Quando recomecei a escrever escrevi um pequeno texto sobre nada e fui inundado de comentários. Não sei bem o que significam os comentários. Algo me diz que devo agradecer a todos os que nos escreveram palavras de encorajamento, mas essa é apenas uma sensação de dever social.
Não me interpretem mal, simplesmente não sei o que pensar da maior parte das coisas que as pessoas me dizem ultimamente. Sinto coisas que nunca senti antes e não sei o que responder às pessoas. Dou por mim, muitas vezes, a dizer às pessoas com quem me cruzo “não digas nada”, quando elas procuram uma qualquer palavra – que duvido que exista – para me dizer.
Houve um comentário, porém, que não me caiu bem. Era, na verdade, algo de que já estava vagamente à espera, mas que ainda ninguém tinha dito.
Era um comentário que falava de deus e do destino que este traça e por aí fora. Acredito na boa intenção de quem o escreveu, mas gostava de saber qual é, exactamente, a explicação da religião para o que aconteceu.
É que se deus existe, então é um real filho da puta. E se me dizem que não, não é um grande cabrão… então resta-me concluir que deus não existe porra nenhuma, nem tem motivos insondáveis, nem actua de formas misteriosas.
Não há linhas tortas do destino. Não há inevitabilidade divina. Não existe céu e inferno, nem alma, nem redenção, nem ordem celestial. Existe apenas caos. Um caos, esse sim, filho da puta: tudo é arbitrário e nada tem sentido.
No dia sete de Setembro, de 2005, algures a meio do dia, o meu filho, que se ia chamar Alexandre, morreu. Nunca chegou a provar o sabor do ar, nunca viu o pai e a mãe. A primeira vez que o vi, em vez de num berço, estava num pequeno caixão. Era perfeito. Tinha espesso cabelo escuro, lábios grossos e um nariz pequenino. Tinha mãozinhas com unhas redondinhas que me apeteceu apertar.
Nunca vou ver o Alexandre crescer.
Se alguém me conseguir explicar porquê… sou todo ouvidos.
Technorati Tags: Alex