Macacos sem galho

O fim da odisseia

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Fez hoje dois meses que nos mudámos para a casa nova, está na altura de fechar este capítulo, pelo menos no que toca ao blog.

Durante grande parte de 2010, escrevi sobre a casa, a compra da casa, o estado da casa, as obras na casa e a mudança para a casa sob a categoria ‘2010 Odisseia Imobiliária‘. Claro que não fiz exactamente o que queria fazer, não documentei as despesas, por exemplo, para deixar essa informação para quem dela quiser usufruir ou para mais tarde recordar.

É, assim, difícil saber exactamente quanto custaram as obras. Mas foi muito.

À medida que as coisas foram chegando ao fim também me comecei a aperceber que existem certas pessoas demasiado abelhudas para o seu próprio bem e a vontade de partilhar descontraidamente detalhes sobre a casa online caiu a pique.

Não que essas pessoas tenham obtido alguma da informação que têm via este blog – obtiveram-na à boa velha mesa de café – o que só vem mostrar que de facto, como eu respondo quando me perguntam se não tenho preocupações de privacidade por ter um blog pessoal: malucos há em todo o lado.

Está prestes a fazer um ano, então, que vimos esta casa, onde agora estou sentado a escrever um post. A decisão de a comprar foi um risco, mas um que acabou por compensar. Estamos, de facto, satisfeitos com as nossas decisões ao longo deste processo e o resultado, longe de ser final (ainda falta arrumar muito, montar cortinas, comprar móveis…), é muito satisfatório.

No período que foi desde a primeira visita até agora, a imobiliária que nos mostrou a casa, fechou. E era uma imobiliária antiga, que eu me lembro de ver desde que andava na escola lá perto.

Foi precisamente uma das agentes dessa imobiliária que nos aconselhou o empreiteiro que nos renovou a casa. O Sr. Augusto Cardoso, da D’Arte e Cor, Lda.

Houve vários factores que contribuíram para a nossa aposta nos serviços do Sr. Augusto – falámos com ele, pedimos orçamento, visitámos a casa em conjunto mais do que uma vez e vimos o portfolio online. Tal como a compra da casa, a escolha do empreiteiro foi um risco. É sempre.

Nos primeiros tempos, recebi tantos alertas sobre empreiteiros que a minha única conclusão foi que a obra iria correr mal, sofrer angustiantes atrasos e custar o triplo do orçamentado.

Não foi nada disto que aconteceu. Dizem-me que me saiu a sorte grande com o Sr. Augusto. A obra ficou muito bem feita – facto; o Sr. Augusto soube gerir as coisas de maneira a que as partes mais caras fossem compensadas com partes mais baratas (não há cá acabamentos de luxo, mas não ficou tosco – longe disso), o que houve a mais, fora do orçamento, foram pedidos nossos com plena consciência de quanto iria custar a mais.

Durante os seis meses de obras, praticamente não houve um dia em que não houvesse alguém a trabalhar cá em casa; muitas vezes eram dois, três, vários homens.

A obra apenas durou seis meses, aliás, porque nós hesitámos em arrancar logo com o sótão e este não foi feito em paralelo com o resto pois nesse caso, quatro meses e meio – o previsto no orçamento, teriam certamente chegado.

Mas acho que há um factor muito importante a ter em consideração e foi algo que aprendi nesta primeira experiência – as pessoas têm desdém e desconfiança por empreiteiros. Serão sentimentos merecidos? É bem possível, mas são sentimentos que criam uma relação imediatamente amarga entre cliente e fornecedor.

Os clientes tratam os empreiteiros como aldrabões desde o primeiro dia e estes, por sua vez, tratarão os clientes como idiotas.

Isto para dizer que o Sr. Augusto mostrou ser um excelente profissional, mas também acho que a nossa forma de interagir com ele terá ajudado a que tudo corresse bem.

