Fado Positivo

O Gus mandou-me hoje um link de um daqueles blogs que foi directo para a minha lista de leitura, mesmo sem precisar de o ler a fundo. Só a ideia bastou.

Aqui há uns tempos pus-me a escrever posts para dizer bem de Portugal e escrevi umas coisas, mas nada de profundo. Felizmente, existe o Miguel Carvalho, do Fado Positivo, capaz de cavar mais fundo e mostrar razões pelas quais realmente vale a pena viver no nosso paí­s.

Ao deitar uma vista de olhos rápida pelo blog, a primeira coisa que me ocorreu foi: mas porque é que eu não vi isto nas manchetes? Porque andam os jornais a publicar a trampa que imprimem nas primeiras páginas em vez disto?

Fiquei a saber que o nosso desemprego é metade do Espanhol e contraria a tendência da UE (aposto que Jerónimo de Sousa culpa o Governo), que Lisboa é a capital mais segura da Europa (aposto que Paulo Portas culpa o Governo), que as vendas e remunerações no retalho estão a subir, que o preço de um crédito a habitação nunca esteve tão baixo, etc., etc.

Onde andam estas notí­cias? Onde param estas manchetes?

Suponho que “Sócrates responsável por diminuição do desemprego”, “PS acusado de melhorar poder de compra” ou “Governo alegadamente promove indústria Portuguesa aumentando o seu volume de encomendas” não sejam tí­tulos interessantes.

Toca toda a gente a subscrever o blog Fado Positivo e a cultivar algum optimismo. Para múmias pessimistas, já basta o PSD.

11 comentários

Especialistas – screencast 2

Aqui vai o segundo ví­deo: passagem a tinta (digital), da tira anteriormente desenhada a lápis.

Aqui fica o link do ví­deo no original ou, com um bocadinho menos de qualidade e provavelmente não aparecendo no feed:

Comentar

Abaixo a discussão

Sou um grande democrata.

Por isso é que sou completamente contra a chamada discussão pública de “certos assuntos”.

Um desses assuntos, que teve atenção recente e que, notarão os mais atentos, deixei passar o tempo necessário para não saltar para a água na maré alta, é o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Aparentemente, os portugueses acham que este é um assunto que merece discussão pública, por tratar-se de uma potencial alteração de um paradigma social vigente. Sim, eu sei escrever estas palavras sozinho.

Eu não acho. Eu sou contra a discussão pública do casamento homossexual.

“Este gajo é um fascista”, dirão uns, “seu ignorante preconceituoso”, vociferarão outros.

Alguns dirão mesmo “uma bica e um pastel de nata”, mas esses não interessam para esta conversa.

Mas tenhamos calma, que eu explico.

A discussão do casamento entre pessoas do mesmo sexo não serve absolutamente para nada. Ah, esperem, retiro o que disse… serve para vender jornais e aumentar as receitas de publicidade das televisões, pois claro.

Não será então de espantar que os media estejam na vanguarda dessa “opinião pública” que exige a discussão deste tema. Será que os portugueses, se não forem bombardeados pelos jornais todos os dias, acham mesmo que este é um tema que merece a sua atenção?

Eu acho que não.

Mas eu acho mais coisas. Eu sou assim.

Eu acho que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um não-assunto; é algo que tem simplesmente que ser legislado e posto em prática, num curto prazo. Não é preciso discutir, não há discussão: o casamento deve ser legal para qualquer pessoa que se disponha a casar com outra e que o deseje fazer.

Como acho isto, também acho que a tal discussão pública é apenas um entrave ao andamento do processo. Basicamente, permite que o Governo actual adie o assunto, para dar lugar í  discussão, deixando a lei para aprovar na próxima legislatura, esperando com isso usar o tema como demonstração de que sim, ainda são um partido de esquerda e que se fizerem o favor de votar neles, eles agradecem.

Não é preciso ser um génio para perceber isso. Eu sou um génio, é verdade, mas praticamente não precisei de usar o cérebro nesta questão e portanto QED.

O pior desta história toda é que a tal discussão pública incluiu uma coisa chamada ICAR, que é um organismo completamente ultrapassado e a quem ainda ninguém explicou que os seus membros não são: a) inventores do casamento; b) detentores dos direitos de autor do conceito; c) únicos portadores da moral e dos bons costumes, d) sequer, provavelmente, casamenteiros oficiais – já que os casamentos portugueses são todos civis e finalmente d) são, isso sim, uns paneleiros de merda.

Atenção que paneleiros de merda e homossexuais não são sinónimos, não sejam parvos.

Porque é que duas pessoas se casam?

Porque gostam uma da outra. Porque consideram o casamento um acto romântico simbólico que concretiza os seus sentimentos. Porque querem ter a certeza que têm direitos legais, fiscais e sociais diversos que apenas estão reservados a casais. Porque desejam um modelo de famí­lia tradicional. Porque sim.

Porque sim é uma valente razão e é, no fundo, o sí­mbolo da sociedade livre: vou-me casar com fulano… porque sim. Em que é que o sexo do casal modifica qualquer uma destas razões, ou outras que possam inventar?

Só mesmo se o casamento for feito para procriar. Mas honestamente, em que século vivemos? Não sejamos hipócritas.

