Macacos sem galho

Do pico do caos, consegue ver-se o vale o pânico, envolto na bruma da exaustão

Publicado em , por Pedro Couto e Santos

Não consigo imaginar o que passam as pessoas que, comprando uma casa para remodelar, apanham com empreiteiros fajutos que atrasam a obra quatro ou cinco vezes o prazo inicialmente previsto.

É que a nossa obra está a horas, a cumprir o calendário e vou-vos dizer uma coisa: isto custa.

Custa e não custa só dinheiro. Não é à toa que mudar de casa é uma das actividades mais cotadas nas que causam stress ao ser humano. Mudar de casa com obras então…

Hoje ficámos com gás. Foi feito o teste de tudo ligado com portas e janelas fechadas, durante x minutos e correu tudo bem. Tudo, claro, é apenas o esquentador, no nosso caso. Ventilado, ainda por cima.

Ainda assim, o técnico alertou-nos para o facto de que a Galp iria ainda tentar obrigar-nos a fazer mais uma inspecção com o único intuito de nos cobrar mais 55 euros. Portanto, o próprio técnico avisou que a empresa para quem trabalha chula os clientes sem qualquer razão.

Temos gás, logo temos água quente, logo, podemos tomar banho.

Isto significa que ficou hoje marcada a mudança. É no próximo Sábado, logo às 8 da manhã. Optámos pela empresa Cá Vai Sintra, que nos foi recomendada por várias pessoas, nomeadamente os meus avós que se mudaram para Almada, de Queluz, há uns anos, usando essa empresa.

Não são nem os mais baratos, nem os mais caros; mas responderam, quando outros… nem por isso.

A casa está quase toda empacota e ainda assim… não parece. Sabemos que temos armários inteiros que ainda nem abrimos para ver o que está lá dentro. Também sabemos que já não temos onde empilhar caixas e praticamente não temos onde ter a Joana sem que corra o risco de lhe cair uma caixa em cima (mas temos, não se preocupem).

Falta todo o quarto do Tiago, que não quisemos desmontar para não o stressar ainda mais – mesmo assim, desde o fim de semana que ele tem a tenda montada no meio do quarto para se refugiar da confusão.

Os gatos estão-se a passar, voltaram a lutar, ressaltam por entre os caixotes, mijam na impressora, é um desatino. Estão a dormir na varanda da cozinha há umas semanas porque não temos outra forma de os controlar.

Estamos ambos exaustos. Ontem estava tão cansado que comecei com tonturas. Depois, a Dee veio trazer-me a Joana que se recusava a dormir; fiquei com ela um bocado e acabei por ficar enjoado com as tonturas. Por volta das duas lá me consegui deitar, mal disposto, mas pouco depois de adormecer, acordei sobressaltado com qualquer coisa que os gatos tinham atirado abaixo na varanda.

Não muito tempo depois, toca o despertador.

Na casa, hoje era dia de montar os vidros no terraço. Chegaram, viram que estava a chover e foram-se embora novamente. Não sei porquê, mas não podem montar os vidros com chuva. Se continua a chover, estamos tramados.

No sótão, por causa da chuva, não houve trabalho hoje.

Mas chegou a escada. Toda a estrutura está montada, faltam só os degraus de madeira. Parece sólida, gostei.

A estrutura de aço da escada para o sótão

Na fachada, o Sr. Augusto sugeriu que se montasse nova caleira com algeroz passando na nossa varanda e depois até ao passeio, eliminando assim os dois grandes tubos que correm lá em cima e que se partiram causando infiltrações na sala.

Deixei uma carta na administração a informar e a perguntar quando era a obra de reparação da junta de dilatação (que já está planeada), para se juntar o útil ao agradável e não ter eu que pagar o aluguer de uma plataforma elevatória para montar um algeroz.

Responderam que tem que se ver isso em assembleia geral.

Quando vinha a sair da casa, hoje, reparei que o Sr. Augusto já montou toda a parte que vai até ao limite da varanda. Chama-se a isto, não perder tempo.

Resta agora descobrir em que encrenca nos vamos meter com os vizinhos… porque eu pretendo viver ali muitos anos, de preferência sem me chatear com ninguém, porque viver sete anos e tal num prédio com uma vizinha de baixo que me culpa por tudo o que lhe corre mal na vida… obrigado, mas já dei.

Este post está meio confuso e desconexo… mas é mesmo assim que são os nossos dias neste momento. Fico a pensar que devia ter metido dois ou três dias de férias para resolver isto e se calhar o plano A não era mau, mas este plano B não está propriamente perfeito.

Estas situações são tramadas. Uma pessoa tem uma casa nova, com enorme potencial, tudo renovadinho, mas só vê o que está mal. Já não reparo como o chão é porreiro, a casa luminosa e espaçosa, a cozinha enorme e prática, o terraço fantástico para os miúdos; nada disso: vejo a porta que não fecha bem, a sanita que não veda e a sujidade que, aqui e ali, não sai dos azulejos novinhos em folha.

E já só associo à casa stress, cansaço, preocupações e montes de pessoas que eu não conheço, mas que sei que passam mais tempo na minha casa, do que eu. Sinto quase que sou o invasor quando lá vou e interrompo o trabalho.

Em Dezembro vai fazer um ano que vimos a casa pela primeira vez. Quando lá estivermos finalmente instalados, com as obras feitas, todos os acabamentos prontos e qualquer situação com o condomínio sanada, acredito que passará tanto tempo quanto o que passou até agora para nos sintamos em casa ali.

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4 Responses to “Do pico do caos, consegue ver-se o vale o pânico, envolto na bruma da exaustão”

  1. badmary says:

    Às vezes penso em mudar de casa… Faço planos, projectos e fico toda entusiasmada. Depois passa-me.
    Por isso dou-vos os parabéns por esta jornada que acredito esteja a ser muito complicada mesmo.
    Força para a fase final :)

  2. Joana says:

    Quando estiverem na vossa bela sala a apanhar o sol de Inverno a comer bolinhos e ver o Tiago e Joana a brincar e correr pela casa, vão ver que este esforço valeu a pena.

    bjs

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