Isto leva-me a alguns conselhos para quem esteja a pensar fazer obras de renovação numa casa:

  • Procurem obter referências sobre o empreiteiro
  • Tentem saber que tipo e sobretudo dimensão de obras costumam fazer
  • Sejam cordiais e mostrem respeito pelas pessoas – abrir a conversa com “então em quanto é que isto me fica e não me engane que eu já sei como vocês são!”, é capaz de não ser boa ideia
  • Obtenham um orçamento e estudem-no, peçam clarificação em tudo o que tiverem dúvidas – não se esqueçam do IVA
  • Acompanhem de perto a obra
  • Peçam sempre um valor para alterações que pretendam fazer durante a obra e tomem nota do mesmo para acerto de contas final
  • Paguem a horas, se pagarem em tranches e o trabalho estiver a correr bem
  • Não interajam com os trabalhadores sobre problemas que encontrem, falem sempre apenas e com o empreiteiro – ele é que dá ordens aos empregados, não são vocês
  • Respeitem as pessoas que estiverem a trabalhar na obra, do trolha ao canalizador – não precisam de se tornar amigos, mas os trabalhadores não são gado
  • Aprendam a fazer compromissos – terão que aceitar certas decisões que o empreiteiro vai tomar sem vos consultar, escolham aquilo que é mesmo importante e deixem o resto acontecer naturalmente
  • Não percam contacto com o empreiteiro durante mais que uma semana

Acho que estes pontos foram muito importantes para que tudo acabasse bem. No entanto, sublinho, encontrar um bom empreiteiro é essencial.

A isto acrescento que a obra foi muito maior do que eu alguma vez esperava ser possível. Quando decidimos comprar a casa, sabíamos que tínhamos que fazer obras, sim, mas nunca pensei que fosse possível chegar-se onde se chegou; por exemplo: sabia que teria que ser renovada a instalação eléctrica, mas nunca pensei que fosse ser possível colocar tomadas, rede, televisão e iluminação onde nós decidíssemos e não apenas renovando o que já estava lá.

Para finalizar, aqui fica uma lista de prós e contras da nova casa com a ressalva das conclusões terem apenas dois meses.

Prós

  • A casa de banho pequena ficou, basicamente, perfeita. De tal maneira que é onde tomamos duche todos os dias
  • A cozinha é fantástica e só precisamos de substituir as nossas velhas cadeiras para que fique perfeita
  • A sala é enorme: temos um sofá e um móvel com a televisão e um montão de espaço ao qual ainda não sabemos bem o que fazer
  • Os vidros no terraço foram uma excelente aposta, são seguros e uma muito melhor alternativa à grade que tínhamos inicialmente planeado
  • O Tiago adora a casa, o quarto, as corridas pelo corredor e nunca mais quis por os pés na casa antiga
  • A minha instalação de ethernet gigabit ficou perfeita e só me falta montar os APs de wi-fi na parede para ficar com uma rede doméstica super-versátil (obrigado a quem deu uma mãozinha no planeamento)
  • A arrecadação no sótão é um alívio para alguém como nós, com tanta tralha (a mudança demorou 12 horas com 6 homens e dois camiões e nós já tínhamos muita coisa empacotada…)
  • Estamos no centro de Almada: jardim, cafés, restaurantes, Pingo Doce à porta – até o meu bom e velho Ginásio Clube do Sul está a 5 minutos e a YMAA a uns 10 – um dia volto lá…
  • Os materiais que escolhemos resultaram muito bem, apesar de não termos experiência no assunto, o resultado final é muito do nosso gosto
  • Continuamos em Almada, a família está por perto e a escola do Tiago ficou precisamente à mesma distância que estava antes – já para não falar que tanto a escola preparatória como a secundária em que andámos são aqui à porta
  • O prédio parece calmo e chega a acontecer que saio de casa duas horas depois da última vez e o elevador ainda está no nosso andar
  • Após um processo burocrático quase inacreditável, consegui obter dístico de estacionamento para residentes e… há lugares. Em dois meses (e nos meses anteriores quando vinha ver a obra), nunca fiquei sem lugar para parar o carro
  • A Dee tem finalmente um atelier onde pode ter ferramentas, materiais e químicos perigosos por todo o lado sem risco de acidente porque pode trancar a porta e saber que não entram lá nem miúdos nem gatos
  • O terraço tem um enorme potencial que, como estamos quase no inverno e não pára de chover, ainda está por explorar, mas já é porreiro ir até lá fora respirar um bocado e ver o Tiago correr

