Macacos sem galho

Até à vista, Mr. Saint Pierre, olá Mr. Ferriss

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Já faz algumas semanas que parei com o Rushfit. Durante a minha primeira semana de férias, em Agosto, ainda treinei e corri mas, tendo chegado aos 61 kg, decidi mudar de estratégia.

O Rushfit é óptimo para overall fitness, mas trabalha muito no range do HIIT, bestial para queimar gordura, coisa que eu não preciso.

Durante as férias, comprei um livro que já me tinha sido sugerido por duas pessoas que o seguiram para modificar significativamente o seu corpo, se bem que, mais uma vez, perdendo gordura.

No entanto, já me tinham dito que “The 4-Hour Body“, do Timothy Ferriss, incluía capítulos específicos sobre aumento de peso, o objectivo que me interessa neste momento.

O livro é bem escrito e avança inúmeras teorias sobre genética, fisiologia, exercício e nutrição que o autor decidiu testar em si próprio, com o apoio de diversos cientistas em diversos países.

O homem seguiu protocolos de exercício de treinadores de body building, dietas experimentais, drogas diversas, suplementos variadíssimos e, tendo adquirido uma panóplia de equipamento médico, fez a si próprio ecografias, medições de toda a espécie e mais de mil análises sanguíneas em cinco anos.

Feroz data miner, coligiu tudo o que pode, discutiu os resultados no seio da comunidade científica e desportiva e resumiu os resultados mais importantes neste livro.

Curiosamente, os trâmites nutricionais que apresenta, parecem-se muito com a minha alimentação pós-A200. Daí até me adaptar ao regime alimentar proposto pelo Ferriss, foi um pulinho e estou agora a seguir o seu protocolo minimalista de exercício com pesos, que segue a máxima apresentada como fulcro de todo o livro, a MED: Minimum effective dose; isto é, em suma, a lei do menor esforço.

Qual é o mínimo absoluto que eu preciso de fazer para obter o máximo de resultados?

HIIT, encaixa nesta filosofia. Estudos que compraram grupos a fazer interval training alguns minutos por dia versus grupos a praticar 6 horas de exercício diárias mostraram que os primeiros têm resultados não idênticos, mas muito próximos dos segundos.

Então e qual é o tempo mínimo sob tensão que estimula o desenvolvimento muscular? Surpreendentemente pouco, ao que parece. Comecei, então, a seguir o Occam’s Protocol, cujo nome vem do princípio de Occam, que defende a simplicidade e minimalismo. O protocolo é, de facto, simples e minimalista: dois blocos de treino, cada um com apenas dois exercícios dos quais se pretende completar apenas uma série de sete repetições. E é tudo.

A ênfase é posta no esgotamento muscular, ou seja, ao completar as sete repetições, pretende-se que seja impossível fazer uma oitava; a escolha de peso a usar é essencial, como é claro. E é dada muita importância ao descanso com nunca menos de dois dias de intervalo entre treinos, com tendência para aumentar para três, quatro, por aí fora até uma semana ou mais. É claro que isto não é nenhuma novidade revolucionária, o treino até à exaustão (to failure), é algo que se encontra em inúmeros programas de body building, já popular há muitos anos, mas é o minimalismo do programa que é novidade para mim e me despertou curiosidade.

Como não podia deixar de ser, o protocolo de exercício é apenas uma parte (pequena) do todo, sendo a nutrição a componente mais importante e responsável por 80% dos resultados. Não surpreendentemente, para aumentar de peso, é preciso comer. Comer muito. Comer muita proteína, de preferência, começando assim que se acorda (na primeira meia hora) e terminando mesmo antes de ir para a cama (15 minutos antes).

Como a alimentação é semelhante à que eu já fazia, tive que fazer poucas adaptações e como o exercício é muito mais simples e infrequente que o Rushfit, também não foi complicado mudar, sendo, no entanto, bastante mais perigoso, já que o faço com halteres e com peso significativo que não teria graça nenhuma deixar cair na cabeça (por exemplo, 20 kg em cada mão, para o peito). Felizmente, depois da primeira semana a treinar sozinho, tive o bom senso de pedir ajuda à Dee que me assistiu na segunda semana.

Continuo a recomendar o Rushfit como programa de exercício doméstico simples de seguir, com um bom ritmo e que representa desafio suficiente para manter qualquer pessoa entretida durante dois meses. Simplesmente, para mim deixou de servir já que continuava a perder peso, algo que já não fazia parte dos meus objectivos.

Estou a manter registo de pesos e medidas para mais tarde poder escrever aqui sobre a minha experiência com os treinos experimentais do Sr. Tim Ferriss. Stay tuned.

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