Dúvidas

Se um quilo são mil gramas… um esquilo são mil esgramas? Ou serão mil esgrimas?

É claro que não, mil esgrimas são um esgrilo e isso é um animal completamente diferente.

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O Albatroz

Aqui vai uma história que escrevi há muitos anos.

O Albatroz

– Diz lá o que queres. – Disse Riki num tom apressado – É que tenho o Albatroz estacionado em terceira fila, ainda apanho uma multa!

Era mesmo verdade, o Albatroz estava muito mal estacionado e a polí­cia anti-democrática rondava muitas vezes aquela área.

– Preciso de saber que número calças, para te poder comprar uns chinelos de peluche. – Respondeu a Sandrine – Não é o que queres para os anos?

Era realmente o que Riki queria para os anos.

Aconchegou a estola cor de rosa í  volta da cintura e respondeu:

– Sandrine, podias ter telefonado para o teleférico, ao menos escusava de ter vindo í  baixa, estacionar assim o Albatroz ao deus-dará! Mas pronto… como é por causa de um presente para mim, não te espanco com a corrente de bicos.

– Obrigado, Riki – respondeu Sandrine, nitidamente feliz. – Então diz-me lá, que número calças?

– Catorze, calço catorze em chinelos de peluche. Mas vê lá se são fúchsia, sabes perfeitamente que odeio verde-alface e ouvi-te falar sobre verde-alface com a minha mãe ao telefone, um destes dias!

– Descansa, falávamos apenas dos collants de plástico brilhante que eu queria comprar.

– Bom, está bem. Tenho que ir, ainda me apreendem o Albatroz.

Despediram-se com um sorriso e Riki foi montar o Albatroz, que se encontrava perturbado. Ao levantarem voo, Riki notou que o Albatroz não se sentia bem, mas atribuiu tudo a tê-lo deixado em terceira fila e, por isso, não lhe perguntou o que se passava.

O dia seguinte foi de festa. Riki fazia cento e quarenta e dois anos e estava prestes a atingir a maioridade (só lhe faltavam dois anos). Ofereceram-lhe uns lindos chinelos de peluche fúchsia, tal como ele queria, e mais um chapéu í  cowboy de couro azul, com plumas vermelhas esvoaçantes… ele adorou.

Quando a festa acalmou e os Rodrigues se foram embora (eram os que comiam mais e faziam muito barulho, porque gostavam de cantar), Riki sentou-se com Sandrine e conversaram sobre várias coisas: estavam a pensar casar-se, agora que já tinham juntado todos os cupões necessários para poder requisitar um filho e que tinham dinheiro suficiente para o vestir com belas roupagens cor de néon. No meio da conversa, Riki lembrou-se de referir que achara o Albatroz um pouco indisposto no dia anterior, mas que não ligara pois sabia que o Albatroz não gostava de ficar em terceira fila.

– Vou lá levar-lhe um bocadinho de bolo de cebola! – disse Sandrine, pondo-se de pé num salto.

Sandrine era muito enérgica.

– Fazes bem. E eu vou contigo, aproveito para o lavar. Ele gosta que o lavem.

E foram os dois até í  garagem tratar do Albatroz.

Qual não foi o espanto de ambos quando verificaram que o Albatroz tinha fugido.

– Mas… assim, sem dizer água-vai?! – exclamou Riki

– Tem calma, Riki, ele há-de estar para aí­.

Durante todo o dia procuraram o Albatroz. Poderiam tê-lo deixado ir, mas Riki estava muito ligado a ele, tinha-lhe sido oferecido pelo Governo Federal por serviços prestados ao gabinete de contagem de dedos dos pés e não era um Albatroz qualquer: era grande e azul cobalto, com um bico muito aerodinâmico. Mas não havia nada a fazer, naquele dia não conseguiam encontrar o Albatroz e já estava a ficar escuro.

Doze dias e doze noites se passaram e nada. O Albatroz não aparecia.

– Nem ao menos um telegrama! – Riki, desesperava – podia ao menos escrever, o safado! Tantos anos de cuidados para com ele, de atenção, de carinho e boa comida… e agora abandona-me assim!

Sandrine não conseguia animar o seu noivo e mesmo ela começava já a sentir saudades do simpático Albatroz.