Contras

  • O chão flutuante está… a flutuar e não é pouco. Levantou muito na zona do hall e está a repercutir-se um pouco por toda a casa. Estamos a esperar para ver o que acontece, mas suspeito que vai ser preciso arrancar rodapés e corrigir as folgas
  • Os ventiladores das casas de banho fazem muito barulho, são incómodos e como estão ligados em paralelo com os focos, acabamos por apenas usar a iluminação sobre os espelhos que depois é insuficiente, sobretudo no wc maior
  • A marquise que estende o quarto do Tiago é muito porreira e ele gosta de lá brincar… mas mete água em mais do que um sítio e já temos rodapés todos a rebentar (já telefonámos ao empreiteiro, só falta parar de chover)
  • O terraço não escoa bem e é uma chatice quando chove, mas não é o fim do mundo, uma vassoura e pronto – pena não termos percebido isso durante a obra e arranjado uma solução
  • A rua não é a coisa mais bonita do mundo, muitas casas a cair de podre, alguns lotes demolidos e abandonados e uns armazéns muito suspeitos – e já me assaltaram o carro, em contrapartida, a polícia assegura que o sítio é calmo
  • A construção do prédio deixa muito a desejar e onde se nota mais é no barulho – já descobrimos que temos umas vizinhas que saem ao fim de semana e voltam às duas da manhã aos gritos (mas não sabemos onde vivem), e sabemos sempre quando a vizinha de baixo dá jantares lá em casa – o mais chato é que estamos no último andar, sem vizinhos de cima, mas o som propaga-se de tal maneira que os saltos da vizinha de baixo parecem estar a andar lá em cima
  • Os quartos dos miúdos não são muito grandes, mas como há mais espaço no resto da casa, poderão ter outras áreas onde estudar, jogar, etc e usar o quarto mais para dormir e ter a sua privacidade, com o tempo
  • Nos dias mais frios tivemos muito frio por aqui e é quase impossível estar no sótão, apesar do isolamento com lã de rocha; mas também é verdade que ainda vivemos cá há pouco tempo e não tivemos muito tempo para gerar calor cá dentro

E por agora chega. Quando tiver tempo, faço um slideshow de antes&depois. As listas certamente aumentarão com o tempo, espero que a dos contras não cresça muito porque tenho mesmo muita vontade de ficar aqui a viver durante muito tempo.

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16 Responses to “O fim da odisseia”

  1. asturmas says:

    5*! Parabens!
    Quanto aos ventiladores dos WCs, instalaram-nos porque? Sinceramente nunca vi ventiladores em WCs de casas mas posso estar (muito) desactualizado..

    • Bom, eu tinha-os na casa anterior e acho que são razoavelmente comuns em casas de banho interiores. São eficientes e removem grande parte do vapor durante o banho, impedindo que este condense nas paredes e tecto.

      Em casas de banho com janelas, normalmente não se instalam.

  2. hugocardoso says:

    Como em tudo na vida, existem sempre prós e contras mas penso que o resultado final é muito interessante. Subscrevo inteiramente a questão do empreiteiro, tenho conhecimento de renovações que foram um desastre, em termos económicos e de prazos de conclusão.

    Espero que corra tudo pelo melhor e felicidades para ti e para a tua família.

  3. Lisete says:

    Olá, cá estou novamente a bisbilhotar mas não posso deixar de “gostar” muito da forma como falas do respeito pelos empreiteitos! de facto muita gente se esquece que as pessoas que trabalham nas obras são humanos e fazem um trabalho tão útil à siciedade como o do director de uma multinacional! Eu tenho ima empresa familiar de construção civil e subcontratamos os empreiteiros todos e sei bem o trabalho duro que eles têm de verão e inverno! sem eles nunca poderemos vender casas coma qualidade que prometemos e também nós Construtores sentimos na pele a desvonfiança que existe neste ramo. As pessoas vão comprar casas e quando estamos na fase de negociação estão muitas vezes com ar desconfiado a achar que os estamos a enganar! Eu trato da burocracia e também da parte de acompanhamento do cliente na fase do processo de compra e depois no fim ficam muito satisfeitos pois faço-lhes a papinha toda, mas sei que muitos construtores de outras gerações vendem as casas e estão-se a borrifar para os papéis, o cliente que se desenrasque e é aí que marcamos a diferença e onde as empresas todas se devem centrar nos dias de hoje: no apoio ao cliente. mas já me estou a alongar. Fico contente por ainda existirem empresas que “nos” deixam bem representados e que os clientes fiquem satisfeitos. Boa sorte e curtam a casa.

