses que o MTS esteve em funcionamento, fui pensando na ideia porque já tinha andado no comboio da Fertagus e achado a coisa bastante confortável, porque os barcos da Transtejo são indescritivelmente desconfortáveis e porque o meu percurso no ML era aborrecidíssimo: entrar no Cais do Sodré, andar uma estação, trocar para a linha azul na Baixa-Chiado, andar três estações, trocar para a linha amarela no Marquês e andar uma estação, para sair em Picoas.
É tão aborrecido que adormeci por uns momentos só de o descrever.
Para piorar a situação, o passe para fazer o percurso novo custa o dobro do meu passe habitual.
Eis senão quando, a Isa decidiu passar a ir de combio. A Isa vive, basicamente, no cimo da avenida onde eu vivo – ligeiramente mais longe do barco do que eu, mas pouco – e ficou imediatamente agarrada ao novo percurso.
Assim, dia 3 de Agosto, regressado de férias, decidi fazer o percurso MTS > Fertagus > ML à experiência e dia 4, apesar de ainda ter o meu Lisboa Viva carregado com o combinado TT/ML, comprei o passe combinado Fertagus/ML. No dia seguinte comprei o complemento para o MTS.
O novo percurso leva-me de metro, em Almada, sentadinho, a ler e ouvir música, de Cacilhas ao Pragal; depois, sentadinho e a ouvir música, o comboio leva-me até Entrecampos e finalmente, se me apetecer, vou sentadinho e a ouvir música de Entrecampos a Picoas, de metro, sem ter que mudar de linha.