De repente, a Mãe de Riki, Senhora Blí¶omfaghstí rrin, entrou na sala a gritar desesperadamente:

– Riiiiiki! Riki! Vem depressa, encontrámos o Albatroz!

Riki não podia acreditar, o seu Albatroz!

Correu, seguindo a mãe, com Sandrine logo atrás.

O Albatroz estava na capoeira das Avestruzes, aninhado a um canto, sobre um grande monte de palha.

Foi então que descobriram a verdade. Era uma fêmea! O seu Albatroz era na verdade uma Albatroz e tinha ido para a capoeira das Avestruzes refugiar-se, pois era o melhor sí­tio para por os seus ovos.

– E vocês que não me disseram nada! – disse, sorrindo, Riki para as Avestruzes.

É claro que não, as Avestruzes não falam.

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Xuning

Apercebi-me recentemente de que não existem artigos profundos sobre xuning na internet. Ou melhor, não fiz a mí­nima pesquisa, mas apeteceu-me escrever sobre o assunto e decidi apresentar-me não só como pioneiro como também como especialista.

É assim que se chega ao topo: mentindo. Isso aprendi com a polí­tica.

O que é xuning? A etimologia é popular e advém da justaposição da palavra “xunga” e da palavra “tuning”. Vale a pena lembrar que um xunga é uma pessoa básica, com pouco conhecimento de comunicação verbal, normas sociais aberrantes e uma tendência para o inter-acasalamento e que tuning é uma palavra inglesa significando “afinamento”.

E podem já voltar para a escola todas as pessoas que estiverem a ler-me e que sintam a tentação de me mandar um mail a avisar que se escreve “tunning”. Basta um conhecimento básico de inglês para perceber que “tuning” não leva dois “n”, caso contrário teria uma pronunciação completamente diferente.

Bom, digo “voltar para a escola”, partindo do princí­pio que alguns de vocês têm, efectivamente, uma educação.

Xuning é portanto afinação de automóveis levada a cabo por xungas. O xuning distingue-se do tuning de várias maneiras: na generalidade dos casos, o tuning começa no motor e outras partes móveis do veí­culo, tentando dar-lhe mais potência, melhor performance, comportamento dinâmico e essas paneleirices automobilí­sticas e, geralmente, acaba por alterar o aspecto do carro com o mesmo objectivo: redução de peso, modificação do corpo para obter mais aerodinâmica, etc.

O xuning é a arte de alterar o aspecto exterior de um veí­culo, conferindo-lhe detalhes “desportivos”, tornando o carro geralmente mais pesado, barulhento e foleiro, sem por isso ser especialmente mais rápido ou ágil.

Tampão de alumí­no

Um dos apetrechos de xuning mais vistos nas ruas é o autocolante colocado na tampa de acesso ao depósito de gasolina que simula um tampão de alumí­nio, semelhante aos encontrados nalgumas motos.

Não consigo imaginar ninguém a acabar de colar uma destas trampas no seu depósito a olhar para a obra e achar que está impecável. É foleiro, não serve qualquer propósito e fica sempre mal colado.

Gosto especialmente quando o génio tem que cortar um pedaço do autocolante para conseguir adaptar o autocolante a uma qualquer forma menos plana do seu automóvel. Não menos brilhante são gajos que colam autocolantes redondos em tampas rectangulares… eu sei, eu sei: geometria é uma ciência complexa.

Falsas entradas de ar

Há coisa mais patética do que colar um tupperware, cortado ao meio, em cima do capot do carro para fingir que é uma entrada para arrefecer o turbo que o carro nem sequer tem? Ainda mais lindas são as que têm um bocado de rede de capoeira a fingir de “favo de abelha”. Pura beleza!

Quão anormal é preciso ser-se para achar que o Peugeot 205 a cair de podre só pode ser melhorado com a adição desta ideia deficiente? Suponho que o xunga médio não tenha qualquer espécie de sentido crí­tico.

Aliás, no fundo, falta de sentido crí­tico é um dom da população no geral.

Plásticos pintados

Uma das caracterí­sticas dos carros desportivos é que têm os plásticos na cor da carroçaria, vai daí­, o xunguinha vai ao Leroy e compra duas latas de esmalte vermelho e toca de pintar o pára-choques do Opel Corsa de 86 de vermelho.