  4. Ivo Gomes says:

    Parece que o problema do chão é geral. O meu também começou a levantar em vários sítios e foi preciso remover todos os rodapés e cortar o que estava a mais.
    Apesar de se ter deixado alguma folga, parece que com a humidade o chão dilata (muito). Basicamente vamos ficar sem rodapés até à primavera para ver se ele estabiliza (este fim-de-semana vou cortar mais um bocado que dilatou numa das paredes).

  5. Helena Rocha says:

    Sei que passaram por uma autêntica odisseia e espero que agora possam finalmente descansar e desfrutar da vossa nova casa. Claro que ainda há coisas para fazer, coisas para arrumar e comprar e pormenores para corrigir. Vivo essa realidade desde há um ano, mas é uma realidade muito mais simpática do que a da obra em si. A escolha do empreiteiro é determinante e os conselhos que dás parecem-me muito válidos. Também eu pensava que nunca encontraríamos um empreiteiro honesto, mas curiosamente, também encontrámos um empreiteiro cinco estrelas, com um pessoal extraordinário. Por acaso também se chama Augusto! :) Antes de termos entrado em contacto com ele, conhecemos alguns empreiteiros que perpetuam o mau nome da classe e que não nos inspiraram qualquer confiança. Nem orçamentos conseguiam fazer! Enfim… Penso que é como em todas as profissões, há sempre bons e maus profissionais.
    Em relação ao chão, realmente, parece que é um mal não do chão em geral, como diz o Ivo Gomes, mas do pessoal que o instala. Em Lisboa também tivemos esse problema e o Fernando chegou a pedir que tirassem o chão todo do nosso quarto e o voltassem a instalar porque mal o tinham acabado de pôr e já havia uma pequena montanha a meio do quarto. O chão estava a levantar todo no dia em que tinha sido instalado! Felizmente o Fernando percebeu como se instala e aqui na casa de Lagos não tivemos qualquer problema.Perguntem-lhe porquê porque os meus conhecimentos não vão além da instalação de pladur. :)
    Beijinhos para os quatro e espero que tenham um Natal muito especial na vossa casa nova!

  6. P.A. says:

    Devias ter falado comigo para te fazer a instalação do flutuante. Tenho experiência no assunto: a PRIMEIRA e, até agora, ÚNICA instalação que fiz foi em… toda a MINHA CASA. Foi há dois anos e continua tal e qual! É um dos meus orgulhos quando mostro a casa às visitas!

  7. P.A. says:

    E acrescento: o chão é peça única, sem aqueles cortes que habitualmente põem na zona das portas com uma barra a tapar.

    • Isso é de facto impressionante, parabéns.

      Por aqui a coisa vai de mal a pior, acho que até já tenho placas que estão prestes a separar-se.

      • Ivo Gomes says:

        Aqui também é tudo peça única, o que é mais chato quando as coisas começam a levantar e não dá para fazer emendas aproveitando as juntas. Enfim, ontem lá tirei o último pedaço de rodapé que resistia e cortei uma tira de chão que estava já completamente encostada à parede. Agora é esperar e ver se ele cresce mais um pouco antes de voltar a ter rodapé em casa.

      • P.A. says:

        Sugiro uma queixa formal à empresa que te colocou o chão… Quem anda nessas lides, deve saber que deve deixa uma folga e 1 a 1,5cm entre o flutuante e a parede e eles, de certeza, não respeitaram isso. Agora, dará muito mais trabalho e despesa fazer as necessárias emendas, a começar pelo rodapé que terá de ser retirado para que o trabalho fique bem feito.

        • Uma… queixa formal?

          Bom, o empreiteiro sabe o que se passa e estamos à espera de ver como evolui a situação para saber se tem que vir reparar o problema ou se expande bem. As folgas deixadas tinham pelo menos 1,5 cm, medido por mim durante a instalação e até as ombreiras das portas foram cortadas em baixo para dar espaço ao chão.

          Não espero ter que pagar nada pela reparação do problema, uma vez que está sob garantia de 5 anos.

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