Macacos sem galho

Tiálogos XXIII. Reality check

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Hoje apetece-me fazer uma daquelas coisas que vejo por aí muita gaja fazer nos seus baby blogs. Perdoa-me, se conseguires, mas quando os miúdos são pequenos, como tu és—quase com 2 anos e 5 meses—os pais vão tentando perceber se o desenvolvimento está  correr como se espera.

E é por isso que de vez em quando vou consultar o teste de Sheridan e comparar com aquilo que tu vais demonstrando saber fazer. Portanto, aos dois anos e cinco meses, aqui vai…

Aos 2 anos, em termos de postura e motricidade seria suposto correres e corres. Seria suposto subires e descer escadas com os dois pés no mesmo degrau, mas como isso é uma seca, neste ponto saltaste para os três anos e sobes já muitas escadas alternando os pés (descer com pés alternados então era só aos 4 anos, mas sempre tiveste um fascínio por degraus e, de mão dada, já desces alternadamente também).

No que toca à visão e motricidade fina devias construir torres de 6 cubos, mas honestamente, já nem me lembro quando começaste a fazer isto mas já foi há uns meses valentes; aos 3 anos deverias construir torres de 9 cubos, mas tu já constróis torres com os cubos que houverem— especialmente se puderes depois dar-lhes um pontapé bem afinfado.

Deverias imitar rabiscos circulares e imitas. E devias gostar de ver livros e conseguir virar uma página de cada vez, ambas coisas que já fazes desde muito antes dos dois anos.

E depois, vem a audição e linguagem; já sabes como é… Devias dizer o nome, mas não dizes—embora recentemente tenhas começado a dizer “bebé” apontando para ti próprio. No entanto a tua linguagem melhorou muito. Se devias construir frases de duas palavras… já o fazes (“papá, mão”, quando queres que te dê a mão; falas sozinho enquanto brincas e tens uma linguagem maioritariamente incompreensível para os familiares, como o teste de Sheridan sugere. E também já nomeias bastantes objectos.

No que toca ao comportamento e adaptação social devias por o chapéu e calçar os sapatos o que fazes, quando consegues (alguns sapatos nem eu tos consigo calçar, quanto mais!) mas acho que isto se refere mais a aceitar os ditos e quase sempre aceitas (tirando quando fazes birra, claro), devias usar bem a colher e usas e também já usas o garfo nas calmas—outro desenvolvimento dos 3 anos.

Finalmente, devias beber por um copo e colocá-lo no lugar sem entornar e… check. Aliás, andas a treinar fazer isto só com uma mão, só para causar calafrios aos teus pais, sobretudo quando o conteúdo é leite com chocolate.

A coluna dos 2 anos não menciona nada sobre despires-te sozinho—isso está só nos 3 anos e só com um adulto a desabotoar— mas tu já tiras as meias (duh!), as calças e a fralda sem qualquer dificuldade e consegues desapertar o body em baixo; sei que consegues tirar algumas camisolas, porque já dei contigo sem elas, mas nunca assisti ao evento e, normalmente, precisas de ajuda.

O teste termina aqui, mas devo acrescentar que lavas as mãos e a cara sozinho, lavas os dentes e já sabes tomar banho quase completamente sozinho. Tudo isto são desenvolvimentos esperados por volta dos 5 anos.

Portanto, podes ainda não falar muito, mas és asseadinho e isso, meu filho, é o que te levará longe na vida. Ficar calado e cheirar bem nunca fez mal a ninguém!

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Nights of the living dead

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

De há umas semanas para cá, o Tiago tem-se tornado cada vez mais ligado aos pais. É extremamente carinhoso, distribuindo beijinhos e abraços e chamando por nós. À noite, distribui a escovas de dentes e entrega-nos o tubo da pasta já aberto, para lavarmos os três os dentes.

Mas toda esta simpatia tem outro lado: está a ficar extremamente dependente e quase incapaz de se separar de nós.

Começou por fazer uma grande fita para ficar na creche, ele que até já corria para a sala sozinho e ficava a brincar com outros miúdos sem olhar duas vezes para a porta e este fim de semana fez uma grande birra para ficar com os avós, coisa nunca vista já que ele adora passar tempo com os meus pais.

E, claro, o mais complicado de tudo: as noites. Há semanas que não conseguimos dormir uma noite de seguida. Seja à uma, seja às quatro, mais tarde ou mais cedo, ele acorda e só quer colo. Recusa-se a adormecer – nem na nossa cama – fica simplesmente deitado no nosso colo, de olhos abertos.

Isto dá-nos umas duas horas por noite de tentativas de o fazer voltar a dormir, sempre sem sucesso. Acabamos por ter que o por na cama, onde ele fica a chorar durante uns 10 minutos até cair para o lado a dormir.

Entretanto nós, que demoramos a adormecer porque já estamos com o stress dele acordar e depois dele voltar para a cama voltamos a ter dificuldade em adormecer, andamos a dormir umas 3 ou 4 horas por noite, com sorte.

E hoje piorou ainda um pouco mais: não quis tomar banho e não quis ir para a cama, coisa que até aqui tinha corrido bem. Depois de mais de meia hora com ele ao colo, a contar histórias e cantar, continuava acordadíssimo e sempre que o punha na cama, punha-se novamente de pé, a chorar.

Sei que é uma fase, que se calhar, daqui a uns anos vou ter saudades da altura em que ele só queria colinho do papá, mas ainda assim, quando são cinco da manhã e é impossível dormir cá em casa e tanto eu como a Dee – revesadamente – tentamos não adormecer com ele ao colo enquanto ele mira o tecto, impávido e sereno, não consigo deixar de pensar: o que raio dá na cabeça das pessoas… para terem outro filho?

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