Fica ainda mais bonito quando o Sol começa a descascar o esmalte. Sem dúvida nenhuma que o carro ganha um ar agressivo na estrada! Sim… agressivo como em: “aquele idiota deve ser perigoso ao volante, afasta-te dele!”

Pontas de escape falsas

Uma modificação que geralmente melhora a performance dos automóveis é a troca do sistema de escape por um mais eficiente. O motor livra-se dos gazes com mais facilidade e consegue oferecer mais meio cavalo ou dois de potencia.

Como o xunga não tem dinheiro para mandar substituir todo o sistema de escape do seu Fiat Punto, toca de comprar umas ponteiras cromadas que se põem sobre o velho escape de lata escaqueirada para fingir que tem um sistema de escape todo pipi. Patético.

Super subwoofer a passar música de merda

Aqui está algo sem o qual o verdadeiro xuner não pode passar. Aliás, suspeito que a maior fatia do orçamento do xuner vá para o sistema de som. Já que o carro não anda nada, o melhor mesmo é fazer-se notar passeando-se pelas ruas secundárias da cidade a bombar a maior merda destilada de euro-techno e hip-hop de Chelas que for possí­vel.

O volume é ensurdecedor e a música é tão fatela que faz virar cabeças. Cabeças de pessoas que pensam: “mas quem é a aventesma que está a ouvir esta trampa?!”

Asa do tamanho de um banco de jardim

Como, na generalidade, os carros dos xuners são latas velhas a cair de podre, é conveniente que estejam equipados com uma asa traseira do tamanho de um banco de jardim – daqueles antigos em ripas. É que, quando o carro parar de vez, pelo menos têm onde se sentar enquanto esperam pelo reboque.

Lembro-me de ter visto uma vez um Fiat Uno com uma asa tão grande atrás que estive vai não vai para experimentar dar-lhe um toquezinho para ver se o carro se virava com o peso daquela aberração.

O boné

O boné não é um acessório para o carro: é um acessório para o condutor. Acho que está cientificamente provado que 99,9% de todos os xuners usam boné. E usam-no sempre: no trabalho (nas obras), na cama, no duche (mensal) e, claro, ao volante.

Como se o automóvel já não falasse pelo QI do seu dono, este apresenta-se constantemente com aquele apetrecho de cabeça – normal e aceitável nalgumas situações – a toda a hora e todo o momento. Com um detalhe: o boné do xuner está ajustado para a cabeça de uma criança de 6 anos (que é, em média, a idade mental do xuner), tornado o boné mais um bibelot pousado na mona do que propriamente um chapéu cobrindo a dita.

Embora não mereçam parágrafos – porque não me apetece – não nos esqueçamos das esponjas nos cintos de segurança e coberturas de neoprene para os bancos, com a palavra “racing” escrita; pedais e manete de mudanças em plástico cromado; CD pendurado no espelho para enganar os radares; autocolantes com desenhos “tribais” e/ou letras chinesas colados na carroçaria; LEDs nos mija-mija; uma bandeira de Portugal na chapeleira; bandanas nos encostos de cabeça e, quase sempre, um grupo de grunhos que não tenham mais nada para fazer senão andar í  pendura, para trás e para a frente, nos subúrbios aos fins de semana.

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A ouvir: Iron Maiden – Run To The Hills
via FoxyTunes

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Oito coisas foleiras portuguesas

Os povos são foleiros, por definição. É mesmo isso que é ser povo: é partilhar com um grande número de pessoas várias foleirices definidoras. Mas as maiores foleiradas não são aquelas mesmo tí­picas, como o grande bigode com cheiro a vinho tinto, a camisa aberta com o pelum a sair e uma crucifixo de ouro perdido no matagal. Essas são demasiado óbvias. As melhores foleiradas são aquelas cujos prevaricadores ignoram como tal. Como estas oito, com grau de foleirice cientificamente testado e aplicado numa escala de 0 a 10, portanto, aqui vão oito coisas foleiras portuguesas:

1 – Fita do senhor do Bonfim

É muito difí­cil levar a sério um gajo com uma carreira profissional estabelecida, um lugar estável numa grande empresa, uma posição de poder e responsabilidade sobre um grupo razoável de pessoas que anda com uma fitinha de tecido atada ao pulso, com um ar gasto e coçado.