O casamento não é, nem nunca foi sagrado. O casamento sempre foi um contrato de interesses entre famí­lias, envolvendo bens, terras, riquezas diversas e/ou tratados de cooperação, conquistas e alguma diluição sanguí­nea porque, a bem dizer, os Prí­ncipes estavam a começar a sair todos vesgos e um pouco burros.

Portanto deixem-se de merdas.

Quanto mais depressa o casamento homossexual for legalizado, mais depressa podemos passar ao casamento mais interessante, que se segue na lista: um homem e dez playmates, claro.

23 comentários

O hamburger que não estava lá

Sou um consumidor assí­duo dos hamburgers gourmet da H3, ali no Monumental Dolce Vita. São hamburgers especialmente bons, de carne de novilho nacional, com arroz Thai e batatas fritas í s rodelas, feitas no local; têm um conjunto de variantes como o Tuga, com molho de alho e cerveja e ovo estrelado, ou o cheese, com queijo e cebola.

São servidos no prato, embora também haja uma versão no pão, numa focaccia óptima, com salada.

São deliciosos e também baratos, o que dá muitos almoços de hamburger, todos os meses.

Aqui há uns meses atrás, decidi deixar uma sugestão na caixinha que existe, para o efeito, junto da caixa. Sugeri que fossem criados hamburgers duplos e, melhor ainda: um hamburger picante!

Qual não foi o meu espanto quando, algum tempo depois, recebi uma resposta no meu e-mail. Por um lado informava-me que podia escolher um hamburger duplo quando quisesse, por mais €3,50 e por outro dizia-me que tinham gostado da ideia do hamburger picante e que o iriam produzir.

Cito:

“A sua sugestão  de um hambúrguer picante parece-nos uma óptima ideia. Vamos criar essa receita (em princí­pio para o Natal). Quando estiver nas lojas será o primeiro a ser avisado. Será o h3 Couto e Santos.”

O H3 Couto e Santos?! Fiquei agradado com a ideia da criação de um H3 picante, mas surpreendido com a ideia de lhe dar o meu nome. Andei uns tempos a pensar que seria uma partida qualquer de alguém, a gozar comigo.

Entretanto os meses passaram e a única coisa que vi foi uma garrafinha de Tabasco que passou a estar disponí­vel no balcão da H3 (já agora, um grelhado com arroz e batatas, bem regado com Tabasco é delicioso).

Como estamos quase no natal, aqui estou eu perguntando: afinal, onde está o H3 Couto e Santos? :-)

6 comentários

Viva o Magalhães!

Depois de ler mais um post do Marco sobre as preocupações da SIC sobre o controlo parental instalado no computador Magalhães, de facto a minha tampa saltou de vez.

Quero daqui mandar oficialmente í  merda todos os media portugueses que se têm entretido a deitar abaixo este projecto. O Magalhães é Portugal no seu melhor. A tomar a dianteira, a arriscar, a investir.

É um investimento nos miúdos e também na tecnologia e na indústria que a suporta. É um investimento em empresas nacionais e uma aposta na capacidade de internacionalização.

Quando a merda da Selecção joga, as putas dos jornalistas (sim, “as dos”, mesmo assim), erguem todos a bandeira e põem a mão no peito: os salários ridí­culos que aqueles grunhos dos jogadores e treinadores ganham justificam-se porque levam a bandeira a todo o lado.

Mas quando Portugal produz um computador simples, compacto, completo, mas barato, para estudantes, com um enorme potencial de exportação, ninguém pensa sequer na bandeira. Só pensam em mandar abaixo, criticar, procurar todas as pequenas falhas e explora-las para obter primeiras páginas e aberturas de telejornais.

Estou farto deste lixo!

Como comentei no post do Marco, se o controlo parental do Magalhães viesse activo, o Governo seria acusado de fascismo por distribuir um computador com censura pré-instalada pelo Estado; como vem desligado, o Governo é acusado de leviandade e de pí´r em risco a sensibilidade das crianças.

Agora que o Magalhães está aí­, já não apenas para o chamado 1º ciclo, mas também para o 2º, espero que seja um estrondoso sucesso.

De certo, muitos miúdos farão porcaria com o seu computador; sempre foi assim: quando andei na escola, muitos miúdos usavam mais os livros para jogar í  bola do que para estudar. Mas muitos outros terão a oportunidade de entrar para escola com um computador nas mãos e só quem vive dentro do seu próprio cú, é que ainda não percebeu que esta é a era em que vivemos, a era do computador, do software, das redes.

Há alturas em que criticar o Governo faz sentido. Devemos fazê-lo, devemos ser crí­ticos de quem nos governa. Mas custa muito aos portugueses, aparentemente, ou pelo menos aos media, admitir quando o Governo faz algo bem feito e merecedor de aplauso.

Estúpidos, tacanhos, bestas inqualificáveis.

Aplaudo o Magalhães. A ideia, as pessoas que a tiveram e que a concretizaram. As pessoas que investiram e que fizeram andar o projecto que, acredito, deve ter sido complexo. Aplaudo, evidentemente, a JP Sá Couto, criadores do computador. O design, o nome e até o logotipo. E aplaudo José Sócrates e o seu Governo que souberam fazer a sua parte em tornar este projecto uma realidade.

PS: Já há muito que não o fazia, mas este post, creio, encaixa perfeitamente na minha categoria “só para dizer bem de Portugal”.

72 comentários