Diz o folclore que se deve dar três nós na fitinha e pedir três desejos que serão satisfeitos quando o tecido se desgastar e a fitinha cair por si. Lérias, evidentemente. Nada demonstra mais tacanhez mental do que ser supersticioso e andar com uma fitinha destas só pode ser superstição, porque se é pelo valor estético, então a coisa piora dez vezes.

Grau de foleirice: 6 se o utilizador for mulher, 8 se for homem.

2 – Telemóvel í  cintura

Ora aqui está um clássico intemporal! Quem nunca ouviu dizer: “Jovem, se és construtor civil e gostas de aventura, usa o telemóvel í  cintura!”, o meu amigo Fernando diz isso a toda a hora e ele sabe do que fala porque passa o dia com construtores civis.

Mas se todos esperamos que os construtores civis sejam tipos foleiros (a pulseira de 12kg de ouro maciço a balouçar no pulso, dependurado da janela do Mercedes), o que dizer de homens de negócio, no seu melhor fato Hugo Boss, que, quando o seu Motorola Razr vibra, o sacam de uma pochette de cabedal que está pendurada no seu cinto de pele de crocodilo?

A pochette para o telemóvel é o coldre do yuppie e ninguém consegue usar uma e ter o mí­nimo de aspecto cool.

Grau de foleirice: 7 se for homem; 10 se for mulher (acho que nunca vi nenhuma, felizmente)

3 – Bolsinha de cintura ao pescoço

Há muito tempo que os homens se debatem com o problema de carregar os seus pertences. Problema que as mulheres resolveram há muito com toda a espécie de malas, malinhas, sacos e pochettes. Mas homem que é homem, tem uma verdadeira luta interna no que toca a recolher os seus itens essenciais num contentor adequado í  sua masculinidade.

E foi assim que surgiram algumas das malas mais foleiras da história, a famosa paneleirota já não circula muito por aí­, portanto fica ausente desta lista. Também conhecida como “malinha das pixas”, é uma malinha com uma tira de couro para andar pendurada no pulso.

Mas a grande substituta desta magní­fica forma de transporte de objectos, é a pochette de cintura, a malinha-banana, a fanny-pack. Se uma bolsinha de cintura já é um pouco (muito?) foleirota, o que dizer de andar com uma pendurada ao pescoço?

O mais foleiro desta atitude é que vem de uma clara incapacidade de certos homens simplesmente comprarem ou uma mochila ou uma mala de tiracolo e pronto. Como acham ambas essas opções demasiado maricas, optam por uma bolsa mais pequena, com um ar geralmente mais desportivo e depois usam-na ao pescoço como se fosse um pequeno mamí­fero a quem acabaram de partir o pescoço.

É portanto, um sí­mbolo másculo de carregar a caçada de volta para a toca. Absolutamente patético. E mais patético ainda é ver miúdas a fazer precisamente o mesmo.

Grau de foleirice: 7 tanto para homens como para mulheres.

4 – Auricular bluetooth completamente fora de contexto

Um auricular bluetooth é um item razoavelmente prático. Embora continue a ser perigoso conduzir e falar ao telefone, porque o que causa maior perigo é a distracção de ir a conversar e não necessariamente ir com um telefone na mão, a coisa é talvez melhor com um auricular. Não sei, é discutí­vel.

O que não é discutí­vel é que andar com um auricular bluetooth colocado na orelha durante todo o dia, em qualquer lugar é do mais foleiro que há. Este é um daqueles tí­picos actos do homem moderno, evoluí­do e techno-savy. Pelo menos na sua imaginação.

Esta é uma pessoa tão importante e ocupada, que tem que ir para o hipermercado com o auricular bluetooth colocado na orelha direita, não vá o Director Geral dos Assuntos Internacionais de Qualidade ligar-lhe sobre um tema da mais urgente importância.

É, evidentemente, o acto de um pelintra desesperado por atenção e carregadinho de auto-importância. A coisa é tanto piorada quanto menos se vê tipos destes efectivamente a falar ao seu auricular. Limitam-se a arrastar os putos pela secção de jogos de consolas da Fnac com a sua estúpida luzinha azul a piscar desesperada, qual truta a espadanar no fundo de um balde.

Grau de foleirice: 8 para homens, 10 para mulheres (mais uma vez, não me lembro de ter visto nenhuma nesta figura).

5 – Tatuagens fatelas

As tatuagens eram coisas de gajos beras: marinheiros de má onda, prisioneiros de longa data, motoqueiros com hálito a cadáver.

Aos poucos, as tatuagens passaram para o mainstream e qualquer pita ranhosa de 14 anos já tem um ass-target tatuado no fundo das costas. Depois admiram-se…

As tatuagens costumavam ter significado: um gajo, por muito bera que fosse, não se tatuava com uma bowie a atravessar um coração e uma caveira, tudo enrolado por uma serpente, se isso não significasse que tinha morto a própria mãe, por amor de uma mulher, que mais tarde o enganou tornando-o um alcoólico amargurado.

Hoje em dia, umas têm significado e as outras são meramente decorativas e, na generalidade, completamente idiotas, já para não dizer mal desenhadas. Há poucas coisas mais foleiras do que o gajo de vinte e poucos anos que anda a encher no ginásio e vai a meio de uma “tribal” (embora ele, no fundo, não faça sequer ideia do que é uma tribo, quanto mais quais as tradições das várias populações que ainda vivem neste tipo de sociedade), grotescamente desproporcionada e bastante tosca, como se desenhada por um anão zarolho com parkinson.

Gostava de ver esse jovem daqui a dez anos a tentar arranjar emprego.

A rainha das tatuagens fatelas são as letras chinesas que dizem “adoro ser vergastado na cara por pilas do tamanho de Range Rovers”, mas que o dono está convencido que diz “paz, amor, harmonia e feng shui”. Moças com ass-targets estão na mesma categoria. Se gostam de apanhar no rabo (não há nada de errado com isso, desde que todos sejamos adultos e coniventes no acto), então por favor tatuem: “gosto de sodomia”; não é preciso estar com rodeios.

Se têm alguma coisa de marcante a dizer, por favor pensem bem no assunto e tatuem-se de acordo. Se gostam de se enfeitar, nada de errado: escolham um motivo que vos agrade e disponham-no na vossa pele. Agora, por favor, se não têm a quarta classe, limitem-se a kalkitos do bollycao.

Grau de foleirice: 6 a 8 para homens, conforme o ní­vel de horripilância do desenho; 9 se forem letras chinesas que nem sequer compreendem; 8 para mulheres com ass-targets e/ou qualquer coisa com Golfinhos.

6 – Camisas coloridas com colarinhos brancos; também: cor de rosa integrado num fato

Eu não sei o que passa pela cabeça destes homens que vestem fato com uma camisa cujos punhos e colarinhos são brancos, ao contrário do resto da camisa que é azul, verde ou… pior ainda: cor de rosa.

Não sei quem teve a ideia de fabricar camisas assim, nem qual o objectivo, mas por muito que pense no assunto, não vejo qualquer razão lógica para desenhar uma peça de vestuário tão absolutamente foleira.

Seja qual for a tua cara, se vestires uma camisa azul com colarinhos e punhos brancos, ficas imediatamente com cara de cú í  paisana. É imediato e irreversí­vel.

E a foleirada é mesmo adequada ao espí­rito deste artigo, porque quanto mais macho man do mundo dos negócios, mais vemos destas camisas. Quanto mais alto o ní­vel de vida, mais cara e feia a camisa. Esta não é uma foleirice de taxista ou camionista: essas são honestas! Esta é tão mais foleira quanto a arrogância e bullshitismo abundam no utilizador (vide mister P. Portas).

Dentro desta categoria está o uso do cor de rosa num fato de homem. Se o fato for todo cor de rosa, se o homem se chamar George Michael e se estiver na altura a ganhar milhares de dólares a actuar ao vivo, tudo ok (desde que a camisa seja preta e a gravata também rosa), mas se o fato é um Brooks Brothers sóbrio e clássico, o cor de rosa não faz lá falta nenhuma: nem um fato cinzento com gravata rosa, nem um fato preto com camisa rosa, nem um fato de tweed com camisa rosa de punhos brancos e gravata vermelha.

Se usam fato, aguentem-se í  bronca e deixem-se de passarinhisses: é foleiro.

Grau de foleirice: Esta é só para os meninos: 8.

7 – Pulseirinhas de borracha de apoio a causas nobres

Esta está quase ao ní­vel da fitinha do Bonfim, mas é pior. Sabem o que dizem estas pulseirinhas sobre quem as usa?

“Eu apoio o chinês que fabrica estas pulseirinhas”.

Se apoiam alguma causa, tudo muito bem: dêem-lhes dinheiro ou géneros; não comprem, por favor, uma pulseirinha de plástico. Isto é tão ou mais foleiro que as fitinhas que se usavam há uns anos atrás, ao peito, em que chegava a ser mais significativo andar de fitinha vermelha do que, efectivamente, usar preservativo.

Porque é que acham que o mundo precisa de saber se são contra o cancro da mama (haverá alguém a favor do cancro de seja o que for?). Não me parece que uma pulseira de plástico vá motivar os outros a dedicarem-se a uma qualquer causa. Querem ajudar? Dêem-se como voluntários.

Grau de foleirice: para quem efectivamente apoia a causa: 7; para quem nem sequer sabe o que fazer para ajudar: 10.

8 – Gordos de roupa apertada, magricelas de roupas largas

Ser gordo é, em 90% dos casos, uma questão de escolha. Não me venham com as merdas das glândulas, porque acho que ainda não há nenhum Hí¤agen Dazs glandular.

Cada um é como quer e como se sente bem. Se não se sentem bem gordos párem de comer!

Agora que isto ficou esclarecido, só uma nota: há poucas coisas mais foleiras que uma gorducha anafada de calças í  pirata e saltos-altos, com as banhas a pender pela cintura descaí­da e o ass-target (ver acima), a ondular com cada passo.

Amem o vosso corpo, mas por favor, vistam qualquer coisa do vosso número! Ou bem que se aceitam tal como são, ou bem que estão a dar uma grande tanga a toda a gente quando dizem isso.

E o que dizer dessa maravilha que é o gajo que pesa 42 kg. e anda com umas calças 3 números acima, pelo meio das nádegas? Por favor, alguém compre umas calcinhas a estes rapazes! O que vos leva a crer que alguém está interessado em ver as nódoas suspeitas das vossas cuecas?

Não sei o que é pior: cú gordo a transbordar de calças feitas para adolescentes magrinhas ou peida de gajo completamente de fora de uns jeans obtusamente descaí­dos.

É que nada disto é fashion. É, simplesmente, foleiro!

Grau de foleirice: para andar com o cú de fora, é bom que sejam Vida Guerra, tirando ela, 10 para todos.

E pronto, eram para ser dez coisas, mas não tenho tempo. Espero ter contribuido positivamente para a evolução da nossa sociedade como, aliás, já é meu hábito

Boas Festas.

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Infecciosa bronca

A tosse não passa. Ontem fui trabalhar e voltei pior, o que poderia dar uma enorme dissertação sobre os malefí­cios do trabalho, mas não sejamos vulgares.

Passei a noite a tossir e a minha tosse não é uma tosse normal. A minha tosse é diferente, desde que fiquei entalado entre duas dimensões. De um lado, tusso, mas do outro, pequenos duendes despejam napalm pelos meus brí´nquios, enquanto um grupo de orcs neo-nazis me dá pontapés na cabeça. Para que não fuja, duas dominatrixes húngaras, sentam-se nas minhas costas enquanto pintam as unhas de azul cobalto e no fim, o guarda-costeiro – cujos membros são na verdade pedaços de bacalhau – dá-me pauladas no dorso.

Quando me levantei de manhã, não só estava cansadí­ssimo, como tinha as marcas dos saltos altos das húngaras, nos antebraços. Muito desagradável – acreditem.

Então fiquei a trabalhar em casa, com a esperança de não apanhar muito frio nem humidade (o frio excita os duentes incendiários e a humidade deixa os orcs loucos). Como habitualmente, fui mais produtivo do que no escritório – o que poderia levar a outras dissertações sobre erros básicos de gestão de espaços de trabalho, mas agora não me apetece.

Ao fim do dia, não estava especialmente melhor. Já tomei azitromicina, que acabou hoje; estou a tomar singulair de manhã e xyzal í  noite e ambroxol três vezes ao dia, mais a bomba de symbicort de manhã e de noite e comecei hoje com codipront, mas continuo a tossir que nem um camaleão toxicodependente e não prevejo melhoras significativas nas horas mais próximas.

Portanto, vou ali para a sala, deitar-me no sofá, a ver o Masters de Snooker de Wembley, 2007.

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